Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Anaconda. Dirigido por Tom Gormican essa é uma experiência curiosa que subverte as expectativas ao trocar o terror puro por uma comédia metalinguística. Em vez de um simples remake, o longa se posiciona como uma sátira à própria indústria de Hollywood e à obsessão por resgatar franquias antigas. A qualidade da produção de Anaconda reflete uma escolha deliberada pelo “caos controlado”. Diferente do filme de 1997, que apostava em animatrônicos e um clima de suspense, a versão de 2025 utiliza um CGI que, embora moderno, por vezes flerta com o exagerado para reforçar o tom de comédia. Tom Gormican brilha justamente nessa autoconsciência. Ele não tenta convencer o público de que a cobra é uma ameaça realista, mas sim um elemento de um filme dentro do filme. O enredo acompanha Doug (Jack Black) e Griff (Paul Rudd), dois amigos em crise de meia-idade que decidem viajar para a Amazônia para realizar o sonho de juventude: fazer um remake independente do seu filme de terror favorito, Anaconda. O roteiro é ágil e repleto de referências ao longa original (incluindo piadas sobre o personagem de Jon Voight), mas ganha corpo quando a equipe, que inclui um cinegrafista instável (Steve Zahn) e uma ex-namorada divorciada (Thandiwe Newton), descobre que as cobras gigantes e garimpeiros ilegais da região são perigosamente reais. O filme é carregado pelo carisma de sua dupla central. Jack Black entrega sua energia caótica habitual como um diretor frustrado que faz vídeos de casamento, enquanto Paul Rudd serve como o contraponto perfeito, usando seu timing cômico seco para ancorar o absurdo das situações. No entanto, o grande destaque para o público brasileiro é Selton Mello no papel de Santiago. Ele rouba a cena como um guia/domador de cobras excêntrico, trazendo uma naturalidade e um “molho” brasileiro que salvam o roteiro de cair em estereótipos estrangeiros comuns. Sua química com Jack Black é um dos pontos altos da obra. É uma sequência ousada. Ela reconhece que a marca Anaconda se tornou sinônimo de filmes B e abraça essa identidade com orgulho. Embora possa decepcionar os puristas que buscavam um terror de sobrevivência genuíno, o longa consegue revitalizar o nome para uma nova geração, provando que, às vezes, rir do próprio legado é a melhor forma de mantê-lo vivo. É uma obra irregular e “bagunçada”, mas que transborda personalidade e diversão. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.
Outra estreia desta semana é Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada. Embora não tente reinventar a roda, essa animação consegue resgatar o espírito clássico da Fenda do Biquíni com um vigor renovado. Diferente da transição pré-escolar de Tainá, o quarto longa-metragem do Bob Esponja foca em uma audiência multigeracional, apostando na nostalgia dos fãs antigos e no humor caótico para os novos. O filme opta por uma abordagem híbrida sofisticada. A produção utiliza o 3D com um tratamento estilizado que mimetiza a expressividade elástica do 2D original (o chamado squash and stretch), mas com uma riqueza de detalhes e texturas que só o cinema permite. Os cenários do “Mundo Inferior” e as sequências que misturam animação com live-action (como a participação de Mark Hamill como o Holandês Voador) mostram um amadurecimento técnico, oferecendo um espetáculo visual mais denso do que o da série de televisão, sem perder a identidade de “desenho animado”. A direção de Derek Drymon, um veterano da era de ouro da franquia, é o ponto de virada aqui. Ele consegue resgatar o ritmo frenético e as piadas visuais absurdas que muitos fãs sentiam falta nas produções mais recentes. O enredo e o roteiro, embora sigam uma premissa simples, a busca de Bob Esponja por validação como um “cara grandão” e corajoso, funcionam como uma estrutura sólida para gags visuais e humor de duplo sentido. O roteiro brilha ao explorar a amizade entre Bob e Patrick sob uma ótica de amadurecimento, mantendo a inocência característica, mas temperando-a com o surrealismo que definiu os primeiros anos do show. A animação atua como uma “correção de curso” positiva. Após alguns spin-offs que dividiram opiniões, Em Busca da Calça Quadrada reconecta o personagem com suas raízes cinematográficas de 2004. Ele prova que, mesmo após 25 anos, a fórmula do otimismo inabalável de Bob Esponja ainda possui fôlego para sustentar uma narrativa de 90 minutos, desde que respeite a inteligência do espectador e o legado de Stephen Hillenburg. É um filme que abraça o ridículo e o bizarro, reafirmando que a Fenda do Biquíni ainda é um dos lugares mais criativos da animação moderna. Vale o ingresso e a indicação etária é livre para todas as idades.
A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul. Esta animação representa um momento de consolidação para uma das marcas mais importantes do audiovisual brasileiro. O longa-metragem utiliza a técnica de 2D digital com rigging, mantendo a identidade visual da série de TV, mas elevando o polimento técnico para a tela grande. O uso de cores vibrantes e saturadas não é apenas uma escolha estética para atrair o público infantil, mas também uma ferramenta narrativa que exalta a biodiversidade da floresta. Embora a movimentação dos personagens siga uma lógica mais simplificada e econômica, típica de produções seriadas, os cenários compensam com texturas que simulam elementos naturais, conferindo profundidade ao universo da protagonista. A narrativa adota uma estrutura clássica de busca e jornada, onde a Flecha Azul funciona como o motor que impulsiona os personagens através de diferentes biomas e desafios. O roteiro é eficiente ao equilibrar a ação com mensagens de conscientização ambiental, evitando um tom excessivamente didático ao priorizar a ação e a resolução de problemas em grupo. A direção mantém um ritmo ágil, essencial para prender a atenção das crianças, e consegue modular o tom da aventura para que, mesmo nos momentos de maior tensão, o filme preserve uma atmosfera de segurança e encantamento. A animação simboliza a transição bem-sucedida de Tainá de um ícone do cinema live-action dos anos 2000 para uma heroína animada de alcance global. Enquanto os filmes originais focavam em uma aventura infanto-juvenil com tons de realismo, a animação abraça o lúdico e o fantástico, permitindo que a marca se comunique com uma nova geração. O filme não apenas reforça o papel de Tainá como protetora da natureza, mas também solidifica o carisma dos coadjuvantes transformando o conceito de “herói solitário” em um trabalho em equipe. A obra cumpre com excelência o seu papel comercial e educativo, garantindo a longevidade da personagem no imaginário infantil brasileiro e internacional. Vale o ingresso e a indicação etária é livre para todas as idades.
A dica desta semana para assistir em casa vai para A Batalha de Natal. Disponível na Prime Video, este filme traz uma mistura muito divertida de comédia familiar com elementos de fantasia mágica. A trama gira em torno de um pai (Murphy) que faz um acordo com uma elfa travessa para vencer o concurso anual de decoração de Natal do seu bairro. O problema é que ela traz à vida os “12 Dias de Natal”, o que transforma a cidade em um caos completo e hilário. É uma obra que não se leva tão a sério, mas que entrega exatamente o que esta data pede: diversão leve, o carisma inconfundível de Eddie Murphy e uma mensagem reconfortante sobre o valor da união familiar.









