Filmes da semana de 21/08 a 27/08

23/08/2025 12:41:40
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Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Corra Que a Polícia Vem Aí. É sempre bom quando um clássico da comédia volta com um remake resgatando o espírito cômico da franquia original. O filme segue os pilares da comédia pastelão com piadas visuais e verbais rápidas, ritmo frenético e cenas absurdas, características que marcaram os originais. O roteiro atualiza a sátira para atacar alvos contemporâneos como bilionários da tecnologia, cultura das Big Techs, violência policial e true crime, conferindo uma camada de relevância atual ao humor tradicional. O ritmo tenta ser frenético com excesso de piadas, mas nos dois terços finais, as piadas vão perdendo um pouco do fôlego. No elenco Liam Neeson se aproveita da sua imagem extremamente séria e associada a papéis de ação para fazer o contraste cômico. Ele e Pamela Anderson, como par romântico, abraçaram o ridículo com entrega absoluta, contribuindo fortemente para o humor funcionar. Essa é uma comédia de alto nível técnico dentro de seu gênero, captando a essência dos originais e oferecendo uma releitura moderna. Como acontece em muitos reboots, o maior impacto pode ser seu valor nostálgico, reacendendo o interesse nos originais mais do que oferecendo uma identidade totalmente nova. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Outra estreia desta semana é Uma Mulher Sem Filtro. Mais uma comédia nacional, o filme trabalha com uma premissa intrigante: o que acontece quando alguém perde a capacidade de mentir e precisa enfrentar o mundo com uma honestidade brutal? Dirigido com um olhar que busca a energia do caos, o que temos é uma comédia de erros com um toque de reflexão sobre as aparências. Ao longo de sua narrativa, a produção equilibra momentos de humor afiado com uma busca por um drama mais profundo, mas nem sempre consegue atingir esse objetivo. O enredo é construído em torno da jornada da protagonista, seguindo uma estrutura linear e previsível. Embora funcione para o gênero, o filme perde a chance de explorar subtramas ou de dar mais peso aos personagens que a cercam. A progressão da narrativa, em certos momentos, parece ser uma coleção de esquetes conectados por uma linha tênue, o que faz o ritmo oscilar. O roteiro carrega a virtude de ser uma ideia original e cheia de potencial cômico com situações embaraçosas e hilárias explorando o conflito principal com criatividade. No entanto, o texto não se aprofunda nas consequências mais severas da “condição” da protagonista. No elenco Fabiula Nascimento entrega uma performance notável, com um timing cômico impecável e uma expressividade que a faz transitar da euforia ao desespero com facilidade. Os coadjuvantes cumprem seus papéis, mas seus personagens são pouco desenvolvidos. É uma comédia divertida e bem-intencionada que brilha graças à sua premissa e à performance carismática de Fabiula Nascimento. A direção enérgica e o roteiro ágil criam um filme com bom ritmo, ideal para quem busca entretenimento leve. Contudo, a produção deixa a desejar em sua capacidade de aprofundar a discussão sobre a honestidade radical e as relações humanas. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Estreia também nesta semana Luiz Gonzaga: Légua Tirana. Essa é uma cinebiografia que se desvia do padrão convencional para mergulhar nos anos formativos do Rei do Baião. Em vez de uma cronologia exaustiva da vida e obra do artista, o filme opta por um recorte mais poético e focado na infância e juventude de Luiz Gonzaga no Sertão nordestino. A produção busca celebrar a cultura que moldou o artista, utilizando uma linguagem visual que remete ao realismo fantástico, e se propõe a ser menos um registro factual e mais uma homenagem sensorial ao legado de Gonzaga. O roteiro explora as influências de sua família, as dificuldades da vida no sertão e a descoberta de seu dom musical. A narrativa é construída com anedotas e momentos que parecem saídos das próprias canções de Gonzaga, o que confere ao filme uma autenticidade lírica. No entanto, essa escolha em focar tanto na infância pode deixar o público que busca uma visão mais completa da carreira de Gonzaga com a sensação de que algo ficou faltando. As atuações são, em geral, convincentes, especialmente a performance do ator que interpreta o jovem Luiz Gonzaga. Ele consegue capturar a essência da curiosidade e do talento embrionário do artista. A presença de nomes como Luiz Carlos Vasconcelos e Cláudia Ohana traz peso e experiência ao elenco, e a química entre os atores enriquece as cenas familiares. Esse é um filme que se sobressai por sua ambição artística e sua capacidade de capturar a alma do Sertão. Longe de ser apenas uma biografia, é uma ode à infância, à tradição e à força de um povo. Embora sua narrativa possa parecer fragmentada e sua recusa em abordar a vida completa de Gonzaga seja um ponto de debate, o filme se justifica como uma obra que celebra as raízes do artista. Ele é um lembrete de que a grandeza de um ícone cultural é forjada não apenas em seus grandes feitos, mas também nos pequenos e significativos passos de sua jornada. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Mais uma estreia nesta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Anônimo 2. Continuando a história de Hutch Mansell, o homem comum com um passado de agente letal, o filme se propõe a expandir o universo estabelecido no original apostando na surpresa e no humor contido. Essa sequência assume uma postura mais grandiosa e explora abertamente as raízes do protagonista, mergulhando de vez no gênero de ação pura e desenfreada. O enredo é mais focado em uma jornada de vingança e proteção, com Hutch sendo puxado de volta para o caos que tanto tentou deixar para trás. A história é mais linear e direta, servindo como uma estrutura para as sequências de ação. O filme assume um caráter de “blockbuster”, o que pode ser visto como uma evolução natural, mas representa uma perda da originalidade e do estudo de personagem que tornaram o primeiro filme tão especial. No elenco Bob Odenkirk retorna com uma performance que eleva o material, entregando um trabalho físico impressionante para sua idade e mantendo a essência de seu personagem: um homem cansado, mas letal. A presença de Connie Nielsen e Christopher Lloyd é maior e agrega mais peso à trama familiar. A introdução de novos atores, como Sharon Stone em um papel vilanesco, funciona para a premissa, embora seu personagem possa parecer um tanto caricato. Embora o filme tenha sucesso em entregar o que promete em termos de pancadaria e entretenimento, ele se distancia do que o tornou tão único inicialmente, transformando-se de uma comédia de ação peculiar em um filme de ação puro e simples. É uma diversão garantida para os fãs do gênero, mas talvez não tão memorável quanto o seu antecessor. Ainda assim vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 18 anos.

