Friburgo: Réu acusado pela morte da ex-companheira e da amiga será julgado nesta terça

07/02/2022 09:22:00
Compartilhar

ELE COLOCOU FOGO NA CASA QUE RESULTOU NA MORTE DAS DUAS VÍTIMAS QUEIMADAS –


Pouco mais de dois anos depois do crime, a Justiça marcou para esta terça-feira, dia 8 de fevereiro, às 10h30, o julgamento do engenheiro de produção Rodrigo Alves Marotti, de 33 anos. Ele é réu pelas mortes da ex-namorada, a artista plástica Alessandra Vaz, então com 47 anos, e da amiga dela, Daniela Mousinho, que tinha a mesma idade.

ATUALIZAÇÃO: O réu chegou ao Fórum de Nova Friburgo, na Avenida Euterpe Friburguense, sob forte aparato policial. Familiares e amigos das vítimas fizeram protesto pacífico no local. Rodrigo Marotti será julgado por sete jurados.


Em outubro de 2019, as duas mulheres foram trancadas por Rodrigo no banheiro da casa em que Alessandra vivia, em Nova Friburgo, e não resistiram aos ferimentos causados por um incêndio iniciado pelo engenheiro.


As famílias das duas vítimas se uniram em uma campanha nas redes sociais que alerta sobre a violência de gênero e pede pena máxima para o assassino.


A iniciativa partiu da cantora Andresa Vaz, de 45 anos, irmã de Alessandra. Um vídeo gravado e editado por ela, divulgado nas redes sociais, relembra detalhes do caso e traz imagens da artista plástica e de Daniela, em meio ao clamor por justiça.


“Nós, das famílias de Alessandra e Dani, pedimos a todos que nos ajudem a tornar esse crime público, com repercussão nacional, para que sirva de exemplo de punição e para que crimes contra as mulheres acabem”, diz a gravação, que pede “pena máxima” para Rodrigo e continua: “Queremos justiça por elas e por todas as mulheres que sofrem diariamente com violência doméstica”.


Alessandra e Rodrigo namoraram por cerca de três anos até que, meses antes do crime, acabaram rompendo o relacionamento. Contudo, eles mantiveram a sociedade em uma marca de roupas que pertencia a Alessandra, que somava quatro lojas e uma fábrica. Daniela, amiga de longa data de Alessandra, também passou a trabalhar na empresa, e tinha uma convivência próxima com o engenheiro.


O ex-casal, porém, passou a se desentender sobre a gestão dos negócios. Alessandra sugeriu, então, comprar a parte de Rodrigo, que pediu um valor muito maior do que o oferecido para abrir mão da participação. Foi em meio a essas tratativas que ele passou a fazer ameaças contra a ex-companheira, inclusive sobre incendiar propriedades que pertenciam a ela.


No dia 8 de outubro de 2019, Rodrigo foi até a casa da ex-namorada, no distrito de Mury, e invadiu o imóvel, trancando Alessandra e Daniela, que também estava no local, dentro de um banheiro. Em seguida, ele ateou fogo na construção. O assassino chegou a colocar um colchão em chamas diante da porta do cômodo para assegurar que as duas não pudessem escapar. Ele fugiu com o incêndio ainda em curso, no carro de uma das vítimas, mas acabou se envolvendo em um acidente.


Vizinhos conseguiram retirar as mulheres ainda vivas da casa. Lúcidas apesar dos ferimentos, ambas apontaram Rodrigo como autor do crime. Com mais de 80% do corpo queimado, Daniela morreu no dia seguinte, no hospital. Dois dias depois, com lesões igualmente graves, Alessandra também não resistiu.


O julgamento será conduzido pela juíza Simone Dalila Nacif Lopes, titular da 1ª Vara Criminal do município. Rodrigo vai ser submetido ao Tribunal de Júri, quando sete cidadãos comuns decidirão o seu destino.

Compartilhar