Filmes da semana de 15/01 a 21/01

15/01/2026 12:24:44
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Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Extermínio: O Templo Dos Ossos. Esse filme consolida a nova fase da franquia ao trocar o foco do horror visceral de sobrevivência por um estudo psicológico denso sobre o isolamento e a desumanidade. Sob a direção de Nia DaCosta, o longa se afasta do ritmo frenético de seu predecessor imediato, A Evolução, para abraçar uma atmosfera contemplativa e perturbadora, característica do roteiro de Alex Garland. A trama foca no Dr. Kelson, interpretado por um Ralph Fiennes cujos experimentos e relações ambíguas com infectados servem como o núcleo emocional e ético da obra. A direção de DaCosta é um dos pontos altos da produção. Ela consegue equilibrar a estética “suja” e urgente estabelecida por Danny Boyle no filme original com uma elegância visual mais moderna e estática, explorando as paisagens desoladas da Grã-Bretanha como um santuário de melancolia. No entanto, o roteiro de Garland é o elemento mais divisivo. Apesar da profundidade temática ao discutir a fé e a criação de novas ordens sociais pós-apocalípticas (como a seita liderada pelo repulsivo Jimmy Crystal de Jack O’Connell), a narrativa se sente excessivamente como um capítulo de transição, com arcos secundários, como o do jovem Spike, que perdem fôlego no meio da projeção. No elenco, Ralph Fiennes carrega o filme com uma performance contida que explode em um ato final em um dos momentos mais impactantes da década no gênero horror. Jack O’Connell também se destaca ao compor um vilão caricato, porém aterrorizante, inspirado em figuras reais de abuso de poder, trazendo uma camada de sátira social ácida. Embora seja tecnicamente impecável e corajoso ao “esquecer” os zumbis para focar na loucura humana, o filme pode frustrar quem espera ação ininterrupta, firmando-se como uma obra mais voltada ao horror psicológico e à reflexão do que ao puro entretenimento de gênero. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 18 anos.

A outra estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é O Diário De Pilar Na Amazônia. O filme marca a transição da popular franquia literária de Flávia Lins e Silva para o formato live-action, trazendo uma proposta que une o encantamento infantil à urgência da preservação ambiental. Sob a direção conjunta de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put, o longa utiliza a famosa rede mágica da protagonista para transportar o público a um Pará vibrante, fugindo do visual artificial de estúdio ao priorizar filmagens em locações reais, como Alter do Chão e Belém. Essa escolha estética confere ao filme uma textura orgânica que fortalece sua mensagem pedagógica sem abrir mão da fantasia. O roteiro, coescrito pela própria Flávia Lins e Silva e João Costa Van Hombeeck, estrutura-se como uma jornada de descoberta e resistência. Ao encontrar Maiara, uma ribeirinha cuja comunidade foi devastada, Pilar e seus amigos deixam de ser apenas turistas mágicos para se tornarem aliados em uma causa real. O roteiro é hábil ao integrar figuras do folclore nacional, como o Curupira e a Iara, não apenas como “enfeites”, mas como peças fundamentais da narrativa que simbolizam a força da natureza. Embora a trama siga uma estrutura linear e segura, típica de filmes feitos para a família, a inserção de temas como o desmatamento e o impacto nas comunidades locais dá ao filme uma camada de seriedade necessária. No elenco, a jovem Lina Flor entrega uma Pilar que transborda carisma e curiosidade, capturando perfeitamente a essência da personagem dos livros. O elenco mirim, que inclui Miguel Soares e Sophia Ataíde, demonstra uma química natural que sustenta o ritmo da aventura. No entanto, é no elenco adulto que o filme encontra seu alívio cômico e suas ameaças. Marcelo Adnet e Babu Santana compõem um grupo de vilões que flerta com a caricatura, funcionando bem para o público infantil, enquanto Nanda Costa traz um contraponto de acolhimento e maturidade como a mãe de Pilar. Vale destacar a fotografia de Adrian Teijido que traz a experiência de produções premiadas para elevar o visual da floresta e na capacidade do filme de educar sem soar como uma palestra. Por outro lado, algumas sequências de efeitos visuais para os seres mágicos poderiam ser mais refinadas, mas isso não atrapalha. Esse filme deve ser celebrado por ter uma “brasilidade afirmativa”, ao conseguir o feito raro de adaptar um sucesso literário para as telonas mantendo o respeito à obra original e aos desafios contemporâneos da Amazônia. Vale o ingresso e a indicação etária é livre para todas as idades.

A dica para assistir em casa desta semana vai para Uma Batalha Após A Outra. Disponível na HBO Max o filme é um épico vibrante que utiliza a música como fio condutor para explorar a maturidade e a ambição. Com uma reconstituição de época impecável e a química eletrizante entre Timothée Chalamet e Leonardo DiCaprio, o longa equilibra nostalgia e cinismo de forma única. O roteiro brilha ao fugir dos clichês das cinebiografias tradicionais, focando na essência emocional dos personagens. Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia ou Musical, a obra se destaca pela trilha sonora orgânica e pela fotografia calorosa de Paul Thomas Anderson. É uma celebração do cinema autoral que cativa tanto pela estética quanto pela profundidade humana.

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