A única estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Minions & Monstros. Este novo capítulo da Illumination é um nítido exemplo de como Hollywood, em tempos de incerteza nas bilheterias, prefere se abrigar no porto seguro das franquias consagradas a arriscar em novas ideias. A animação funciona quase como um manifesto dessa indústria do “mais do mesmo”. Uma engrenagem comercial perfeitamente azeitada que entrega exatamente o que o público cativo espera, sem a menor pretensão de desafiar a fórmula que a tornou bilionária. Desta vez, a narrativa adota uma premissa simpática, transportando as icônicas criaturas amarelas para a Hollywood de 1927, em plena transição para o cinema falado, onde tentam rodar seu próprio filme de terror. Esse pano de fundo histórico confere um charme estético inegável à produção. Visualmente, a recriação da era de ouro do cinema mudo é riquíssima, repleta de referências visuais e piadas físicas que homenageiam os primórdios da sétima arte. A trilha sonora de John Powell também se destaca, abandonando os caminhos óbvios e costurando a comédia com arranjos que emulam as grandes orquestras da época, funcionando como o verdadeiro motor do ritmo da projeção. Contudo, por trás do verniz nostálgico e da engenhosidade técnica, o roteiro assinado por Brian Lynch e Pierre Coffin tropeça na exaustão criativa de sua própria estrutura. O filme sofre com uma nítida crise de identidade em seu segundo ato, dividindo-se entre o desejo de fazer uma sátira inteligente sobre os bastidores do cinema e a obrigação corporativa de entregar o humor caótico e infantil que vende brinquedos. Há um claro abuso de gags repetitivas e subtramas que parecem inseridas apenas para esticar a duração da animação. Ao tentar equilibrar o apelo para os adultos cinéfilos e as futilidades barulhentas para as crianças, a obra muitas vezes subestima a capacidade do espectador de se engajar em uma história com um pouco mais de substância. Resumindo, a animação se coloca em uma zona de conforto inabalável. É o cinema de conveniência que diverte, arranca risadas genuínas com o carisma inquestionável dos Minions, mas não deixa qualquer resíduo na memória após os créditos rolarem. Para os pais e fãs que buscam uma diversão escapista e visualmente impecável, cumpre o papel de forma honesta. Vale o ingresso e a classificação indicativa é para maiores de 10 anos.
A dica desta semana para assistir em casa vai para Chris & Martina: O Último Set. Disponível na Netflix, esse documentário adota a estrutura dramática de uma ficção ao explorar o choque entre a precisão fria de Chris Evert e a agressividade física de Martina Navratilova. A obra vai muito além do esporte, dissecando o isolamento psicológico de estar no topo do mundo e revelando como a maior rivalidade do tênis se transformou em uma cumplicidade profunda nos vestiários. O grande trunfo do roteiro está no terço final, que traça um paralelo maduro e sem melodrama entre as antigas batalhas nas quadras e o diagnóstico simultâneo de câncer que ambas enfrentaram recentemente. Com ritmo ágil e excelente uso de imagens de arquivo, vale assistir por entregar uma história universal sobre envelhecimento, respeito e uma amizade inabalável que resistiu à glória.







