Estreia esta semana nos cinemas de Nova Friburgo para quem procura uma dose de terror e muita tensão Resident Evil, nova adaptação da famosa franquia de videogames dirigida por Zach Cregger, responsável por Noites Brutais e A Hora do Mal. Desta vez, a história não acompanha personagens conhecidos dos jogos, mas apresenta uma trama inédita dentro desse universo. O protagonista é Bryan, interpretado por Austin Abrams, um entregador de suprimentos médicos que aceita realizar mais uma entrega sem imaginar que aquela noite está prestes a se transformar em um verdadeiro pesadelo. O que deveria ser apenas uma tarefa rotineira rapidamente ganha contornos assustadores quando Bryan se vê diante de uma cidade tomada pelo caos e por criaturas que parecem ter saído diretamente de um dos jogos da série. Sem treinamento para enfrentar esse tipo de situação e sem entender exatamente o que está acontecendo, ele precisa encontrar uma maneira de sobreviver enquanto tenta escapar de uma ameaça que parece crescer a cada minuto. É justamente essa escolha que diferencia o novo Resident Evil das adaptações anteriores. Em vez de transformar o protagonista em um herói praticamente invencível, Zach Cregger coloca no centro da história alguém comum, assustado e claramente despreparado para enfrentar monstros e situações extremas. Bryan precisa improvisar, correr, se esconder e aprender rapidamente a lidar com um ambiente no qual praticamente qualquer coisa pode representar uma ameaça. O diretor também aproveita elementos que fazem parte da identidade dos videogames, principalmente a sensação de estar avançando por diferentes ambientes sem saber exatamente o que será encontrado pela frente. A tensão vem tanto das criaturas quanto da expectativa. Muitas vezes, o que funciona melhor não é aquilo que aparece na tela, mas a sensação de que alguma coisa pode surgir a qualquer momento. Cregger mistura o terror com momentos de humor sombrio, uma característica que já aparece em seus trabalhos anteriores. A combinação pode causar estranhamento para quem espera um filme de terror mais tradicional, mas ajuda a criar uma personalidade própria para esta nova versão. O resultado alterna cenas de suspense, violência, criaturas grotescas e situações absurdas, sem abandonar completamente o espírito de sobrevivência que marcou a franquia nos games. Austin Abrams também funciona bem como o ponto de identificação do público. Seu personagem não domina a situação e está quase sempre reagindo aos acontecimentos, o que torna a experiência mais próxima daquela sensação de vulnerabilidade presente nos primeiros jogos da série. Ao redor dele, o filme constrói uma sucessão de ameaças que vão aumentando progressivamente, levando a história para situações cada vez mais exageradas. Visualmente, Resident Evil aposta no horror corporal, em criaturas bastante perturbadoras e em efeitos que procuram transmitir a sensação de um pesadelo acontecendo diante do espectador. Para os fãs dos jogos, existem ainda referências e elementos reconhecíveis que ajudam a estabelecer a ligação com o universo criado pela Capcom, embora a história não seja uma adaptação direta de nenhum dos jogos. Talvez o aspecto mais interessante da produção seja justamente a tentativa de encontrar um novo caminho para uma franquia que já teve diferentes versões no cinema. Zach Cregger não parece interessado em simplesmente repetir o que já foi feito. Ele utiliza o universo de Resident Evil como ponto de partida para construir uma história própria, mais concentrada no medo, na sobrevivência e na experiência de acompanhar alguém comum tentando escapar de uma situação completamente fora de controle. Para quem conhece os games, o filme oferece referências suficientes para tornar a experiência ainda mais divertida. Para quem nunca teve contato com Resident Evil, a história também funciona como uma aventura de terror independente, sem exigir conhecimento prévio da franquia. É um filme violento, com bastante sangue e algumas imagens realmente perturbadoras. Resident Evil representa uma nova tentativa de levar para o cinema a atmosfera de uma das franquias mais conhecidas dos videogames. Para quem gosta de terror e não se incomoda com violência gráfica, pode ser uma boa escolha para assistir na tela grande. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 18 anos.
