FILMES DA SEMANA DE 27/08 A 02/09

27/08/2026 15:40:11
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Estreia esta semana nos cinemas de Nova Friburgo Coyote vs. Acme. A animação mistura personagens clássicos dos Looney Tunes com atores de carne e osso para contar uma história que transforma uma das maiores vítimas dos desenhos em alguém disposto a finalmente reagir. Depois de passar décadas sendo explodido, atropelado, esmagado e perseguido pelo Papa-Léguas graças aos produtos defeituosos da Acme, o Coiote decide processar a empresa. Para isso, conta com a ajuda de Kevin Avery, um advogado especializado em acidentes, interpretado por Will Forte. Do outro lado está Buddy Crane, vivido por John Cena, representante da poderosa corporação que parece ter resposta para tudo. A premissa é absurda, mas justamente por isso combina muito bem com o espírito dos Looney Tunes. O filme dirigido por Dave Green aposta na mistura entre animação e atores reais, uma fórmula que já produziu clássicos como Uma Cilada para Roger Rabbit e que aqui serve para colocar o Coiote em um mundo onde seus problemas deixam de ser apenas uma sequência de gags e passam a ter consequências. A história transforma as inúmeras tentativas fracassadas de capturar o Papa-Léguas em uma espécie de processo judicial, criando uma aventura que mistura comédia, ação e uma inesperada história de superação. Will Forte funciona bem como o advogado que inicialmente não parece muito interessado em assumir o caso, mas acaba se envolvendo cada vez mais com seu cliente. John Cena também aproveita o personagem para brincar com a imagem do executivo corporativo exageradamente confiante, enquanto Lana Condor ajuda a dar uma dimensão mais humana à história. Mas o grande destaque continua sendo o próprio Coiote. O roteiro entende que não é necessário transformar o personagem em outra coisa para criar uma história mais longa. Ele continua sendo obcecado pelo Papa-Léguas, continua utilizando invenções absurdas e continua sofrendo com as próprias armadilhas. A diferença é que agora existe uma razão para toda essa sequência de fracassos e, principalmente, alguém que pode ser responsabilizado por eles. Essa é uma das ideias mais interessantes do filme. Ao transformar a Acme em uma gigantesca corporação preocupada apenas com lucro, a produção consegue fazer uma sátira atual sobre empresas poderosas e o pequeno indivíduo tentando enfrentá-las. O curioso é que a própria trajetória de Coyote vs. Acme acabou tornando essa história ainda mais irônica. O filme foi concluído em 2022, mas a Warner Bros. decidiu não lançá-lo em 2023, provocando uma forte reação de fãs e profissionais de Hollywood. Depois de anos praticamente condenado ao esquecimento, acabou sendo adquirido pela Ketchup Entertainment e finalmente chega aos cinemas. E essa história de persistência parece ter influenciado a maneira como o público recebeu o filme. Um dos pontos fortes é mistura entre animação e live-action e ao fato de o filme conseguir, em alguns momentos, ser surpreendentemente emocionante. Mas nem tudo funciona perfeitamente. A premissa, excelente para um curta ou uma sequência de desenhos, tem dificuldade para sustentar um longa inteiro. O humor perde força em determinados momentos, e a história jurídica pode parecer convencional demais quando comparada à loucura dos desenhos clássicos. A mistura de comédia, aventura, sátira corporativa e drama também nem sempre mantém o mesmo equilíbrio. Ainda assim, existe uma simpatia difícil de ignorar em Coyote vs. Acme. É uma produção que poderia ter desaparecido sem jamais chegar ao público e que acabou transformando sua própria história de sobrevivência em parte da experiência. Dave Green consegue preservar a personalidade do Coiote e, ao mesmo tempo, colocá-lo em uma aventura diferente daquela que conhecemos. Não é um novo clássico dos Looney Tunes, mas é uma homenagem divertida, criativa e bastante carismática a personagens que continuam funcionando mesmo décadas após de terem sido criados. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 6 anos.

