Caso Henry Borel: o inferno é aqui!

06/04/2026 11:06:32
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É intencional trazer o caso na semana da Páscoa para que possamos refletir sobre o mundo atual. Será que o inferno não é somente uma possibilidade? Será que já estamos nele? É chocante, dói, mas precisa ser dito. O caso Henry Borel é uma das histórias mais brutais da recente memória brasileira. Não apenas pela violência, mas pelo retrato cruel de negligência e omissão que levou à morte de uma criança de apenas quatro anos. Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021, dentro de casa — o lugar que deveria ser sinônimo de proteção.

Naquele apartamento na Barra da Tijuca, o que existia estava longe de ser um lar. Henry foi levado a um hospital já sem vida, enquanto os responsáveis falavam em “acidente doméstico”. Mas a versão não resistiu aos fatos.

O laudo da necropsia escancarou a verdade: 23 lesões por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna. Não foi acidente. Foi violência contínua. Um corpo pequeno marcado por dor repetida. Um histórico de agressões que não começou naquela noite — apenas terminou ali.

As investigações revelaram algo ainda mais perturbador: Henry era vítima de uma rotina de tortura. Não houve impulso momentâneo. Houve repetição, método, crueldade. Isso muda tudo. Não é um crime isolado — é um ciclo de violência.

O padrasto aparece como principal agressor. Mas há uma verdade dura que não pode ser ignorada: a omissão também mata. A mãe, segundo as investigações, sabia das agressões e não impediu. E quando quem deveria proteger falha — ou consente — o que resta é indignação.

Esse caso escancara uma realidade silenciosa: a violência contra crianças dentro de casa. Acontece longe dos olhos, escondida por paredes que abafam gritos. Sinais são ignorados. Desculpas são aceitas. E o pior acontece.

Henry era completamente indefeso. Não podia fugir, denunciar ou se proteger. Sua fragilidade torna tudo ainda mais revoltante. É impossível não sentir o peso da injustiça.

O país reagiu, discutiu, se indignou. Mas a pergunta permanece: por que não foi evitado? Onde falhou a rede de proteção? Quantos sinais foram ignorados?

Mais do que um caso, Henry se tornou um símbolo. Um alerta de que o perigo pode estar onde deveria haver cuidado. De que a omissão tem consequências irreversíveis.

Pasmem: após cinco anos de trâmites e recursos, o julgamento começou em 23 de março do corrente ano, no 2º Tribunal do Júri. Monique Medeiros e Jairo Souza Santos enfrentam o júri popular, acusados pela morte de Henry.

Esperamos e confiamos na justiça de Deus! Nenhuma ação da justiça na terra conseguirá fazer justiça: Henry não voltará! Por isso é importante relembrar sua memória. Ela é um chamado urgente para que proteger crianças deixe de ser discurso — e se torne prioridade absoluta.

Por Jorge Corrêa

Por Jorge Corrêa

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