Se a ideia é aproveitar o cinema com as crianças nesta semana, Gatos no Museu 2: Tesouros do Egito chega como uma aventura que mistura animação, história e, claro, muitos gatos. A produção leva novamente os personagens felinos para uma jornada que desta vez deixa os corredores dos museus europeus e parte em direção ao Egito, onde um antigo mistério acaba colocando os protagonistas no meio de uma nova confusão. A história começa quando o gato Vincent e seus companheiros se envolvem com uma descoberta ligada ao passado egípcio. O que parecia ser apenas mais uma aventura acaba levando o grupo a encontrar pistas relacionadas a um antigo tesouro. A partir daí, o filme transforma peças históricas, lendas e monumentos do Egito em cenário para uma perseguição cheia de situações perigosas e momentos de humor. Uma das características mais interessantes da animação é justamente a maneira como ela aproxima as crianças de elementos históricos sem transformar a experiência em uma aula. Pirâmides, múmias, artefatos e referências à cultura egípcia aparecem integrados à aventura, servindo como parte da história enquanto os personagens tentam descobrir quem está por trás dos acontecimentos. O filme também mantém aquela fórmula que costuma funcionar bem com o público infantil, com animais carismáticos, perseguições, personagens atrapalhados e uma boa dose de humor. Os gatos continuam sendo o centro da atenção, mas a aventura ganha novos personagens e ambientes que ajudam a deixar a continuação diferente do primeiro filme. Visualmente, a mudança para o Egito oferece bastante espaço para a animação explorar paisagens, templos, tumbas e monumentos. As cores e os cenários ajudam a criar uma atmosfera de descoberta, enquanto a história avança em um ritmo pensado principalmente para manter a atenção dos espectadores mais jovens. Não é uma animação que pretende reinventar o gênero ou apresentar uma trama especialmente complexa. A proposta é contar uma aventura divertida, colocar os personagens em situações inesperadas e aproveitar a curiosidade despertada pelo universo egípcio. Para os adultos, algumas passagens podem parecer previsíveis, mas isso faz parte da escolha de falar diretamente com as crianças. O ponto positivo está justamente nessa combinação entre entretenimento e curiosidade. Mesmo sem aprofundar muito os aspectos históricos, a animação pode despertar nos pequenos espectadores o interesse por uma civilização que continua cercada de mistérios e histórias fascinantes. Uma boa escolha para assistir com as crianças e a indicação etária é para maiores de 6 anos.
Entre as estreias desta semana nos cinemas de Nova Friburgo, No Limite da Justiça chama atenção por transformar um episódio ligado a um dos períodos mais tensos da história recente dos Estados Unidos em um suspense policial marcado por uma parceria bastante improvável. Dirigido por Elegance Bratton, o filme acompanha um jovem agente negro do FBI enviado ao Mississippi dos anos 1960 para investigar uma série de assassinatos de líderes dos direitos civis. Yahya Abdul-Mateen II interpreta o agente que chega a uma região onde a violência racial e a resistência às mudanças sociais fazem parte do cotidiano. A investigação ganha uma dimensão ainda mais complicada quando ele precisa recorrer a Greg Scarpa, personagem vivido por Mark Wahlberg e conhecido por sua ligação com a máfia e por seus métodos extremamente violentos. É nessa relação pouco convencional que o filme encontra boa parte de sua força. De um lado está um agente que representa a lei e tenta conduzir uma investigação dentro das regras. Do outro, um criminoso acostumado a resolver problemas pela força. Apesar das diferenças, os dois percebem que precisarão trabalhar juntos para avançar em uma investigação cercada por ameaças e interesses que vão muito além dos assassinatos que estão tentando esclarecer. O Mississippi retratado pelo filme ajuda a aumentar a tensão. A história acontece em um momento em que a luta pelos direitos civis enfrentava forte oposição, e o ambiente social interfere diretamente na investigação. O suspense, portanto, não depende apenas da descoberta de quem está por trás dos crimes. Existe também a sensação constante de que os próprios investigadores podem se tornar alvos. Elegance Bratton utiliza esse cenário para construir uma narrativa que combina investigação criminal com um período histórico particularmente delicado. O roteiro de Sascha Penn coloca os personagens diante de escolhas difíceis, principalmente quando seguir os procedimentos tradicionais parece insuficiente para chegar aos responsáveis pelos crimes. Mark Wahlberg encontra em Greg Scarpa um personagem bastante diferente de seus papéis mais convencionais. A violência faz parte da maneira como ele age, mas sua presença também cria uma espécie de desconforto permanente. O agente precisa aceitar a ajuda de alguém que representa praticamente tudo aquilo que a investigação deveria combater. Yahya Abdul-Mateen II, por sua vez, conduz o filme pelo ponto de vista de alguém que precisa lidar simultaneamente com o trabalho policial e com uma realidade social marcada pelo preconceito. Essa perspectiva dá ao suspense uma camada que ultrapassa a simples procura pelos responsáveis pelos assassinatos. O elenco ainda conta com Nicole Beharie, Giancarlo Esposito, David Strathairn e Josh Lucas, reforçando uma produção que aposta bastante nos personagens e no ambiente histórico para construir sua tensão. O filme funciona principalmente quando coloca esses dois homens em lados tão diferentes da sociedade e acompanha o que acontece quando seus interesses acabam convergindo. A investigação serve como fio condutor, mas são as diferenças entre os protagonistas que dão personalidade à história. Inspirado em acontecimentos reais, o filme também lembra que determinados períodos históricos não precisam de grandes exageros para produzir situações dramáticas. A própria realidade do Mississippi dos anos 1960 já oferece material suficiente para criar um suspense envolvendo violência, corrupção, racismo e uma busca por justiça em um ambiente no qual as instituições nem sempre atuavam de maneira imparcial. Com pouco menos de duas horas, No Limite da Justiça aposta em uma história policial com forte componente histórico e em uma dupla de protagonistas que dificilmente seria imaginada trabalhando lado a lado. Para quem gosta de suspenses baseados em fatos reais e de filmes que utilizam acontecimentos históricos como parte importante da narrativa, pode ser uma estreia interessante para conferir no cinema. A indicação etária é para maiores de 16 anos.