Outra estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Ponto Sem Retorno, novo filme de Ridley Scott que leva para a tela um mundo onde quase tudo o que conhecemos desapareceu. Baseado no romance Na Companhia das Estrelas, de Peter Heller, o longa acompanha as consequências de uma pandemia que dizimou a humanidade e deixou os poucos sobreviventes tentando encontrar maneiras de continuar existindo. Mas, ao contrário de muitas produções pós-apocalípticas recentes, Scott não parece tão interessado em mostrar o fim do mundo quanto em observar o que resta das pessoas depois que o mundo acaba. No centro da história está Hig, interpretado por Jacob Elordi, um piloto que vive em um pequeno aeroporto abandonado ao lado de Jasper, seu cachorro, e de Bangley, um ex-fuzileiro naval vivido por Josh Brolin. A relação entre os dois homens é marcada por diferenças quase irreconciliáveis. Enquanto Bangley acredita que sobreviver significa desconfiar de todos e estar preparado para matar, Hig ainda conserva a esperança de que possa existir alguma coisa além daquele isolamento. É justamente uma transmissão misteriosa captada pelo rádio que faz essa esperança ganhar força. Pela primeira vez em muito tempo, Hig acredita ter encontrado um sinal de que outras pessoas podem estar vivendo em algum lugar e decide deixar a segurança relativa do seu refúgio para descobrir quem está do outro lado. A partir daí, o filme assume uma característica de jornada, misturando suspense, ação e momentos de contemplação enquanto o protagonista atravessa um território devastado. Um dos grandes acertos de Ponto Sem Retorno está justamente nesse contraste. Ridley Scott utiliza as paisagens para mostrar um planeta aparentemente mais tranquilo depois da destruição humana. Montanhas, florestas e grandes espaços vazios ganham uma beleza impressionante, criando imagens que funcionam quase como personagens da história. A fotografia de Erik Messerschmidt também contribui para essa sensação de isolamento e torna a experiência particularmente interessante na tela grande. Outro ponto positivo está no elenco. Josh Brolin consegue criar uma presença forte como Bangley, enquanto Margaret Qualley acrescenta uma nova dimensão à jornada de Hig. Jacob Elordi, por sua vez, sustenta um protagonista mais silencioso e melancólico, alguém que precisa decidir se continuar sobrevivendo é suficiente ou se ainda existe alguma razão para voltar a viver. É nesse aspecto que o filme encontra seus melhores momentos. A relação entre os personagens, o sentimento de perda e a necessidade de reconstruir vínculos depois de uma tragédia coletiva dão à produção uma dimensão mais humana do que a simples luta pela sobrevivência. Ponto Sem Retorno é deliberadamente mais lento em boa parte de sua duração, e nem todos os espectadores terão paciência para acompanhar uma história que demora a revelar seus conflitos. A construção desse mundo também é insuficiente. O filme apresenta um cenário devastado, grupos violentos e diferentes ameaças, mas não desenvolve esses elementos com a profundidade que eles poderiam alcançar. Em alguns momentos, a sensação é de que estamos diante de uma versão de histórias que já conhecemos, como The Last of Us ou A Estrada, sem que o longa consiga acrescentar algo realmente novo ao gênero. O terceiro ato é outro ponto de divisão. Após construir uma narrativa mais contemplativa e preocupada com a solidão, o filme passa a apostar mais intensamente na ação, com conflitos e inimigos o que beira ao genérico. Essa mudança de ritmo pode agradar quem espera um thriller mais tradicional, mas também diminui parte da força do drama construído anteriormente. Ainda assim, existe algo interessante na escolha de Ridley Scott de fazer um filme sobre o fim da civilização que, no fundo, fala muito mais sobre a necessidade de encontrar motivos para continuar. Não é uma produção que reinventa o cinema pós-apocalíptico, e suas limitações ficam evidentes principalmente quando tenta ampliar seu universo, mas as belas imagens, a presença de bons atores e alguns momentos genuinamente emocionantes mostram que existe uma história humana por trás de toda aquela destruição. Talvez não seja um dos grandes filmes de Ridley Scott, mas pode funcionar para quem procura uma ficção científica mais melancólica, que prefere falar de esperança e de relações humanas antes de simplesmente colocar seus personagens correndo de uma ameaça para outra. Vale o ingresso, especialmente para quem gosta do gênero, e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Perdida no Ártico, um suspense de sobrevivência