Acusada de discurso racista e homofóbico em igreja presta depoimento na 151ª DP

05/08/2021 18:42:06
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Depoimento na delegacia seguiu a linha da nota de retratação

DELEGADO ENCAMINHARÁ INQUÉRITO PARA O MP


Por G1 – Nova Friburgo

A pregadora Karla Cordeiro compareceu à delegacia na manhã desta quinta-feira, 5/8, para prestar depoimento. Ela foi intimada pela polícia após criticar fiéis que defendem causas políticas, raciais e LGBTQIA+ durante uma pregação em uma igreja evangélica de Nova Friburgo. Após conclusão, o inquérito policial será remetido ao Ministério Público para as providências legais.

A pregação em que fala para os fiéis pararem “de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay” aconteceu no último sábado, 31/7, e foi divulgada no canal oficial do grupo jovem da Igreja Sara Nossa Terra, mas foi excluída com a repercussão negativa.

Após a repercussão do vídeo e a análise do discurso, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso.

Para o delegado titular da 151ª DP, Henrique Pessoa, há um “teor claramente racista e homofóbico” no discurso de Kakau durante a pregação, “o que configura transgressão típica na forma do artigo 20 da Lei 7716/87”.

“De tal modo que a pena é de 3 a 5 anos com circunstâncias qualificadoras por ter sido feita em mídias sociais e através da imprensa. De tal modo que já foi instaurado inquérito policial pelo crime de intolerância racial e homofóbica, de acordo com a recente previsão do STF”, disse o delegado na ocasião.
O depoimento da pregadora durou pouco mais de uma hora. Uma equipe da Inter TV tentou falar com Kakau na chegada e saída da delegacia, mas ela não quis comentar o assunto.

De acordo com o delegado titular da 151ªDP, Henrique Pessoa, o depoimento dela não apresentou muitas novidades além do que já foi dito por Kakau em uma nota de retratação publicada nas redes sociais.

RETRATAÇÃO APÓS ESCÂNDALO


Após a repercussão do vídeo, Kakau Cordeiro publicou uma nota de retratação nas redes sociais. Na publicação, a pregadora pediu desculpas pelos termos utilizados na palestra e afirmou ter sido “infeliz nas palavras”.

“Eu, na verdade, fui infeliz nas palavras escolhidas e quero afirmar que não possuo nenhum tipo de preconceito contra pessoas de outras raças, inclusive meu próprio pastor é negro, e nem contra pessoas com orientações sexuais diferentes da minha, pois sou próxima de várias pessoas que fazem parte do movimento LGBTQIA+”, ressaltou na nota.
Na nota de retratação, a pregadora declarou, ainda, que não era a intenção dela praticar nenhum ato discriminatório.

“A minha intenção era de afirmar a necessidade de focarmos em Jesus Cristo e reproduzirmos seus ensinamentos, amando os necessitados e os carentes. Principalmente as pessoas que estão sofrendo tanto na pandemia. Fui descuidada na forma que falei e estou aqui pedindo desculpas”, disse.

“Ressalto também que as palavras que utilizei não expressam a opinião do meu pastor, nem da minha igreja”, frisou Kakau.


A Igreja Sara Nossa Terra disse que não irá se pronunciar.

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