Filmes da semana de 12/02 a 18/02

12/02/2026 11:57:01
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Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo ´´O Morro dos Ventos Uivantes“. Essa é uma obra que prioriza o choque estético sobre a substância literária, consolidando Emerald Fennell como uma cineasta que não busca adaptar, mas sim “vandalizar” clássicos com um estilo pop e provocativo. Diferente da crueza naturalista da versão de Andrea Arnold (2011) ou do romantismo de 1992, Fennell entrega uma produção maximalista, trocando a melancolia das charnecas por uma fotografia saturada e uma trilha sonora anacrônica que remete a um videoclipe de luxo. No roteiro, a diretora toma a decisão controversa de podar a árvore genealógica da história, eliminando a segunda geração de personagens para focar inteiramente na obsessão destrutiva entre Catherine e Heathcliff, transformando o épico geracional de Emily Brontë em um thriller erótico de câmara. No elenco Margot Robbie entrega uma Catherine feroz e calculista, enquanto Jacob Elordi interpreta um Heathcliff que é mais um “galã melancólico” do que o bruto vingativo e marginalizado descrito no livro. A química entre os dois é inegável, mas o foco excessivo na tensão sexual acaba simplificando a complexidade moral da obra original. Fennell é ousado em tornar o clássico palatável para a Geração Z através de um visual deslumbrante, mas o filme é uma “sessão de fotos da Vogue” vazia de alma, que sacrifica a profundidade espiritual da obra em favor de um exibicionismo estilizado e superficial. Ainda assim, vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

Outra estreia desta semana em Nova Friburgo é Caminhos do Crime. O filme é, sem dúvidas, um dos melhores suspenses de 2026, consolidando o diretor como um mestre em transitar entre o realismo documental e a ficção de alto orçamento. Diferente de grandes blockbusters de assalto que apostam no caos, Layton utiliza a precisão rítmica que demonstrou em Animais Americanos para adaptar o conto de Don Winslow, focando em uma execução técnica quase cirúrgica. A obra brilha ao transformar a Pacific Coast Highway em um personagem vivo, servindo de cenário para um jogo de xadrez psicológico entre o ladrão metódico Mike Davis (Chris Hemsworth) e o detetive obsessivo Lou Lubesnick (Mark Ruffalo). É um tipo de “clássico moderno”, que lembra filmes com o de Michael Mann (Fogo Contra Fogo) pela forma como humaniza ambos os lados da lei. O roteiro, coescrito por Peter Straughan, evita o erro comum de subestimar a inteligência do público, apresentando um crime que depende de lógica e paciência, não apenas de tiroteios. Mark Ruffalo entrega uma performance contida e brilhante como o detetive que quebra as próprias regras para vencer, enquanto Halle Berry traz uma camada necessária de ambiguidade como a corretora de seguros Sharon. O filme é celebrado por ser um exercício de estilo e tensão que prova que o gênero de assalto ainda pode ser inteligente, maduro e profundamente envolvente. Vale muito o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Um Cabra Bom de Bola. Essa é a grande aposta da Sony Pictures Animation em 2026. Dirigido por Tyree Dillihay, o filme utiliza um jogo de palavras com a sigla G.O.A.T. (Greatest of All Time) para contar a história de Zeca Brito (Will Harris, no original), um bode pequeno com o sonho impossível de brilhar no berroball, um esporte de elite dominado por animais ferozes. O grande trunfo da produção é sua estética visual, que mistura modelagem 3D com texturas de aquarela e uma taxa de quadros variável, criando uma fluidez que parece uma pintura em movimento. Embora o roteiro siga a estrutura clássica do azarão que precisa provar seu valor, a produção se eleva pela consultoria e produção de Stephen Curry, que traz um realismo fascinante às dinâmicas de quadra e à mentalidade competitiva. A animação se equilibra entre o humor físico para crianças e a mensagem inspiradora sobre autenticidade. É uma obra tecnicamente vibrante que consolida a Sony como o estúdio que, atualmente, mais ousa no design de animações comerciais. É uma experiência visualmente arrebatadora que deve figurar entre as favoritas para as premiações, encantando tanto os aficionados por esporte quanto os amantes da arte da animação. É a prova que uma premissa simples pode se tornar extraordinária quando executada com criatividade e paixão. Vale muito o ingresso e a indicação etária é para maiores de 10 anos.

A dica para assistir em casa desta semana vai para The Beauty: Lindos de Morrer. A série brilha ao usar a “doença da perfeição” como metáfora para a pressão estética das redes sociais, forçando o público a questionar o preço da aceitação. Com uma narrativa ágil e visual impecável, ela foge do óbvio ao focar na conspiração política e nos dilemas morais de quem prefere morrer belo a viver comum. É a escolha ideal para quem busca uma crítica social ácida com o ritmo tenso de um bom drama policial. Disponível na Disney +.

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