Friburguense e outros 8 morreram dentro de navio por falhas na segurança

12/06/2015 10:35:05
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Navio em que o friburguense Wesley Bianquini estava embarcado

O friburguense Wesley Bianquini, de 36 anos, e outros oito funcionários da empresa petroleira empresa BW Offshore morreram no início de fevereiro dentro do navio-plataforma no Espírito Santo. O caso teve grande repercussão nacional. Wesley era casado e pai de dois filhos e foi sepultado dia 14 de fevereiro no Cemitério São João Batista, em Nova Friburgo.

Agora, quatro meses depois, a tragédia começa a ser esclarecida: a explosão numa casa de bombas do navio-plataforma Cidade de São Mateus, ocorrida há exatos quatro meses no litoral do Espírito Santo, foi provocada por uma sucessão de falhas técnicas, de procedimentos, além de erros na tomada de decisões, apontou um relatório interno da Petrobras. O acidente foi considerado o pior da história do estado e o mais grave do país nos últimos 14 anos.

De acordo com o relatório interno da estatal, a instalação de uma peça fora dos padrões necessários para o sistema, a falta de planejamento e de análise de riscos durante a troca de linhas que faziam a transferência de fluidos de um tanque para o outro, o envio de equipes para a casa de bombas mesmo com o alarme acionado, e a ausência de simulações anteriores que preparassem os profissionais para esse tipo de situação de risco comprometeram a realização de procedimentos usuais no FPSO, da norueguesa BW Offshore e afretado à Petrobras.

Uma fonte ligada à Petrobras detalhou que, meses antes do acidente, um terminal cego (flange) foi instalado no circuito que fazia a transferência de água e óleo condensado, mas a resistência à pressão dessa peça era menor à demandada pelo sistema.

A incompatibilidade do equipamento só veio à tona no dia da explosão, quando, por um erro na abertura e fechamento das válvulas, a pressão em uma das linhas aumentou, fazendo com que o flange se abrisse antes mesmo de o sistema de segurança desligar a bomba. Como consequência, houve vazamento de gás e, posteriormente, a explosão.

Outro erro grave apontado pelo boletim da Petrobras foi o fato de equipes de segurança (da qual fazia parte o friburguense Wesley Bianquini) terem sido enviadas à sala de bombas. “A resposta da emergência que analisou o ocorrido fez um retrato equivocado da gravidade do cenário, permitindo que a equipe, mesmo com os alarmes de gás, adentrassem a sala das bombas por três vezes”, reconhece o documento apresentado em inglês.

No item do documento “O que fazer para evitar o acidente”, a primeira orientação é: proibir a entrada de pessoas em áreas com atmosfera inflamável. Recomendação que não foi seguida. No item do documento “o que fazer para evitar o acidente”, a primeira orientação é: proibir a entrada de pessoas em áreas com atmosfera inflamável. Recomendação que não foi seguida.

O relatório foi encaminhado pela Petrobras à Agência Nacional do Petróleo (ANP), Polícia Federal e Polícia Civil. A Marinha do Brasil, que também investigou o acidente, concluiu o inquérito e confirmou que o vazamento de uma substância inflamável na casa de bombas foi a causa da explosão. Ainda segundo a Marinha, fatores materiais e operacionais contribuíram para o acidente.

Em meio ao sofrimento, famílias das vítimas do acidente no navio-plataforma buscam na Justiça indenizações e o direito de receber seguros pela morte dos trabalhadores. Já tramitam ações com pedidos milionários de reparação financeira. Há casos de parentes que pedem R$ 2 milhões em compensação.

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