Glauber Braga: “Processo de cassação é uma tentativa de me silenciar”

02/04/2025 17:18:05
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RELATOR NA COMISSÃO DE ÉTICA DA CÂMARA APRESENTA PARECER RECOMENDANDO QUE DEPUTADO DE FRIBURGO PERCA O MANDATO –


O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) disse nesta quarta-feira, 2/4, que o processo de cassação contra ele na Câmara é uma tentativa de silenciá-lo por suas “denúncias” contra o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) e por seus posicionamentos.


O relator do caso na Comissão de Ética, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), apresentou hoje seu parecer, em que recomendou que o parlamentar do Psol perca seu mandato.


“O processo, como um todo, pode ser contestado na Justiça. Inclusive o processo no que diz respeito ao rito, ao trâmite. Não existe precedente que eu conheça na Câmara de um processo que tenha durado um ano de um deputado que não utilizou instrumentos protelatórios. Isso foi uma tentativa, durante esse período, de me enquadrar, ou seja, de tentar fazer com que eu me dobrasse à posição deles e parasse de falar, de denunciar. Como isso não aconteceu, veio o pedido de cassação. Foi uma tentativa de me silenciar”, disse Glauber Braga.


As conclusões do Paulo Magalhães ainda precisarão ser votadas pelos membros do Conselho de Ética, que podem aceitar ou rejeitar o parecer. A pedido do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), a votação foi adiada e deverá ocorrer na próxima semana.


Glauber Braga só perderá o mandato se a decisão do Conselho de Ética for confirmada pelo plenário da Câmara dos Deputados com, no mínimo, 257 votos dos 513 deputados.


PROCESSO NO CONSELHO DE ÉTICA
O deputado responde na Comissão de Ética por ter expulsado da Câmara o militante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro em abril de 2024. Durante uma discussão, ambos trocaram ofensas e subiram o tom. Em determinado momento, Glauber deixou seus pertences em um balcão e, apesar de colegas terem tentado detê-lo, empurrou Costenaro até a saída e lhe desferiu chutes. Os dois foram conduzidos ao Departamento de Polícia Legislativa.


Em sua defesa na Comissão de Ética, Glauber disse que o militante do MBL tinha histórico de perseguição contra ele e outros colegas e havia ofendido sua mãe, que morreu dias depois. “A defesa da honra da minha mãe era para mim uma obrigação de vida. (…) Eu não sei como é que minha cabeça ficaria se eu não tivesse, naquele momento, feito a defesa da honra dela e me acovardado. Minha mãe, que veio a falecer no mês seguinte”, destacou.

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