Filmes da semana de 14/08 a 20/08

16/08/2025 11:39:36
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Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Os Caras Malvados 2. A animação traz de volta o grupo de animais ex-criminosos agora vivendo em aparente estabilidade social, mas que logo se veem diante de uma nova ameaça capaz de arrastá-los novamente ao universo do crime. Essa virada de situação conduz a narrativa a explorar dilemas morais de forma leve enquanto aposta em cenas movimentadas e visualmente elaboradas que reforçam a ambição da sequência. Sob a condução de Pierre Perifel e Juan Pablo Sans a direção aposta em uma estética ousada que ultrapassa o 3D convencional ao incorporar texturas planas e efeitos de cores intensas. Esse estilo dá dinamismo às imagens e amplia o impacto visual da história alcançando seu ponto máximo no clímax quando a ação em gravidade zero ganha contornos quase psicodélicos. O roteiro equilibra comédia física e tensão, com momentos previsíveis contados de forma leve por vezes mais focado em surpreender visualmente do que construir mistério narrativo. A qualidade visual é um dos pontos mais fortes do filme ao apostar em variedade estética que privilegia o estilo e a criatividade visual. O enredo gira em torno da luta de reinvenção de identidade e aceitação social. Entre humor e ação a trama mostra o conflito entre manter a redenção ou ceder às velhas tentações. Em comparação com o original que carregava um tom moral mais profundo, essa continuação se apoia em uma ação exagerada, o que dilui a reflexão, deixando o público sem um ponto emocional claro para se ligar. Mesmo sem desenvolver uma narrativa surpreendente o talento em compor sequências visualmente criativas garante que o filme seja divertido e energeticamente embalado, tornando a continuação estilosa e visualmente memorável. Vale sim o ingresso e a indicação etária é livre para todas as idades.

Outra estreia desta semana é Os Enforcados. Dirigido e roteirizado por Fernando Coimbra, o filme é uma tragédia moderna ambientada no submundo carioca buscando inspiração em Macbeth de Shakespeare mas adaptando essa tragicidade a um thriller tragicômico situado na máfia do jogo do bicho no Rio de Janeiro. O longa constrói uma atmosfera tensa com humor ácido, mostrando um casal aparentemente comum cheio de dívidas e preso a um império criminoso. A direção de Coimbra demonstra refinamento e controle da narrativa com estética marcante pontuada pelo uso expressivo do espaço e do som como elemento narrativo. O roteiro apresenta ambição política e social ao satirizar a elite envolvida no crime organizado, mas em alguns momentos, falha na profundidade da construção psicológica dos personagens, assim como exagera na transição da comédia ácida para o thriller brutal. Não que isso seja ruim, foi apenas uma escolha, certamente para chocar e provocar reflexão sobre a realidade brasileira. No elenco, Leandra Leal e Irandhir Santos ocupam o centro da narrativa com intensidade. Leandra encarna uma Lady Macbeth contemporânea com ambição descontrolada e ferocidade contida enquanto Irandhir constrói um homem dominado pela moral e pela influência da esposa. Irene Ravache, Stepan Nercessian e Ernani Moraes oferecem performances de apoio que enriquecem o filme. O tema central aborda ambição, corrupção, poder e decadência moral através da perspectiva de um casal que se enreda em escolhas fatais que os transformam e os aprisionam. É uma obra ousada com algumas fragilidades, principalmente em relação aos personagens e suas motivações. O filme proporciona uma experiência intensa e incisiva sobre poder e destruição, mesmo que nem sempre coesa, deixando no espectador o impacto perturbador de caos com humor. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 18 anos.

A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Juntos. Primeiro longa escrito e dirigido por Michael Shanks, o filme revela desde o início sua intenção de explorar o horror corporal como metáfora da codependência emocional. A narrativa tem como base um casal em crise que se muda para o interior e se depara com uma força sobrenatural que literalmente une os corpos dos protagonistas, servindo como síntese física e simbólica da relação que aos poucos os consome. A narrativa evita sustos fáceis apostando em construção gradual da tensão, confiando na imaginação do espectador. O roteiro carrega originalidade, mas sofre em determinadas passagens por conta de soluções simplistas, especialmente no terceiro ato. Algumas conveniências narrativas, como revelações que aparecem no momento exato, comprometem a coerência e tiram da conclusão o impacto que o ritmo vinha construindo. No elenco temos Alison Brie e Dave Franco, o típico casal na vida real trazendo uma camada autêntica de tensão e cumplicidade. A química entre eles é um dos pilares desta produção, conferindo naturalidade mesmo nas situações mais extremas. O filme se equilibra entre horror intenso e profundidade emocional, com a direção segura e sensível de Shanks. Ele se destaca ao transformar o horror corporal em drama afetivo e explora com sensibilidade e precisão a metáfora física da codependência, criando um ambiente que une desconforto e empatia. Embora a narrativa perca um pouco de pulso no desfecho e apresente desequilíbrios, a proposta emocional se sustenta pelo conjunto de elementos visuais, sonoros e simbólicos. Acima de tudo, essa é uma experiência singular, que provoca reflexão sobre os limites do amor e da identidade. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

Sugestão: A dica desta semana para assistir em casa vai para A Mulher da Casa Abandonada. Série documental que acabou de chegar a plataforma da Prime Video, esse é um caso que se tornou conhecido em todo Brasil e que escondia um passado de crime e condenação. Dirigido por Kátia Lund, esse é um ótimo trabalho investigativo que remove as camadas desse caso, revelando uma história inusitada de um crime perverso.

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