UMA IMAGEM DE STO. ANTÔNIO, PEQUENA MAS MILAGROSA

10/06/2020 12:24:18
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Imagem ofertada do Pe. Higino Latteck à minha família – Arquivo Leyla Lopes

(em memória do Rvdo. Padre Higino Latteck)

Ao se aproximar a data dedicada a Sto. Antônio de Pádua, minha filha sugeriu que eu fizesse um artigo a respeito de uma pequena imagem do referido santo, ofertada aos meus pais, nos anos 50, do século passado, pelo Padre Higino Latteck.   

Ele contava que as suas andanças, pelo interior do Brasil, no seu trabalho pastoral, eram feitas em lombo de um burrinho. Certa ocasião, ao passar por região de mata fechada, percebeu que a adentrava, cada vez mais. Tentava encontrar o caminho certo, mas não encontrava. O tempo passava, a noite chegando e o medo começou a lhe invadir a alma.     

Sem esperanças, lembrou-se da pequena imagem de Sto. Antônio (7cm), que trazia sempre no bolso da batina. Segurou-a, com firmeza e, cheio de fé, invocou a proteção do santo, largando as rédeas. Deixou-se levar pelo dócil animal que, conduzido pelo instinto de sobrevivência, encontrou uma saída.      

Quem é afinal o Padre Higino?

Um frade franciscano, de nome Higino Ricardo Latteck nascido em Instgerburg- Prússia/ Alemanha, em 31 de março de 1905, filho de Anna Hanshatter e de José Latteck. Estudou no Convento Franciscano, em Fulda, na Alemanha, onde ordenou-se padre franciscano em 27 de abril de 1930. Foi missionário na Alemanha, Suíça e Iugoslávia de 1930 a 1940.

Chegou ao Brasil em 6 de junho de 1940, indo para o sul de Mato Grosso, fugindo da perseguição nazista, que se implantou na Europa, nos países dominados por Adolfo Hitler, aos clérigos e demais religiosos. Por pertencer à Ordem dos Franciscanos foi preso e levado para um “campo de concentração”, tendo sofrido castigos físicos.

Um irmão seu (que era membro da Maçonaria) providenciou, junto aos irmãos maçons, passaportes para ele e para o seu amigo, o Padre Giuliano, para que após a fuga, pudessem embarcar, sem serem perseguidos. E assim, os dois embarcaram rumo à liberdade.           

O alemão Pe. Higino Latteck

Padre Higino foi o primeiro vigário residente de Dourados- MTS, de 1940 a 1947. No início, teve dificuldades, pois só falava o alemão. Aprendeu o português com as famílias católicas que o ensinavam em suas casas. Era em lombo de burrinho, que fazia as suas andanças, pelo interior.

De 1947 a 1955 foi vigário em Recreio-MG, e a partir deste ano, veio para Nova Friburgo- RJ, assumindo a Paróquia de Santa Teresinha, em Conselheiro Paulino. Também, exercia suas funções religiosas na Catedral de São João Batista. Foi capelão da Colônia Alemã, celebrando na Capela de Santo Antônio, aos domingos, pela manhã, Missa em alemão. Lecionou na Faculdade de Filosofia Santa Doroteia, Filosofia e Cultura Religiosa.        

De Nova Friburgo, em 1968, foi para Itaperuna- RJ, sendo vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima até 1973.

A partir dessa data, retornou a Recreio-MG, lecionando, na década de 1970, as mesmas matérias acima citadas, na Faculdade Santa Marcelina, em Muriaé- MG. 

Padre Higino, alemão por nascimento e brasileiro por naturalização, permaneceu em Recreio até 2 de  setembro de 1983, quando faleceu, tendo sido sepultado no cemitério local.                                                                                                                                                             

( O artigo acima só foi possível, associando os pouco dados de que dispunha sobre Padre Higino, ao valioso trabalho postado por Armando Sérgio Mercadante, na página “RECREIO DAS GERAIS”)

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