Estreia esta semana nos cinemas de Nova Friburgo, Cara-de-Barro, novo filme dirigido por James Watkins que aposta no terror para apresentar uma perspectiva mais sombria de um dos vilões ligados ao universo do Batman. Em vez de seguir a fórmula tradicional das produções de super-heróis, o longa investe no horror corporal para acompanhar a queda de um homem cuja obsessão pela própria imagem acaba destruindo tudo o que ainda lhe resta. A história acompanha Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator em ascensão que vê sua carreira desmoronar depois de sofrer uma agressão que desfigura seu rosto. Desesperado para recuperar a aparência e retomar a vida que tinha antes, ele recorre a um tratamento experimental que promete resultados extraordinários, mas provoca consequências devastadoras. O procedimento desencadeia uma transformação física e psicológica que o conduz por um caminho de violência, obsessão e vingança. Um dos principais méritos da produção está na maneira como utiliza as deformações do corpo para traduzir a deterioração emocional do protagonista. James Watkins demonstra habilidade ao construir imagens perturbadoras, explorando maquiagens, efeitos práticos e momentos de violência gráfica que provocam desconforto sem depender exclusivamente dos recursos digitais. A proposta também abre espaço para discutir a relação entre aparência, identidade e reconhecimento, especialmente em uma indústria que transforma a imagem em instrumento de poder e sobrevivência. Tom Rhys Harries sustenta boa parte dessa trajetória, alternando o carisma do ator que conhece o próprio valor com o desespero de alguém que perde progressivamente o controle sobre si mesmo. O problema é que nem todas essas ideias recebem o desenvolvimento necessário. Embora o roteiro apresente elementos interessantes, algumas situações parecem apressadas, enquanto diálogos excessivamente explicativos enfraquecem a sutileza que a narrativa poderia alcançar. Personagens secundários e conflitos paralelos nem sempre encontram espaço para ganhar profundidade, fazendo com que determinadas passagens assumam um tom melodramático que contrasta com a atmosfera brutal do restante do filme. Em alguns momentos, a intensidade das imagens acaba sendo maior do que a força dramática das situações que deveriam justificá-las. Ainda assim, Cara-de-Barro representa uma tentativa interessante de ampliar as possibilidades do cinema de super-heróis, aproximando o universo da DC de um terror mais físico, grotesco e intimista. A produção não explora todo o potencial psicológico de sua premissa, mas encontra personalidade ao tratar a transformação de Matt Hagen como uma tragédia humana, e não apenas como a origem de mais um vilão. Com classificação indicativa de 18 anos, o filme é uma opção para quem aprecia histórias sombrias e imagens perturbadoras, embora possa frustrar quem espera um estudo mais aprofundado de seus personagens e temas.
Outra estreia desta semana nos cinemas de Nova Friburgo é, Willow e a Floresta Encantada, aventura fantástica dirigida por Mike Marzuk, que aposta na magia, na amizade e na descoberta de novos mundos para conquistar principalmente o público infantil. Baseado no livro de Sabine Bohlmann, o filme acompanha uma garota que recebe uma herança bastante diferente do habitual: uma floresta misteriosa, uma pequena casa e poderes mágicos que ela ainda precisa aprender a compreender. A vida de Willow muda completamente quando ela se muda com o pai para a propriedade deixada por sua tia-avó Alwina. Ao descobrir que a floresta está ameaçada pelo desmatamento, a menina percebe que sua herança também traz uma grande responsabilidade. Com a ajuda de uma raposa chamada Rufus, ela parte em busca de outras três garotas que compartilham dons especiais. Juntas, elas precisarão aprender a lidar com suas habilidades e encontrar uma maneira de proteger aquele lugar encantado. O filme encontra seu principal atrativo na combinação de fantasia e aventura com temas próximos da infância e da adolescência. A descoberta dos próprios talentos, a importância da amizade e o aprendizado de trabalhar em equipe dão sentido à jornada das personagens, enquanto a defesa da natureza acrescenta uma mensagem positiva sem exigir que a história abandone seu espírito de conto de fadas. A presença de jovens protagonistas também ajuda a aproximar a narrativa de seu público, especialmente de quem gosta de histórias com bruxas, animais companheiros e segredos escondidos em meio à floresta. Por outro lado, a aventura trabalha com elementos bastante conhecidos do gênero, e a divisão entre o bem e o mal, assim como a missão de reunir personagens com poderes especiais, não chega a surpreender muito. Algumas situações podem parecer previsíveis para espectadores mais velhos, mas essa simplicidade faz parte da proposta de uma produção voltada à família, que privilegia o encantamento e a identificação com as personagens em vez de tramas complexas ou grandes reviravoltas. Com cenários que valorizam o ambiente natural e uma atmosfera de fantasia, Mike Marzuk conduz a história de maneira acessível, procurando equilibrar momentos de perigo, humor e descoberta. É uma boa opção para um passeio em família, especialmente para crianças que estão começando a explorar as aventuras fantásticas no cinema. Com classificação indicativa de 6 anos, o longa combina magia e uma mensagem de cuidado com o meio ambiente em uma jornada que lembra que, às vezes, os maiores poderes aparecem quando aprendemos a confiar nos outros e a proteger aquilo que realmente importa.
