A primeira estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é O Drama. O cineasta Kristoffer Borgli retorna aos seus temas prediletos, explorando a fragilidade da autoimagem e o mal-estar inerente às interações sociais contemporâneas. Sob uma lente satírica e, por vezes, surrealista, o filme utiliza o magnetismo de Zendaya e Robert Pattinson para subverter a estrutura das comédias românticas, transformando um encontro fortuito em um thriller psicológico de alta tensão. A direção de Borgli é precisa ao capturar o “micro-trauma” do constrangimento, utilizando enquadramentos que isolam os protagonistas em sua própria neurose, enquanto a fotografia de tons quentes contrasta ironicamente com a frieza das revelações que movem o roteiro. No elenco temos Zendaya que entrega uma das atuações mais enigmáticas de sua carreira, utilizando uma economia de gestos e um olhar clínico para construir uma Emma que nunca se deixa decifrar totalmente, desafiando a empatia imediata do público. Em contrapartida, Robert Pattinson personifica a vulnerabilidade masculina sob pressão, transitando do charme inicial a um estado de desintegração nervosa que beira o patético, provando mais uma vez sua versatilidade em papéis de alta densidade psicológica. Contudo, a produção não avança sem tropeços. Se na primeira metade o filme fascina pela coragem de sua premissa provocativa, na segunda metade a narrativa parece patinar em um ciclo de repetições que pode testar a paciência do espectador. O roteiro, ao abraçar o absurdo, por vezes atropela o desenvolvimento emocional dos personagens secundários, tratando-os apenas como ferramentas para aumentar a paranoia do casal principal. Essa transição para uma escala de farsa absoluta pode soar brusca para quem buscava um drama mais ancorado na realidade. O Drama não busca o consenso, mas sim o debate. É uma obra tecnicamente impecável, que incomoda tanto quanto encanta, recomendada para quem aprecia um cinema de ideias que prioriza o veneno psicológico e a dúvida em vez de resoluções catárticas e confortáveis. Vale o ingresso e a classificação indicativa é para maiores de 16 anos.
A outra estreia desta semana é Cinco Tipos de Medo. O diretor Bruno Bini mergulha em um Cuiabá urbano e pulsante, utilizando o gênero policial para tecer uma narrativa de destinos cruzados que foge do óbvio. O filme se estrutura como um mosaico de tensões, em que a direção de fotografia de Helcio Alemão Nagamine abandona os cartões-postais para focar em uma estética de sombras e contrastes, reforçando a sensação de uma cidade que respira perigo e melancolia. O roteiro é ambicioso ao conectar cinco vidas distintas por meio de um incidente comum, explorando o medo não como um elemento de terror, mas como um catalisador de decisões extremas e redenções tardias. A montagem rítmica consegue equilibrar as múltiplas subtramas, garantindo que o espectador não se perca na teia de causalidades, embora a densidade da trama exija uma atenção redobrada aos detalhes técnicos e diálogos. O elenco é, sem dúvida, o grande motor da produção, trazendo uma mistura interessante de talentos nacionais que conferem autenticidade ao drama. Bella Campos entrega uma performance vibrante e resiliente como a enfermeira Marlene, servindo como o coração emocional da história, enquanto Xamã surpreende em sua estreia no cinema, trazendo uma presença física e a crueza necessária ao papel do jovem envolvido com o crime. O veterano Rui Ricardo Diaz impõe uma autoridade cansada que dá peso às cenas de investigação, contrapondo-se à energia nervosa de João Vitor Silva e à sobriedade de Bárbara Colen. Juntos, eles elevam o material para além do “thriller de favela”, transformando a obra em um estudo de personagem sobre as cicatrizes da violência urbana. Apesar da competência técnica, o filme enfrenta alguns desafios em seu terço final. A necessidade de amarrar todas as pontas soltas de forma satisfatória faz com que certas resoluções pareçam apressadas, sacrificando parte da introspecção estabelecida no início em favor de um clímax mais convencional. Além disso, a alternância constante de pontos de vista pode, para alguns, diluir o impacto individual de certas trajetórias. No entanto, Cinco Tipos afirma-se como um exemplar de peso da produção brasileira atual, demonstrando que o cinema de gênero ganha força quando une identidade local a uma execução impecável. É a escolha ideal para quem busca uma obra visceral, que compreende o medo como o fio condutor das relações humanas. A classificação indicativa é para maiores de 16 anos.
A dica da semana para assistir em casa vai para O Criador. Disponível no Disney+, o filme é um espetáculo visual que discute a relação entre humanidade e inteligência artificial com uma sensibilidade rara. O grande triunfo da obra, dirigida por Gareth Edwards, é a fotografia deslumbrante que utiliza locações reais para criar um futuro palpável e realista. Com uma atuação emocionante de John David Washington e da jovem Madeleine Yuna Voyles, a trama prende pela tensão ética e pela escala épica de sua jornada. Se você aprecia produções com estética apurada, design de som imersivo e roteiros que provocam reflexão sobre tecnologia e humanidade, este filme é a escolha ideal para o seu final de semana.








