Filmes da semana de 19/02 a 25/02

19/02/2026 11:46:59
Compartilhar

Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo O Frio da Morte. O filme é um suspense de sobrevivência que troca o terror sobrenatural por um realismo brutal e tenso. A trama foca em Barb, vivida pela magistral Emma Thompson, uma viúva que se perde em uma nevasca no Minnesota e acaba encontrando uma jovem (Laurel Marsden) mantida em cativeiro por um casal perigoso (Judy Greer e Marc Menchaca). O filme é um verdadeiro “tour de force” para Thompson, que entrega uma atuação física e resiliente, interpretando uma heroína improvável que precisa usar sua inteligência para sobreviver em um ambiente inóspito. A direção de Brian Kirk consegue transformar a neve e o isolamento em personagens ativos, criando uma atmosfera claustrofóbica mesmo em espaços abertos. Embora o roteiro siga algumas fórmulas clássicas de thrillers de invasão e sequestro, a força do elenco, especialmente o embate psicológico entre Thompson e a vilã interpretada por Judy Greer, eleva a produção acima da média. É um filme sobre luto e instinto, onde o frio extremo serve como metáfora para o isolamento emocional da protagonista, culminando em um clímax seco e impactante que foge dos exageros comuns do gênero. Apesar do roteiro burocrático, de problemas de ritmo e os tradicionais clichês, é um suspense seco e eficiente que utiliza o clima hostil para simbolizar o luto, consolidando-se como um dos thrillers mais competentes desta temporada. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Outra estreia desta semana em Nova Friburgo é Para Sempre Medo. Esse é o novo projeto de Osgood Perkins, diretor que se tornou o queridinho do terror atual após o sucesso de Longlegs. O filme foca em Liz e Malcolm, um casal que viaja para uma cabana isolada mas, quando ele precisa partir às pressas, Liz fica sozinha e passa a ser atormentada por uma presença que parece conhecer todos os seus segredos. A atuação de Maslany é o grande pilar da obra. Ela sustenta boa parte da projeção sozinha. Sua transição do isolamento produtivo para o colapso mental é executada com uma nuance impressionante, reafirmando sua versatilidade dramática. Rossif Sutherland oferece o contraponto ideal com uma performance ambígua, alimentando a paranoia do espectador sobre o que é real ou fruto da mente de Liz. A direção de Perkins utiliza planos longos e enquadramentos que sugerem que algo está sempre à espreita nos cantos da tela, criando uma tensão sufocante reforçada pela trilha sonora percussiva de Edo Van Breemen. Embora o ritmo “slow burn” (desenvolvimento lento) possa testar a paciência de quem busca ação frenética, o filme se caracteriza por sua exploração corajosa de temas como controle e solidão, entregando um desfecho brutal que compensa a construção meticulosa do suspense. O filme é um exercício de tensão pura, onde a atuação visceral de Tatiana Maslany eleva um roteiro de isolamento a um estudo perturbador sobre trauma e paranoia. A direção de Perkins evita sustos óbvios, preferindo uma atmosfera sufocante que recompensa o espectador paciente. É, sem dúvida, um dos títulos de terror psicológico mais refinados e tecnicamente impecáveis do ano. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

Mais uma estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é A Viagem de Chihiro. Dirigido por Hayao Miyazaki, esse anime é possivelmente a obra-prima do Studio Ghibli. O enredo acompanha Chihiro, uma menina mimada que se vê presa em um mundo de deuses e espíritos após seus pais serem transformados em porcos. Para salvá-los, ela precisa trabalhar em uma casa de banhos termais sob o comando da bruxa Yubaba, iniciando uma jornada de amadurecimento onde perde seu nome, mas encontra sua coragem. A direção de Miyazaki é um triunfo de imaginação visual e simbolismo. O filme utiliza o folclore japonês para tecer uma crítica social profunda. A casa de banhos funciona como uma metáfora para o capitalismo desenfreado e a ganância, onde até os deuses precisam ser “limpos” da poluição humana. Um dos pontos mais analisados é a perda da identidade, simbolizando como a sociedade moderna e o trabalho mecanizado podem apagar a essência do indivíduo. Visualmente, a animação é rica em detalhes orgânicos e cores vibrantes, enquanto a trilha sonora de Joe Hisaishi evoca uma melancolia que equilibra o tom fantástico da obra. Personagens como o Sem Rosto são estudados até hoje como representações da carência emocional e do vazio do consumo. A Viagem de Chihiro venceu o Oscar de Melhor Animação, provando que sua narrativa sobre a transição da infância para a responsabilidade é universal, tocando tanto crianças quanto adultos pela sua camada psicológica complexa. Vale muito o ingresso e a indicação etária é livre para todas as idades.

A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é As Memórias de Marnie. Esse anime é uma obra-prima de sensibilidade que se afasta da fantasia épica para mergulhar em um drama psicológico profundo. O enredo acompanha Anna, uma jovem isolada e com baixa autoestima que, ao ser enviada ao interior por motivos de saúde, desenvolve uma conexão misteriosa com Marnie, uma garota que vive em uma mansão abandonada. A narrativa flerta com o sobrenatural, mas sua força reside na exploração do luto, do abandono e da busca por identidade, culminando em uma revelação emocional que ressignifica todo o passado familiar da protagonista. A direção de Yonebayashi é impecável ao utilizar como cenário um pântano calmo e melancólico, como um reflexo do estado interno de Anna, onde a maré alta e baixa delimita a fronteira entre a realidade e o sonho. Visualmente, o filme mantém o padrão Ghibli de excelência, com cenários em aquarela que evocam nostalgia e uma trilha sonora delicada que pontua a solidão da infância. É uma obra corajosa ao abordar a depressão juvenil de forma tão crua, embora alguns espectadores casuais possam achar o ritmo inicial excessivamente lento. É um estudo sobre o perdão e a cura geracional, consolidando-se como um dos encerramentos mais maduros e tocantes da era clássica do estúdio. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

A dica para assistir em casa desta semana vai para O Agente Noturno. Disponível na Netflix, essa série resgata a fórmula clássica de espionagem ao estilo 24 Horas. A trama acompanha Peter Sutherland, um agente do FBI que, ao atender um telefone de emergência na Casa Branca, mergulha em uma rede de traições no alto escalão do governo. O grande triunfo da série é o ritmo frenético e os ganchos viciantes, focando na química entre Peter e a especialista em tecnologia Rose Larkin. Embora utilize clichês conhecidos do gênero, como o herói injustiçado, a produção entrega uma ação direta e muito competente. Com a estreia da terceira temporada a história ganha escala internacional e consolida seu lugar como um dos maiores sucessos de audiência da Netflix. É a escolha ideal para quem busca um entretenimento tenso, dinâmico e perfeito para maratonar.

Compartilhar