Filmes da semana de 28/08 a 03/09

30/08/2025 11:54:56
Compartilhar

Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Caçadores do Fim do Mundo. Essa é uma ficção científica pós-apocalíptica com uma mistura de ação e comédia. Dirigido por J.J. Perry, um nome conhecido por seu trabalho como coordenador de dublês em grandes produções, o filme reflete a experiência do diretor em coreografia de luta e sequências de ação, mas mostra algumas limitações na construção de uma narrativa mais complexa. A direção é o ponto mais forte da obra. Fiel à sua experiência, Perry entrega cenas de ação dinâmicas e bem coreografadas. A câmera se move com fluidez durante os confrontos e perseguições, criando uma experiência visual empolgante. No entanto, sua direção se concentra mais no espetáculo visual do que no desenvolvimento dos personagens ou na atmosfera do mundo pós-apocalíptico. O roteiro, que adapta a série de quadrinhos de Scott Chitwood, tem uma premissa promissora. Um caçador de tesouros em um mundo destruído, cuja missão é recuperar a Mona Lisa, é uma ideia divertida e cativante. O problema reside na execução. A trama é previsível e linear, servindo principalmente como um pretexto para as sequências de ação. Os diálogos são simples e o aprofundamento dos personagens é superficial. No elenco temos Dave Bautista, como o protagonista, usando seu carisma e presença física para carregar o filme. Samuel L. Jackson, em um papel de mentor, faz o que se espera dele, com a presença marcante de sempre. No apoio, temos Olga Kurylenko e Kristofer Hivju, que contribuem para a ação, mas seus personagens são pouco desenvolvidos. O filme cumpre sua proposta de entretenimento descompromissado. É uma obra que se apoia nas cenas de ação e no carisma de Bautista, mas é superficial, com um roteiro simples e sem profundidade. É um filme para quem busca pura adrenalina e diversão, mas sem grandes inovações para o gênero. Ainda assim, vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 18 anos.

Outra estreia nesta semana é Ladrões. Esse filme representa uma fascinante e ousada mudança de rota na carreira do aclamado cineasta Darren Aronofsky. Conhecido por obras intensas e psicologicamente complexas como “Cisne Negro” e “A Baleia”, Aronofsky se aventura em um novo território: o suspense de ação, com toques de humor e drama noir. Esse trabalho se destaca por sua energia e ritmo acelerado. A câmera dinâmica e a edição ágil criam uma sensação de urgência que se encaixa perfeitamente no suspense de perseguição. Ele ainda consegue inserir sua visão artística, com closes que revelam o desespero e a vulnerabilidade do personagem principal e uma atmosfera urbana crua e realista, mas a abordagem é menos experimental e mais focada na narrativa. O roteiro, de Charlie Huston, baseado em seu próprio livro, é o motor do filme. A história de um ex-jogador de beisebol que se vê em apuros é uma premissa clássica do gênero, mas a forma como a trama equilibra a ação com o humor peculiar e diálogos afiados é o grande trunfo. No entanto, a simplicidade do enredo e a falta de aprofundamento em alguns personagens secundários, como os vilões, limitam o potencial de uma trama mais complexa. No elenco temos Austin Butler que entrega uma performance surpreendente, mostrando um lado desleixado e cômico, mas que também transmite a tensão e o desespero de sua situação, assim como Zoë Kravitz e Regina King, que adicionam carisma e qualidade à obra, mesmo com tempo de tela limitado. É uma jornada linear e implacável, com o protagonista passando de uma situação de perigo para outra. A produção é impecável, com a fotografia capturando a estética crua e a violência das ruas de Nova York da década de 1990. “Ladrões” se estabelece como uma aposta ousada e bem-sucedida de Darren Aronofsky em um novo gênero. Embora possa não ter a profundidade de suas obras anteriores, o filme carrega um ritmo frenético, e com boas performances do elenco. Demonstra a versatilidade do diretor sem comprometer seu talento visual. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

Estreia também nesta semana C.I.C. – Central de Inteligência Cearense. Essa é uma comédia de ação que busca combinar a estética do cinema de espionagem com o humor regional do Ceará. A direção de Lúcio César Filho é marcada por uma tentativa de imitar o estilo de filmes de ação, com cenas de perseguição e confrontos bem coreografadas para um filme de baixo orçamento. A câmera dinâmica tenta dar ritmo à narrativa, mas em alguns momentos a edição se mostra apressada, dificultando o entendimento das sequências. A aposta no humor visual, com gags e situações inusitadas, é um dos pontos positivos. A premissa de um grupo de espiões amadores do Ceará é divertida, explorando o contraste entre o universo global de espionagem e a realidade regional, no entanto, a trama principal é simples e por vezes previsível, e o desenvolvimento de alguns personagens é superficial, impedindo uma conexão mais profunda com suas motivações. O roteiro se apoia mais no humor do que na construção de uma narrativa sólida. O elenco, composto por atores conhecidos do humor cearense, é o ponto alto do filme. A atuação de Edmilson Filho como o protagonista é carismática e ele consegue transitar bem entre a ação e a comédia. Apesar da originalidade da premissa e a capacidade do filme de fazer rir, falhas no roteiro e na estrutura narrativa, resultam em uma comédia divertida, mas sem grande profundidade. Ainda assim, vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

A última estreia nesta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Rosario. Dirigido por Felipe Vargas, o filme aborda temas complexos de forma intensa, mas que, na sua execução, encontra altos e baixos, gerando um debate interessante sobre seu mérito artístico. Vargas demonstra uma clara ambição em criar uma atmosfera de suspense e tensão. Ele utiliza a câmera de forma a nos aproximar da perspectiva da protagonista, mergulhando o espectador em sua jornada de desespero e busca por redenção. O roteiro, também assinado por Vargas, é o ponto central da discussão sobre o filme. Ele apresenta uma premissa promissora, explorando o contraste entre a fé e a desesperança, e a moralidade em situações extremas. A jornada de Rosário, uma mulher que precisa confrontar seus próprios demônios para salvar sua filha, é instigante. No entanto, o roteiro tende a cair em alguns clichês do gênero, e a construção dos diálogos e a evolução de alguns personagens secundários são apressadas. A história se concentra mais nos eventos do que nas motivações psicológicas dos personagens, o que a torna mais uma aventura de suspense do que um drama profundo. O filme levanta questões importantes sobre sacrifício e redenção, mas as respostas são, em geral, superficiais. No elenco temos María Fernanda Yepes que é o pilar emocional da produção carregando a fragilidade e a força de sua personagem com grande intensidade, assim como Roberto Urbina e Harold Torres com boas atuações mesmo que limitadas pelo roteiro. É uma produção colombiana que se apresenta como uma promessa para o cinema de gênero latino-americano, mas por falhas no roteiro e a falta de originalidade, não alcançou seu potencial máximo. Ainda assim vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

A dica desta semana para assistir em casa vai para The Wire. Disponível na HBO MAX, essa série policial mergulha fundo na complexidade das instituições de Baltimore. Cada temporada explora um lado diferente da cidade, como o tráfico de drogas, a política, a educação e a mídia. É uma experiência que desafia o espectador a pensar criticamente sobre a sociedade e as complexidades da vida urbana. Se você tem paciência para um ritmo mais lento e aprecia um roteiro inteligente e personagens realistas, vai descobrir por que muitos críticos e fãs a consideram a melhor série de TV de todos os tempos.

Compartilhar