Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Socorro! Este filme marca o retorno de Sam Raimi ao horror de sobrevivência, demonstrando que o diretor não perdeu sua mão para criar tensões viscerais e humor ácido. Na direção, Raimi resgata o dinamismo de suas obras clássicas, utilizando movimentos de câmera agressivos e ângulos holandeses que transformam o cenário de uma ilha deserta em um ambiente claustrofóbico e psicologicamente instável. O roteiro, assinado por Damian Shannon e Mark Swift, é uma sátira afiada sobre dinâmicas de poder corporativo: ao colocar uma funcionária e seu chefe abusivo em uma luta pela vida após um acidente aéreo, a trama subverte as expectativas do gênero para focar em uma vingança psicológica eletrizante. As atuações são o ponto alto da obra, com Rachel McAdams entregando uma performance multifacetada como Linda Liddle, transitando da fragilidade de uma funcionária subestimada à autoridade implacável de uma sobrevivente astuta, enquanto Dylan O’Brien brilha como Bradley Preston, um antagonista detestável e patético cuja dependência física inverte a hierarquia de poder. A produção conta com o apoio de Dennis Haysbert e Chris Pang no elenco, optando sabiamente por efeitos práticos e pelo “gore” tátil característico de Raimi, tudo isso elevado pela trilha sonora inquietante de Danny Elfman. Raimi conseguiu equilibrar o entretenimento puro com uma crítica social inteligente sobre machismo e ambiente corporativo, consolidando o filme como uma das melhores e mais “cerebrais” estreias de janeiro de 2026. Vale muito o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.
Outra estreia desta semana em Nova Friburgo é Song Sung Blue: Um Sonho a Dois. Essa é uma cinebiografia musical que se destaca pela sua profunda humanidade e recusa em seguir os clichês grandiloquentes do gênero. Sob a direção sensível de Craig Brewer, o longa narra a trajetória real de Mike e Claire Sardina, um casal de músicos que encontra uma segunda chance na vida ao formar uma banda tributo a Neil Diamond. Brewer utiliza uma estética sóbria e intimista, focando a câmera não no brilho artificial dos grandes palcos, mas na dignidade do cotidiano e nas pequenas vitórias da classe trabalhadora, transformando o cenário de bares locais em espaços de genuína conexão emocional. O roteiro, também assinado pelo diretor, brilha ao tratar a música como uma ferramenta de resiliência e cura para personagens marcados por traumas, depressão e dificuldades financeiras, evitando o melodrama barato em favor de uma narrativa psicologicamente densa e honesta sobre a persistência dos sonhos na vida adulta. As atuações são, sem dúvida, o pilar central que sustenta a obra e a eleva ao patamar de um drama inteligente. Kate Hudson entrega possivelmente a melhor performance de sua carreira, interpretando Claire com uma vulnerabilidade visceral que captura perfeitamente o equilíbrio entre a dor física e a esperança renovada. Sua atuação é tão impactante que já gera forte burburinho para a temporada de premiações. Hugh Jackman, por sua vez, afasta-se de sua imagem de astro de ação para compor um Mike contido e carismático, trazendo uma dignidade silenciosa ao papel de um homem que encontra sua identidade ao homenagear seu ídolo. O elenco de apoio, que conta com nomes como Michael Imperioli e Jim Belushi, acrescenta camadas de humor melancólico e realismo à produção, enquanto a trilha sonora e a mixagem de som trabalham para tornar a experiência sensorial imersiva e autêntica. É um filme corajoso e a produção se consolida como uma crônica emocionante sobre a beleza das vidas comuns, sendo uma boa escolha para quem busca um cinema que dialogue diretamente com a alma e o intelecto. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.
A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é O Primata. Dirigido por Johannes Roberts o filme utiliza o terror de sobrevivência para explorar a fragilidade das relações domésticas diante da natureza selvagem. Roberts, já conhecido por sua habilidade em criar atmosferas sufocantes em ambientes isolados (como em Medo Profundo), entrega aqui uma direção visceral que resgata o espírito dos filmes de monstros dos anos 80, utilizando movimentos de câmera que emulam a perseguição de um predador e um uso cirúrgico de sintetizadores na trilha sonora. O roteiro, embora simples e direto em sua estrutura de “invasão domiciliar”, ganha camadas inteligentes ao transformar um animal criado como “filho” em uma ameaça mortal após um surto de raiva, invertendo a sensação de segurança do lar e transformando uma luxuosa casa de vidro no Havaí em uma armadilha transparente. No elenco, o filme se beneficia do peso dramático de Troy Kotsur (vencedor do Oscar por No Ritmo do Coração), que traz uma profundidade melancólica ao pai de família, enquanto Johnny Sequoyah segura a tensão como a protagonista Lucy, entregando uma evolução crível da vulnerabilidade ao instinto de sobrevivência. A produção é amplamente elogiada pelo uso de efeitos práticos e pela performance física de Miguel Torres Umba como o chimpanzé Ben, o que confere ao antagonista uma presença tátil e assustadora que o CGI dificilmente alcançaria. Embora o filme não tente reinventar o gênero, ele triunfa ao ser “viciosamente impiedoso” e tecnicamente impecável, equilibrando momentos de horror gráfico com uma tensão psicológica constante. É uma obra inteligente em sua execução técnica e na forma como utiliza o medo do “familiar que se torna estranho”, consolidando-se como uma das experiências mais intensas e divertidas deste início de ano. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 18 anos.
A dica para assistir em casa desta semana vai para A Substância. Disponível no MUBI o filme é uma sátira social que usa o horror corporal para desmascarar a obsessão cruel pela juventude eterna. Com atuações viscerais, ele desafia o espectador a refletir sobre até onde a autopercepção pode ser distorcida pela pressão externa. A direção é tecnicamente impecável, utilizando cores e sons para criar uma experiência sensorial desconfortável, porém fascinante. É o tipo de roteiro inteligente que não entrega respostas prontas, mas instiga debates profundos sobre identidade e o valor do corpo. Se você busca algo que provoque choque e reflexão intelectual simultaneamente, esta é uma boa opção.









