Filmes da semana de 04/06 a 10/05

04/06/2026 14:13:51
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A grande estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Mestres do Universo. O diretor Travis Knight, que já demonstrou sua habilidade em equilibrar coração e espetáculo visual em Kubo e as Cordas Mágicas e Bumblebee, assume a responsabilidade de revitalizar uma das franquias mais nostálgicas dos anos 1980. O resultado é um filme que brilha ao abraçar a fantasia épica e o peso emocional de seus protagonistas, mas tropeça quando tenta se enquadrar nas fórmulas engessadas dos blockbusters de super-heróis contemporâneos. Ao contrário da ficção científica genérica, Knight constrói o visual de Eternia unindo a grandiosidade de cenários práticos a uma paleta de cores vibrante, resgatando a essência do pulp de espada e feitiçaria. O roteiro mergulha direto na jornada de recém-descoberta de Adam, acompanhando seu círculo de aliados em meio a uma iminente guerra civil cósmica. Não há tempo para sutilezas geopolíticas; o verdadeiro motor aqui é a construção do mito e a aceitação do destino. O primeiro ato é exemplar ao estabelecer o choque cultural e a vulnerabilidade do protagonista antes de sua transformação. O grande trunfo da produção está no preciosismo estético. Knight mantém o dinamismo de câmera e o rigor coreográfico que consagraram suas animações em stop-motion, trazendo fluidez para as batalhas físicas. A direção de arte e os figurinos jogam com o anacronismo clássico da obra original, fazendo com que a mistura de alta tecnologia e barbárie pareça orgânica, e não caricata. O trabalho de som e a trilha sonora merecem destaque, resgatando temas clássicos remodelados com uma imponência orquestral que gera um senso de urgência constante. O elenco entrega performances que flutuam entre o físico e o dramático. O protagonista se sai bem ao pontuar o contraste entre a insegurança do jovem príncipe e a imponência do herói transformado, apostando em uma linguagem corporal que transmite o peso da espada. Nas atuações de apoio, os aliados entregam uma dinâmica funcional e carismática, estabelecendo uma boa química de grupo. No entanto, o grande destaque dramático acaba vindo do núcleo antagonista. A interpretação do vilão principal consegue dosar a ameaça teatral clássica com motivações surpreendentemente humanas, impedindo que o personagem caia no maniqueísmo. A engrenagem começa a falhar, no entanto, quando o filme cede às pressões comerciais. A atmosfera de fábula mítica, que funciona tão bem na primeira metade, acaba diluída no terço final por um roteiro que se sente obrigado a explicar excessivamente a mitologia do poder e a burocracia do Conselho de Eternia. É justamente nessa pressa de amarrar pontas para o grande público que o desenvolvimento dos personagens abre espaço para perseguições genéricas e um excesso de efeitos digitais (CGI), que empastela o realismo cru das lutas físicas estabelecido até ali. O clímax se rende a convenções de mercado e a ganchos óbvios para sequências, empobrecendo o desfecho. Ainda assim, o filme se consolida como uma experiência sensorial interessante e uma homenagem digna ao gênero. Knight prova que tem um domínio estético incomum e sabe como extrair humanidade de blockbusters baseados em brinquedos. Apesar das concessões feitas para o formato de cinema comercial, é uma obra visualmente impactante e divertida. Vale o ingresso, e a classificação indicativa é para maiores de 14 anos.

A outra estreia desta semana nos cinemas é Todo Mundo em Pânico 6. A onda recente de filmes de terror conceituais, conhecidos pela fotografia melancólica e por discussões profundas sobre o luto, acaba de ganhar uma resposta à sua altura. O filme usa justamente essa estética pretensiosa para desarmar o público, transformando o silêncio desconfortável do cinema moderno em piada puramente absurda e escrachada. O roteiro não perde tempo com introduções e joga o espectador direto na ação, acompanhando um grupo de sobreviventes perseguido por uma nova entidade. O grande trunfo aqui não está no desenvolvimento dos personagens, mas sim no ritmo e na desconstrução dos clichês atuais. O primeiro ato funciona bem ao emular com precisão a atmosfera tensa dos filmes satirizados, apenas para quebrá-la logo em seguida com o ridículo. O elenco defende esse texto irregular com um timing cômico afiado, operando no limite entre a seriedade dramática e o deboche. Os protagonistas se destacam pelo uso da linguagem corporal, sustentando o pavor nas expressões faciais enquanto o roteiro os coloca em situações patéticas. Os rostos conhecidos que retornam à franquia trazem a nostalgia necessária para os fãs antigos. Contudo, o roteiro força piadas datadas sobre redes sociais, e os atores parecem lutar contra a falta de naturalidade do texto, evidenciando o desafio de atualizar o humor anárquico dos anos 2000 para os dias de hoje. Visualmente, o diretor Michael Tiddes entrega um preciosismo estético incomum para o gênero. Conhecido por seu trabalho em paródias físicas, Tiddes mantém o rigor técnico na reconstrução dos cenários e na fotografia melancólica das obras originais, fazendo com que os efeitos práticos brinquem constantemente com a expectativa do público. A força do filme diminui, no entanto, no terço final. A atmosfera politicamente incorreta perde o fôlego quando o roteiro cede às pressões comerciais e tenta ser didático, sentindo a obrigação de explicar a moral de cada piada ou a burocracia por trás das referências pop. É nessa pressa de se justificar e de se manter seguro que o humor ácido abre espaço para perseguições genéricas, culminando em um clímax cheio de ganchos óbvios para sequências, que empobrecem o desfecho. Ainda assim, a produção se consolida como um retorno divertido para quem sentia falta do gênero, ao extrair graça do vazio conceitual do terror contemporâneo. Vale o ingresso, e a classificação indicativa é para maiores de 18 anos.

A dica desta semana para assistir em casa vai para a quinta temporada de O Urso. Recém-chegada ao catálogo do Disney+ e sob a direção de Christopher Storer, a série subverte as regras dos dramas de bastidores ao investir em uma linguagem visual sufocante, na qual a montagem frenética e o design de som ditam o ritmo do esgotamento dos personagens. O roteiro foge do óbvio ao transferir as dinâmicas de poder e as neuroses do ambiente corporativo para a alta gastronomia, criando um embate psicológico complexo entre a equipe. Na liderança do elenco, Jeremy Allen White entrega uma atuação visceral, que transita entre a vulnerabilidade emocional e a postura estratégica na cozinha. A trama funciona como uma radiografia da obsessão, mostrando como a busca implacável pelo sucesso consome a saúde mental e desgasta os laços. Contando ainda com uma interpretação firme de Ayo Edebiri, a temporada é uma escolha certeira para quem procura um drama inteligente.

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