Filmes da semana de 01/01 a 07/01

01/01/2026 19:34:17
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A única estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é A Empregada. Essa é uma obra que entende perfeitamente o seu papel como um thriller de entretenimento escapista, equilibrando o brilho técnico de Hollywood com a tensão psicológica de um mistério doméstico clássico. O roteiro se destaca por manter a agilidade característica da obra original de Freida McFadden, utilizando uma narrativa dividida que manipula a percepção do espectador sobre quem é a vítima e quem é o agressor. Ao colocar Millie, interpretada por Sydney Sweeney, em uma posição de vulnerabilidade social extrema, o texto consegue tecer comentários sutis sobre desigualdade e as fachadas da perfeição suburbana, embora o foco principal permaneça nas reviravoltas chocantes que pontuam a trama. No enredo Millie, uma jovem em busca de um recomeço após sair da prisão, aceita trabalhar como empregada doméstica para o abastado casal em uma mansão isolada. No entanto, ela logo se vê presa em uma teia de comportamentos erráticos da patroa e segredos perigosos que se escondem atrás da fachada de perfeição da família. À medida que a tensão aumenta, os limites entre vítima e agressor se confundem, culminando em uma luta psicológica pela sobrevivência dentro da própria casa. A direção de Paul Feig opta por uma estética limpa, quase estéril, que realça o contraste entre o luxo da mansão e o segredo obscuro escondido em seu sótão. Feig demonstra maturidade ao evitar o uso excessivo de jump scares, preferindo construir o horror por meio de olhares prolongados e diálogos carregados de subtexto entre as duas protagonistas. A iluminação é usada de forma inteligente para destacar o isolamento de Millie, muitas vezes enquadrada através de batentes de portas ou janelas, reforçando a ideia de que ela é uma intrusa sendo observada. O elenco sustenta uma dualidade fascinante entre Sweeney e Amanda Seyfried. Enquanto Sydney Sweeney entrega uma performance contida, baseada em micro-expressões que denunciam seu passado turbulento, Seyfried brilha ao interpretar uma Nina Winchester que oscila entre a fragilidade maníaca e uma frieza calculista. Essa dinâmica é o coração do longa, elevando o material acima de outros suspenses genéricos lançados recentemente. Embora o roteiro tenha certas conveniências, o ritmo frenético mantem o público engajado até o último minuto. Essa é uma adaptação que satisfaz tanto os leitores ávidos quanto os novos espectadores. A obra deixa uma reflexão provocante sobre as aparências sociais e os limites da moralidade em situações de extremo desespero. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

A dica desta semana para assistir em casa vai para Pisque Duas Vezes. Disponível na Prime Video, esse filme utiliza uma estética vibrante e luxuosa para mascarar uma narrativa perturbadora sobre controle, poder e a perda da identidade. A trama acompanha Frida em uma viagem para a ilha particular de um bilionário, onde o cenário de férias perfeitas rapidamente revela rachaduras sinistras e lapsos de memória inexplicáveis. A direção de Zoë Kravitz é precisa ao transformar o paraíso em uma prisão psicológica, utilizando cortes rápidos e um som opressor para transmitir a desorientação das personagens. O filme dialoga diretamente com temas de exploração e a invisibilidade feminina, colocando o espectador em um estado constante de alerta e desconfiança. Channing Tatum entrega uma performance surpreendente, equilibrando o carisma sedutor com uma frieza que torna a ameaça ainda mais real e palpável. Assim como em A Empregada, a tensão nasce da convivência forçada em um ambiente onde as regras de quem manda são absolutas e perigosas. O desfecho é uma explosão de violência e justiça poética, oferecendo uma catarse necessária após uma construção de suspense angustiante e muito bem executada. É uma obra que não apenas entretém, mas provoca uma reflexão profunda sobre os bastidores sombrios da elite e a luta pela sobrevivência.

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