Idosa de 81 anos, de Friburgo, realiza sonho de cursar universidade pelo Cederj

25/03/2026 09:39:27
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ELA CURSA O 5º PERÍODO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA DA UERJ: “ALUNA DEDICADA E COM SEDE DE CONHECIMENTO” –


fonte: assessoria do Cederj


Marlene Vicente é uma inspiração para os moradores mais jovens da cidade de Nova Friburgo. Aos 81 anos, ela cursa o 5º período de Licenciatura em Pedagogia da UERJ e é a universitária mais idosa da unidade do Cederj localizada no município da região serrana do estado do Rio de Janeiro.


Ela nasceu e foi criada em Nova Friburgo, tem duas filhas, sete netos e dois bisnetos. É membro de uma família negra pobre, cuja realidade contrastava, em termos de oportunidades socioeducacionais, com a de outros moradores da cidade que foi a primeira colônia de imigrantes suíços do Brasil.


Marlene recorda que, quando era pequena, a principal orientação que recebia dos pais era em relação ao trabalho, sinônimo de garantia da sobrevivência. Estudar, para alguém com a sua origem, era uma possibilidade muito distante da realidade. Por isso, foi forçada a abandonar os estudos, pela primeira vez, quando concluiu as séries do ensino fundamental.


“Eu fui criada com muito sacrifício, a minha mãe me criou com muita dificuldade. Aí os anos se passaram e eu comecei a estudar na escola primária, depois fui para o antigo ginásio. Depois, o tempo foi passando, e a gente sempre lutando com muita dificuldade. Então, eu parei de estudar”, explicou.


Ela lembrou que, na sua época, crianças e jovens não tinham as mesmas oportunidades como as que existem hoje. “No meu tempo, eu não tinha acesso ao material escolar como as crianças têm hoje em dia. Se eu precisasse de um caderno, uma borracha, minha mãe e meu pai não tinham condições de comprar pra mim. Às vezes, eu chegava na escola e tinha que pegar uma folha emprestada, com um colega, para poder escrever. Até lápis eu usava emprestado”, recordou.


Durante a infância e adolescência, Marlene sempre escutou que estudar era coisa para quem pertencia ao círculo de pessoas abastadas. “Diziam que a universidade era para rico, para quem tinha dinheiro. Eu me lembro disso. Não tinha a oportunidade que há hoje, para uma pessoa da minha cor (Dona Marlene se autodeclara como negra), entrar para a universidade. Naquele tempo não tinha cota para negros, era muita dificuldade”, afirmou.


Depois de um longo ciclo sem ir à escola, Dona Marlene voltou à sala de aula exatamente quando chegou aos 60 anos. “Fui fazer o ensino médio e terminei aos 65 anos. Depois disso, comecei a me interessar em fazer a graduação”, contou.


A volta por cima aconteceu quando ela conheceu o curso preparatório Pré-Vestibular Cecierj, que à época se chamava Pré-Vestibular Social. Aí as coisas começaram a mudar. “Foram dois anos estudando, durante os quais eu fiquei sabendo do Cederj, por meio dos professores que me incentivaram a estudar e a continuar tentando ingressar no curso superior”, disse a estudante.


Em 2024, aos 79 anos, ela foi aprovada no Vestibular Cederj, no curso EaD de Licenciatura em Pedagogia da UERJ. “Quando os professores falavam eu ficava toda animada, já gostava do Cederj. Deus me ajudou e passei”, afirmou. “Eu me senti muito feliz, porque quando eu era mais nova não tinha tido essa chance. A oportunidade que o Cederj oferece para alguém cursar uma faculdade é muito boa, porque encaminha a pessoa para algo muito importante, para uma situação melhor”, declarou.


Durante todo o percurso que fez até ser aprovada no Vestibular Cederj, Marlene conta que teve muitos gargalos a superar, desde a sua condição sociorracial até o fator geracional devido à idade. Mas se sente confortada, porque alcançou o objetivo de se tornar universitária.


“Dona Marlene é uma aluna muito dedicada, que desde o momento que entrou aqui na faculdade tinha muita sede de conhecimento. Ela superou o desafio tecnológico, porque não utilizava computador, tablet e muito pouco o celular. Teve que aprender a usar tudo isso, a plataforma do Cederj, enviar e receber e-mails, tudo com muita dificuldade. Com muita dedicação, ela tem tido um resultado muito positivo”, disse a tutora Viviane Tavares, que a acompanha.


Indagada em relação ao seu ingresso em um curso do Cederj, Marlene diz: “Para mim significou muito, porque uma pessoa como eu, que veio de uma família carente, com a idade e as dificuldades todas por que passei, chegar até aqui é uma grande vitória”.


Marlene disse que pensa em continuar estudando após concluir a graduação. No momento, planeja fazer um curso de inglês. “Eu gosto muito de línguas e até sei um pouquinho de inglês. Comecei a estudar, mas não pude continuar porque o curso era pago. Mas também pretendo continuar estudando e fazer outro curso mais à frente, uma pós-graduação. Eu peço a Deus todo dia para me dar força, mais vida e saúde para eu poder chegar até lá”.

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