Filmes da semana de 05/02 a 11/02

05/02/2026 11:02:34
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Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo (Des)controle. Sob a direção de Rosane Svartman e Carol Minêm, o filme acompanha Kátia Klein, uma escritora de sucesso que, diante de um bloqueio criativo e do colapso de seu casamento, rompe quinze anos de sobriedade em busca de um alívio momentâneo que rapidamente se transforma em caos. O enredo evita o melodrama fácil ao equilibrar a crueza do vício com pitadas de humor ácido, construindo um retrato honesto de uma geração de mulheres ensinadas a equilibrar demandas familiares e profissionais sem demonstrar vulnerabilidade. O elenco é o pilar central da obra, com Carolina Dieckmann entregando uma atuação visceral e fragmentada que captura cada estágio do declínio da protagonista, apoiada por nomes de peso como Irene Ravache, Daniel Filho e Caco Ciocler, que conferem camadas de realismo às relações de Kátia. Contudo, a mesma sensibilidade que define a obra acaba gerando pontos de resistência. A narrativa, por vezes, utiliza recursos surrealistas e metáforas visuais para ilustrar o descolamento da realidade da personagem, uma escolha artística que pode ser interpretada como um excesso estilístico que dilui a tensão dramática principal. Ao tentar manter um tom “leve e consciente” sobre um tema tão sombrio, o filme corre o risco de suavizar demais as consequências mais devastadoras da dependência química, resultando em passagens que parecem perder o vigor em prol de uma lição de moral implícita. Além disso, o foco quase exclusivo no sofrimento interno de Kátia deixa personagens secundários promissores em segundo plano, tornando certas subtramas familiares um tanto subdesenvolvidas. Em resumo, a produção é um testemunho artístico necessário sobre saúde mental, brilhando pela coragem técnica e interpretativa, mas que pode dividir o público entre aqueles que apreciam sua sutileza e os que esperavam uma abordagem mais crua e direta sobre o abismo do vício. Vale muito o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

Outra estreia desta semana em Nova Friburgo é Destruição Final 2. Essa é uma rara sequência de desastre que opta por trocar o espetáculo da destruição global por uma jornada de sobrevivência. Sob a direção de Ric Roman Waugh, o filme retoma a história da família Garrity cinco anos após o impacto do cometa Clarke, forçando-os a abandonar a segurança do bunker na Groenlândia para atravessar uma Europa devastada e radioativa em busca de um novo lar. O grande mérito da obra reside em seu enredo de transição, que deixa de ser sobre o fim do mundo para se tornar sobre o mundo que restou, focando no trauma psicológico e na resiliência humana. O elenco, liderado novamente por um Gerard Butler surpreendentemente vulnerável e pela brasileira Morena Baccarin, entrega performances que ancoram o filme na realidade, fazendo com que o espectador se importe menos com os meteoros e mais com os sacrifícios morais que a sobrevivência exige. Por outro lado, essa abordagem introspectiva acaba por criar um distanciamento em relação ao dinamismo do longa anterior. Ao se afastar do ritmo frenético, a narrativa por vezes sucumbe a uma atmosfera de tédio distópico, apresentando diálogos que se tornam repetitivos e uma progressão de trama excessivamente lenta. O foco excessivo no drama familiar esvazia a tensão externa, transformando o que deveria ser um thriller de sobrevivência em uma jornada monótona que carece de momentos de clímax genuíno. Além disso, a qualidade visual sofre com um contraste evidente, enquanto a direção busca um tom realista, o uso de efeitos digitais para representar as cidades em ruínas transparece uma artificialidade que prejudica a imersão. No saldo final, o filme sacrifica o entretenimento em nome de uma seriedade que nem sempre sustenta o interesse, resultando em uma experiência tecnicamente irregular e narrativamente cansativa para quem esperava o espetáculo do gênero de desastre. Ainda assim, vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Mais uma estreia desta semana nos cinemas é O Som da Morte. O filme se posiciona como uma homenagem nostálgica aos terrores adolescentes dos anos 2000, oferecendo uma experiência de entretenimento para quem busca o básico bem-feito. Sob a direção de Corin Hardy, a obra opta por uma estética de tons frios e uma atmosfera de suspense constante, evitando o excesso de jump scares fáceis que costumam saturar o gênero. O enredo, centrado em um apito asteca que manifesta as futuras mortes de quem o ouve, é conduzido com seriedade e beneficia-se imensamente das atuações de Dafne Keen e Sophie Nélisse, que trazem uma carga emocional e uma química genuína que elevam o material para além de um simples filme de monstros. No entanto, é justamente nessa estrutura familiar que residem os principais problemas. O filme acaba se tornando vítima de sua própria reverência ao passado, resultando em um roteiro previsível que desperdiça o talento de veteranos como Nick Frost em papéis subutilizados. Embora as sequências de morte sejam criativas e visualmente impactantes, o uso de efeitos digitais (CGI) em momentos cruciais às vezes quebra a imersão, parecendo artificial em comparação ao tom sombrio da narrativa. O filme é uma obra competente e divertida para uma noite de pipoca, mas que pode frustrar aqueles que esperavam uma reinvenção do gênero ou uma profundidade maior na mitologia do artefato amaldiçoado. Ainda assim, vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 18 anos.

A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Stray Kids: The Dominate Experience. Esse é uma obra documental de uma das maiores sensações e sucessos do K-pop, o grupo Stray Kids. O filme transcende o formato convencional de filme-concerto ao equilibrar o espetáculo grandioso dos palcos do SoFi Stadium com a sensibilidade de um documentário intimista. Sob a direção experiente de Paul Dugdale, mestre em capturar a escala monumental de estádios, e a visão documental de Farah X, o filme utiliza uma montagem dinâmica para traduzir a energia “noise” e agressiva do grupo para a linguagem cinematográfica, sem perder os momentos de vulnerabilidade. A narrativa vai além da setlist, estruturando-se através de entrevistas e bastidores que narram a evolução do grupo e sua conexão simbiótica com o fandom STAY, conferindo profundidade narrativa a uma experiência que poderia ser puramente visual. As “atuações” aqui são, na verdade, a entrega física e carismática dos oito integrantes, com destaque para a liderança de Bang Chan e o magnetismo cênico de Hyunjin e Felix, que dominam a tela com precisão e expressividade. No geral, o filme é um marco do K-pop no cinema em 2026, e pode ser uma boa dica para quem gosta ou quer conhecer, pela sua escala emocional e épica. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 6 anos.

A dica para assistir em casa desta semana vai para Rivalidade Ardente. O grande motivo para assistir esta série, disponível na plataforma da HBO MAX, é a desconstrução da rivalidade como um fardo emocional, explorando como a pressão extrema e a solidão do topo forjam um vínculo indestrutível entre dois opostos. A série brilha ao substituir clichês esportivos por um roteiro afiado que prioriza a estratégia psicológica e o amadurecimento ao longo dos anos. Com atuações viscerais, a obra analisa a dualidade entre a máscara pública e a verdade privada, sendo um prato cheio para quem valoriza diálogos inteligentes e tramas de personagens profundamente estratificadas. É um drama maduro que prova que o maior conflito de um gênio é, invariavelmente, contra si mesmo.

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