A última estreia desta semana em Nova Friburgo é Faça Ela Voltar. Essa é uma comédia romântica que busca um espaço em um gênero conhecido por suas fórmulas, mas tenta injetar uma dose de originalidade e humor contemporâneo. O filme acompanha o desenrolar de um relacionamento em crise, utilizando um enredo que explora as tentativas desesperadas de um homem para reconquistar a mulher que ama. A produção navega entre o sentimentalismo e a comédia, com a direção, o roteiro e as atuações trabalhando para criar uma narrativa que seja tanto engraçada quanto tocante, mesmo que nem sempre atinja a profundidade necessária. Os irmãos Michael Philippou e Danny Philippou que dirigiram e escreveram o roteiro optam por um estilo visual limpo e cores vibrantes, típicas do gênero de comédia romântica, focando em closes nos personagens para capturar a emoção e o timing cômico das atuações. O roteiro carrega uma premissa interessante, usando situações cotidianas e a confusão moderna nos relacionamentos como fonte de humor. Os diálogos são, em sua maioria, bem escritos e naturais, e as piadas funcionam. Contudo, o texto não consegue aprofundar os personagens, que muitas vezes parecem arquétipos. A protagonista feminina, em particular, é pouco desenvolvida, servindo mais como um objeto de desejo e motivação para o personagem principal do que como uma pessoa com suas próprias ambições e dilemas. A resolução do conflito é previsível e apressada, minando a chance de um final mais impactante ou original. As atuações são o ponto forte do filme, com Jacob Elordi entregando uma performance carismática e cheia de timing cômico. Ele carrega a maior parte do peso da narrativa, enquanto Zoey Deutch tem uma presença de tela marcante como a ex-namorada. Apesar de não reinventar a roda, o filme é agradável e despretensioso, mas peca pela falta de profundidade e pela ausência de um olhar mais original. Ainda assim vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 18 anos.

Sugestão: A dica desta semana para assistir em casa vai para O Assassinato do Ator Rafael Miguel. Essa série é um retrato cru e comovente da tragédia que tirou a vida do jovem ator. Com uma narrativa envolvente, a produção explora a fundo a investigação, os motivos do crime e a busca incessante por justiça. Ao dar voz a familiares e amigos, a série oferece um olhar humano e sensível sobre o caso, destacando-se pela sua abordagem respeitosa e informativa. Para assistir, a série com três episódios está disponível no catálogo da plataforma de streaming HBO Max.

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