A única estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Avatar: Fogo e Cinzas. Esse é aquele tipo de filme que reafirma por que James Cameron ainda é o “dono” do cinema espetáculo, mas que também começa a mostrar o peso de uma fórmula que se repete. Visualmente, o filme mostra uma evolução enorme. Se no anterior o foco era a fluidez da água, aqui a tecnologia foi levada ao limite para renderizar o fogo e as cinzas de forma tátil. Você quase sente o calor e a opressão das cinzas vulcânicas caindo sobre os personagens. Cameron continua se recusando a usar IA generativa, apostando tudo em uma captura de movimento feita por humanos que agora atinge um nível de detalhe nos olhos e expressões que beira o perturbador de tão real. A introdução do Povo das Cinzas (Mangkwan) traz um design visual agressivo e visceral, trocando os azuis e verdes vibrantes por tons de vermelho, preto e cinza, o que dá ao filme uma identidade mais sombria que os anteriores. O enredo mergulha nas consequências diretas da guerra contra a RDA, focando no amadurecimento doloroso da família Sully. A trama apresenta o Povo das Cinzas, um clã Na’vi nômade e agressivo liderado pela impiedosa Varang, que desafia a ideia de unidade entre os nativos de Pandora. Enquanto Jake tenta manter o que resta de seu povo unido, Neytiri enfrenta uma jornada sombria de vingança e luto que ameaça sua própria essência. O conflito central deixa de ser apenas “nativos contra invasores” para se tornar uma guerra interna ideológica, onde o fogo simboliza tanto a destruição quanto a necessidade de purificação. Na direção, Cameron opta por um ritmo mais frenético, quase como uma montanha-russa, o que ajuda a disfarçar um roteiro que ainda patina em conveniências narrativas e diálogos expositivos. As atuações continuam sendo o trunfo emocional, especialmente a de Zoe Saldaña, que entrega uma Neytiri consumida pelo ódio e pelo luto, enquanto o vilão de Stephen Lang ganha camadas de complexidade que finalmente o tornam algo além de um “soldado malvado”. Embora o visual seja impecável e inovador, há uma sensação clara de “déjà vu” no enredo, com muitas batidas da história parecendo recicladas de O Caminho da Água. No fim, é um filme que vale o ingresso pela imersão técnica sem paralelos, mas que deixa no ar a dúvida se a franquia conseguirá evoluir na história tanto quanto evolui nos pixels. A indicação etária é para maiores de 14 anos.
Sugestão: A dica para assistir em casa desta semana vai para a aguardada temporada final de Pluribus. A série, disponível na Apple TV, destaca-se por sua abordagem ambiciosa sobre a fragmentação da identidade em um mundo hiperconectado, utilizando uma estética visual envolvente para ilustrar o caos psicológico dos personagens. Contudo, o roteiro por vezes sacrifica a clareza em favor de metáforas abstratas, o que pode alienar o espectador que busca uma narrativa mais coesa. A obra acerta ao criticar a desumanização tecnológica, mas peca pela irregularidade no ritmo dos episódios centrais. É aquela série que te deixa pensando depois que o episódio acaba apesar de exagerar nas metáforas e do ritmo arrastado no meio da temporada. É para quem curte produções que fogem do óbvio e focam mais na “vibe” e na reflexão do que em uma história linear mastigadinha.