O frio que cerca a estação de pesquisas de Antártida é apenas uma parte do problema. No novo filme de Bruno Safadi, a última estreia desta semana, o isolamento provocado pelo inverno rigoroso transforma uma base científica brasileira em um espaço onde desconfiança, medo e tensão passam a dominar a convivência entre seus ocupantes. Quando uma jovem pesquisadora sofre uma violência sexual logo na primeira noite da temporada, a rotina daquele pequeno grupo muda completamente. Sem possibilidade de deixar o local ou receber ajuda imediata, os moradores da estação precisam continuar convivendo enquanto a investigação tenta descobrir quem cometeu o crime. A subcomandante Elisabeth, interpretada por Andréa Beltrão, assume a responsabilidade de conduzir as apurações. O problema é que todos os homens da base passam a estar sob suspeita, incluindo figuras importantes da hierarquia militar. A situação cria uma atmosfera particularmente desconfortável. Cada conversa pode esconder uma informação importante, cada comportamento passa a ser observado com desconfiança e a própria convivência entre os personagens ganha outro significado. O suspense nasce justamente dessa impossibilidade de simplesmente afastar um suspeito. Todos continuam presos no mesmo lugar, cercados por quilômetros de gelo e sem uma saída fácil. Bruno Safadi utiliza o espaço como parte fundamental da narrativa. A estação deixa de ser apenas o cenário da história e passa a funcionar quase como um personagem. Os corredores, os ambientes fechados e a paisagem branca do lado de fora reforçam a sensação de confinamento. Mesmo quando nada está acontecendo, existe a expectativa de que alguma coisa possa mudar a qualquer momento. No centro desse ambiente está Andréa Beltrão, que conduz Elisabeth com uma combinação de autoridade e cautela. A personagem precisa investigar um crime extremamente delicado ao mesmo tempo em que mantém o funcionamento de uma comunidade submetida a condições excepcionais. Marina Ruy Barbosa interpreta Inês, a pesquisadora que se torna o centro dos acontecimentos, enquanto Leandra Leal, Lázaro Ramos e Antonio Calloni completam um elenco que reúne personagens com diferentes posições dentro daquela estrutura. O filme também chama atenção pelo modo como foi construído visualmente. Embora a história se passe na Antártida, as filmagens foram realizadas em estúdios no Rio de Janeiro com o uso de tecnologia de produção virtual para criar os ambientes gelados. O resultado procura reproduzir a sensação de estar em uma região remota e hostil, mantendo os personagens constantemente cercados pela imensidão branca. Mais do que descobrir rapidamente quem é o responsável pelo crime, Antártida acompanha as consequências da suspeita sobre aquele grupo. As relações profissionais e pessoais começam a se modificar, enquanto as mulheres da estação encontram apoio umas nas outras diante de uma situação que poderia facilmente provocar isolamento ainda maior. O suspense, dessa forma, caminha junto com um drama sobre confiança, proteção e poder. A proposta ganha força justamente por colocar uma questão extremamente grave dentro de um ambiente no qual não existe para onde fugir. O espectador acompanha uma investigação em que a distância do restante do mundo aumenta a pressão sobre todos e faz com que cada nova informação tenha um peso maior. É um suspense brasileiro de ambiente fechado, sustentado por um elenco conhecido e por uma situação que transforma completamente a dinâmica entre os personagens. Para quem gosta de histórias policiais que utilizam o próprio espaço como elemento de tensão, o filme oferece uma experiência diferente das produções mais convencionais do gênero. A indicação etária é para maiores de 16 anos.
A dica para assistir em casa desta semana vai para O Mundo Depois de Nós, suspense apocalíptico da Netflix dirigido por Sam Esmail, de Mr. Robot. Julia Roberts, Ethan Hawke e Mahershala Ali estão no centro de uma história que começa de maneira bastante comum em que uma família aluga uma casa para passar alguns dias longe da rotina. O problema é que a internet, celulares e outros sistemas começam a falhar, enquanto acontecimentos cada vez mais estranhos transformam o descanso em uma situação de completa insegurança. O filme aposta mais na tensão e nas perguntas sem respostas do que em grandes cenas de ação, criando uma atmosfera desconfortável justamente por não revelar imediatamente o que está acontecendo. Uma boa opção para quem gosta de ficção científica, suspense e histórias que continuam na cabeça depois dos créditos.