Uma casa isolada, relações familiares complicadas e a sensação de que alguma coisa terrível está prestes a acontecer dão o tom de A Caixa do Demônio, que também estreia esta semana. Terror dirigido por Daniel Stamm que procura transformar o luto e os traumas do passado em combustível para o medo. A proposta começa de maneira mais contida, apostando no desconforto entre os personagens, antes de avançar para situações cada vez mais perturbadoras. A trama acompanha Ellen (Carla Gugino), que, após uma perda familiar, recebe em sua casa o primo Winthrop (Lou Taylor Pucci), um veterano do Exército marcado por experiências difíceis. O que deveria representar uma oportunidade de recomeço logo se transforma em uma convivência inquietante. Comportamentos estranhos e episódios violentos começam a levantar dúvidas sobre o que realmente está acontecendo, colocando Ellen diante de uma ameaça cuja origem parece escapar à compreensão. O ponto mais interessante está na maneira como o filme explora a fragilidade das relações humanas. A dificuldade de distinguir sofrimento psicológico de uma influência sobrenatural cria um terreno fértil para a tensão, enquanto Carla Gugino e Lou Taylor Pucci ajudam a sustentar a dúvida sobre as verdadeiras intenções dos personagens. Quando a narrativa trabalha com silêncios, olhares e situações aparentemente banais, o resultado é mais eficaz do que nos momentos em que procura assustar o espectador de forma direta. Essa diferença de abordagem também revela as limitações da produção. A história recorre a elementos conhecidos do terror sobrenatural e, conforme se aproxima do desfecho, troca parte do mistério inicial por explicações e cenas de impacto que nem sempre acrescentam profundidade ao conflito. O roteiro poderia desenvolver melhor as questões emocionais apresentadas no início, mas acaba privilegiando caminhos mais familiares aos fãs de filmes sobre forças malignas. Ainda assim, Daniel Stamm demonstra compreender a importância da atmosfera na construção do horror. A sensação de isolamento, a tensão dentro de casa e a violência de algumas sequências ajudam a criar uma experiência desconfortável, especialmente para quem prefere produções mais sombrias. O filme oscila entre o suspense psicológico e o terror explícito, sem encontrar sempre o equilíbrio ideal, mas mantém elementos suficientes para despertar o interesse de quem acompanha o gênero. A Caixa do Demônio funciona melhor quando deixa o espectador desconfiar de tudo e de todos. Embora não consiga desenvolver plenamente as ideias sugeridas por sua premissa, oferece momentos de tensão e atuações que dão alguma consistência à história. É uma escolha para os fãs de terror mais pesado, mas quem procura uma abordagem realmente original sobre trauma e sobrenatural pode sentir falta de maior ousadia no roteiro. A indicação etária é para maiores de 18 anos.
Em Zona Zero, último filme que estreia essa semana nos cinemas em Nova Friburgo, o perigo não fica parado esperando que alguém o enfrente. Ele aprende, muda de estratégia e torna cada tentativa de sobrevivência mais arriscada. É nessa ideia que Yeon Sang-ho, diretor de Invasão Zumbi, encontra um caminho para renovar o suspense de infecção, colocando um grupo de pessoas diante de uma ameaça que parece estar sempre um passo à frente. Tudo começa durante uma conferência de biotecnologia em Seul, quando a liberação de um agente biológico transforma um edifício em uma armadilha. Isolados pelas autoridades, os sobreviventes precisam encontrar uma saída enquanto os infectados sofrem mutações imprevisíveis e desenvolvem uma espécie de inteligência coletiva. Entre eles está Se-jeong (Jun Ji-hyun), professora de biotecnologia que terá de usar seus conhecimentos científicos para compreender o fenômeno e tentar impedir que a situação se torne irreversível. O diferencial está menos na origem do surto do que no comportamento das criaturas. Em vez de simplesmente avançarem em direção às vítimas, elas se adaptam aos obstáculos, obrigando os sobreviventes a rever constantemente seus planos. Corredores, elevadores e espaços comerciais se transformam em cenários de perseguições, e o confinamento mantém a sensação de que não existe lugar realmente seguro. Sang-ho demonstra criatividade na concepção visual dos infectados e na construção das sequências de ação, evitando que a ameaça se torne repetitiva. Mas há uma diferença importante entre criar monstros interessantes e construir personagens pelos quais o público realmente torça. Nesse aspecto, Zona Zero não alcança a mesmaA força de Invasão Zumbi. As relações humanas recebem menos atenção, alguns conflitos parecem esquemáticos e o roteiro nem sempre consegue transformar suas ideias sobre ciência, ética e sobrevivência em um drama convincente. A ação funciona melhor do que a dimensão emocional, e certas possibilidades narrativas acabam ficando pelo caminho. Com 122 minutos de duração e classificação indicativa de 16 anos, o longa sul-coreano é mais interessante quando abandona as explicações convencionais e deixa o comportamento dos infectados conduzir o suspense. Não reinventa o cinema de zumbis, mas encontra maneiras eficazes de tornar a ameaça imprevisível. Para quem acompanha o trabalho de Yeon Sang-ho, fica a curiosidade de ver o diretor explorando novamente um gênero que conhece bem, ainda que, desta vez, o espetáculo de sobrevivência fale mais alto do que as histórias humanas por trás dele.
A dica da semana vai para O Convite, filme dirigido por Olivia Wilde que transforma um jantar entre vizinhos em uma situação repleta de constrangimentos, revelações e momentos inesperados. Disponível no Prime Video, o longa começa com um encontro aparentemente descontraído, mas logo traz à tona segredos e questões mal resolvidas entre os personagens. Com Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope Cruz e Edward Norton no elenco, a produção mistura humor e drama para explorar as tensões escondidas por trás das relações cotidianas. Aos poucos, as conversas deixam de ser triviais e revelam diferenças entre os convidados, transformando uma reunião social em uma noite imprevisível. Com diálogos afiados e situações que alternam o cômico e o desconfortável, o filme brinca com as aparências e questiona até que ponto realmente conhecemos as pessoas ao nosso redor. Uma boa opção para quem gosta de histórias sobre relacionamentos, humor ácido e encontros em que nem tudo sai como planejado.








