Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Marsupilami: Confusão a Bordo. Aventura inspirada no clássico personagem criado por André Franquin. Misturando comédia, ação e um toque de fantasia, o longa aposta em uma narrativa leve e despretensiosa, construída para entreter toda a família sem abrir mão de uma mensagem sobre amizade, união e a importância dos laços familiares. A história acompanha David, funcionário de um zoológico que aceita uma missão aparentemente simples para salvar seu emprego: transportar um misterioso pacote vindo da América do Sul. O problema começa quando, durante uma viagem de cruzeiro ao lado da ex-esposa, do filho e de um colega, o pacote é aberto por engano, libertando um adorável bebê Marsupilami. A partir daí, a embarcação se transforma em palco para uma sucessão de perseguições, confusões e situações imprevisíveis. O grande acerto do filme está justamente em não tentar ser mais do que pretende. O roteiro assume desde o início seu espírito descontraído e constrói uma aventura marcada pelo humor físico, pelas situações absurdas e por um ritmo constante, que dificilmente deixa espaço para o tédio. As cenas de ação são leves, divertidas e aproveitam bem o carisma do pequeno Marsupilami, que rapidamente se torna o centro das atenções sempre que aparece em cena. O longa entrega uma produção colorida e vibrante. O contraste entre os ambientes luxuosos do cruzeiro e a energia caótica provocada pela criatura rende boas sequências cômicas, enquanto os efeitos visuais conseguem dar vida ao Marsupilami de maneira convincente, preservando suas características mais marcantes sem causar estranhamento. A trilha sonora acompanha o tom bem-humorado da narrativa e contribui para manter o clima de aventura durante toda a projeção. No elenco, Philippe Lacheau conduz a história com simpatia no papel de David, equilibrando o lado atrapalhado do personagem com momentos de genuína preocupação com a família. Julien Arruti funciona como um eficiente alívio cômico na pele de Stéphane, responsável por boa parte das confusões, enquanto Élodie Fontan, Corentin Guillot e Jean Reno completam o elenco dando suporte à narrativa e contribuindo para o bom ritmo da aventura. Se existe um ponto menos inspirado, ele está na previsibilidade da história. Algumas situações seguem caminhos bastante conhecidos das comédias familiares, e determinados conflitos são resolvidos com rapidez, sem maior desenvolvimento. Ainda assim, o longa entende perfeitamente seu público e prefere investir na diversão contínua em vez de buscar grandes reviravoltas. O fime entrega exatamente aquilo que promete: uma aventura leve e divertida, capaz de arrancar boas risadas de crianças e adultos. Sem pretensões de reinventar o gênero, encontra no carisma de seu protagonista e na dinâmica entre os personagens motivos suficientes para proporcionar uma sessão agradável para toda a família. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 12 anos.
A outra estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Águas Mortais. Novo suspense de Renny Harlin, conhecido por dirigir produções como Duro de Matar 2 e Do Fundo do Mar, o cineasta retorna ao gênero que ajudou a consolidar sua carreira, apostando em uma narrativa de sobrevivência que combina ação, tensão e um ambiente onde cada segundo pode ser decisivo. Embora siga uma fórmula bastante conhecida, o filme consegue construir momentos de suspense eficientes ao explorar o isolamento e o perigo constante em alto-mar. A história acompanha um grupo de passageiros que vê uma viagem comum se transformar em um pesadelo após um acidente aéreo. Forçados a lutar pela sobrevivência em meio ao oceano, eles logo descobrem que escapar da aeronave é apenas o primeiro desafio. Cercados por águas profundas e ameaças cada vez mais próximas, os sobreviventes precisam tomar decisões rápidas enquanto o tempo e o ambiente trabalham contra eles. Renny Harlin conduz a narrativa com ritmo consistente, evitando alongar excessivamente as sequências de preparação para concentrar seus esforços na tensão da sobrevivência. O diretor sabe explorar espaços confinados e utiliza o próprio mar como um elemento dramático, transformando a imensidão do oceano em uma prisão da qual parece não haver saída. A sensação de vulnerabilidade acompanha os personagens durante praticamente toda a projeção e mantém o espectador envolvido na tentativa de descobrir quem conseguirá escapar. Águas Mortais faz bom uso dos cenários marítimos. A fotografia valoriza o contraste entre a beleza das águas cristalinas e o perigo escondido sob a superfície, enquanto os efeitos visuais entregam sequências convincentes na maior parte do tempo. O desenho de som também merece destaque ao reforçar a atmosfera de tensão, utilizando o silêncio, os ruídos do oceano e a trilha sonora para ampliar a sensação de ameaça iminente. O elenco contribui para dar credibilidade à proposta. Aaron Eckhart conduz a história com segurança, transmitindo determinação e liderança nos momentos de maior pressão. Ben Kingsley, mesmo aparecendo de forma mais contida, imprime sua conhecida presença em cena e ajuda a dar peso dramático à narrativa. Angus Sampson funciona bem como apoio ao protagonista, enquanto Molly Belle Wright, Elijah Tamati e Rosie Simei Zhao completam o grupo de sobreviventes, oferecendo interpretações competentes dentro da proposta do filme. O roteiro, entretanto, não escapa de algumas convenções bastante conhecidas do gênero. Certas decisões tomadas pelos personagens parecem existir mais para manter a tensão do que por uma lógica convincente, e algumas situações podem soar previsíveis para quem já acompanha filmes de sobrevivência envolvendo tubarões. Em determinados momentos, a narrativa privilegia o espetáculo em detrimento de um desenvolvimento mais aprofundado dos personagens, fazendo com que parte do impacto emocional fique em segundo plano. Sem a pretensão de reinventar o gênero, o longa aposta em uma narrativa ágil, boas sequências de suspense e uma direção segura para proporcionar entretenimento. Renny Harlin demonstra experiência na condução das cenas de ação e mantém a tensão durante boa parte da projeção, oferecendo uma sessão envolvente para quem aprecia histórias de sobrevivência em ambientes extremos. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.
A dica para assistir em casa desta semana vai para Entre Montanhas. O suspense estrelado por Miles Teller e Anya Taylor-Joy começa de forma bastante promissora ao apresentar dois agentes encarregados de vigiar lados opostos de um misterioso desfiladeiro, criando uma atmosfera de tensão e curiosidade que prende a atenção desde os primeiros minutos. A química entre os protagonistas também funciona muito bem e sustenta o interesse durante boa parte da tempo. No entanto, quando o filme revela seus principais mistérios, o roteiro perde força e passa a apostar em soluções previsíveis e explicações pouco inspiradas, diminuindo o impacto da história. Ainda assim, o bom trabalho do elenco, as belas paisagens e as sequências de ação fazem de Entre Montanhas uma opção interessante para quem busca um suspense com ficção científica. Disponível no catálogo da Apple TV+.