dirigido pelo finlandês Taavi Vartia. A ideia é daquelas que conseguem provocar aflição só de serem explicadas. Uma jovem patinadora fica presa sobre um enorme bloco de gelo no Mar Ártico, que começa a se desprender, flutuar para o sul e, pior ainda, derreter lentamente. Emily, interpretada por Thea Sofie Loch Næss, percebe que não está diante de uma situação em que basta esperar pelo resgate. A cada hora que passa, o espaço onde está diminui e suas chances de sobrevivência também. O filme acompanha praticamente sozinho esse esforço desesperado. Emily precisa lidar com o frio, a fome, a falta de água, um telefone danificado e a distância de qualquer lugar habitado. Vartia aproveita esse isolamento para criar uma história quase minimalista, na qual a natureza é muito mais ameaçadora do que qualquer vilão tradicional. E existem momentos em que essa escolha funciona. As imagens do Ártico são bonitas e conseguem transmitir a dimensão do ambiente em que a personagem está presa. A sensação de estar completamente sozinha no meio de uma imensidão de gelo também cria algumas situações de tensão bastante eficientes. Thea Sofie Loch Næss carrega boa parte do filme nas costas e consegue transmitir o desgaste físico e emocional de alguém que sabe que está ficando sem alternativas. O problema é que uma premissa tão simples exige bastante precisão para funcionar durante todo o longa. E é justamente aí que Perdida no Ártico começa a perder força. Algumas situações parecem pouco convincentes e determinadas decisões da personagem dificultam a identificação do espectador com aquela luta pela sobrevivência. A produção também recorre a efeitos visuais que, em alguns momentos, deixam evidente a artificialidade das imagens, algo especialmente prejudicial em um filme que depende justamente da sensação de realidade para criar tensão. Há ainda uma diferença importante entre a beleza das paisagens e a qualidade da história. Enquanto as imagens do gelo e da solidão do Ártico chamam atenção, o roteiro de Taavi Vartia nem sempre consegue transformar essa situação em um suspense realmente envolvente. O longa sofre com problemas de ritmo, falta de credibilidade e escolhas narrativas que acabam tirando o impacto de determinadas cenas. Isso não significa que o filme não tenha seus momentos. Para quem gosta de histórias de sobrevivência, a situação de Emily é suficientemente angustiante para manter algum interesse, principalmente quando o gelo começa a desaparecer e fica cada vez mais claro que o tempo está contra ela. É uma boa ideia, belas paisagens e uma protagonista que se esforça para sustentar a história, mas não consegue transformar esses elementos em um suspense à altura da própria premissa. É uma opção para quem gosta de filmes de sobrevivência e quer algo simples e direto, mas não espere um novo grande representante do gênero. Vale mais pela curiosidade e pelas paisagens do que pela tensão. A indicação etária é para maiores de 12 anos.

A dica para assistir em casa desta semana vai para O Diabo Veste Prada 2, sequência que reúne novamente Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci quase 20 anos depois do filme que se tornou um dos grandes sucessos dos anos 2000. Desta vez, Miranda Priestly enfrenta uma nova realidade no comando da Runway, enquanto a revista precisa se adaptar às mudanças do mercado editorial. Andy Sachs, agora mais experiente e trabalhando em outro lado da indústria da moda, acaba novamente cruzando seu caminho com a antiga chefe. O reencontro é, naturalmente, um dos grandes atrativos da produção, e Meryl Streep continua sendo o principal motivo para acompanhar a história. Emily Blunt também ganha mais espaço e mantém o humor que marcou a personagem no primeiro filme. A sequência acerta ao não tentar simplesmente repetir a história original, embora algumas situações e referências funcionem claramente como uma homenagem ao filme de 2006. As roupas, os cenários e o universo da moda continuam sendo parte importante da diversão, enquanto a produção aproveita para falar sobre as transformações da imprensa e a dificuldade de manter uma publicação tradicional relevante. O resultado talvez não tenha a mesma força do primeiro filme e algumas subtramas acabam deixando a narrativa mais previsível, mas a química entre o elenco e o prazer de rever esses personagens compensam boa parte das limitações. É acima de tudo, uma produção feita para quem tem carinho pelo original, oferecendo uma história própria em vez de viver apenas da nostalgia. Está disponível no Disney+.

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