A estreia desta semana nos cinemas de Nova Friburgo para quem procura uma aventura em família é A Maravilhosa Árvore Encantada, fantasia dirigida por Ben Gregor e protagonizada por Andrew Garfield e Claire Foy. Baseado nos livros de Enid Blyton, o filme parte de uma situação bastante atual. Uma família que decide abandonar a vida agitada da cidade grande e tentar um recomeço no interior da Inglaterra. Tim e Polly levam os três filhos para uma rotina mais simples, longe da tecnologia e da quantidade de telas que dominava o cotidiano da família. A mudança, naturalmente, não é recebida com entusiasmo pelas crianças. Acostumadas ao universo digital, elas precisam descobrir novas formas de passar o tempo e explorar o lugar onde agora vivem. É justamente durante essas descobertas que surge o elemento que transforma completamente a história. Uma árvore gigantesca e misteriosa, capaz de transportar as crianças para mundos fantásticos, habitados por personagens excêntricos e situações que parecem saídas diretamente de um livro de contos de fadas. A partir daí, o filme deixa de ser apenas uma história sobre uma família tentando se adaptar a uma nova vida e ganha uma dimensão muito mais imaginativa. Cada visita à árvore abre espaço para novas aventuras e permite que as crianças experimentem um mundo em que a curiosidade, a criatividade e a capacidade de brincar são mais importantes do que qualquer aparelho eletrônico. A fantasia funciona, portanto, não apenas como espetáculo, mas como uma maneira de falar sobre algo bastante real. Ben Gregor conduz a aventura com uma linguagem acessível principalmente ao público infantil, mas sem transformar os adultos em meros acompanhantes. Andrew Garfield e Claire Foy ajudam a dar alguma dimensão emocional aos pais, que também estão tentando descobrir se a vida que escolheram é realmente aquela que desejam. O filme consegue, assim, dividir sua atenção entre as descobertas das crianças e os desafios enfrentados pelos adultos. O tema da desconexão digital é provavelmente o aspecto mais interessante da produção. Em vez de simplesmente dizer que celulares, computadores e internet são ruins, A Maravilhosa Árvore Encantada mostra o que pode acontecer quando as crianças recuperam o espaço para imaginar, explorar e simplesmente brincar. A árvore funciona quase como uma passagem para um tempo em que a diversão não precisava estar necessariamente ligada a uma tela. Visualmente, a produção aproveita bem a proposta fantástica, criando cenários coloridos e personagens que ajudam a construir um universo que pode conquistar principalmente os espectadores mais jovens. Para quem conhece a obra de Enid Blyton, existe ainda o interesse de acompanhar como aquele universo literário, criado décadas atrás, foi adaptado para uma família contemporânea. Algumas situações parecem construídas especialmente para o público infantil, e os adultos provavelmente encontrarão menos surpresas ao longo da jornada. Mas isso não chega a comprometer a experiência. O filme sabe exatamente para quem está falando e não tenta ser mais complicado do que precisa. A Maravilhosa Árvore Encantada funciona melhor quando abraça sua simplicidade e lembra que, em meio a uma rotina cada vez mais dominada pela tecnologia, ainda existe valor em imaginar, explorar e estar junto. É uma fantasia familiar simpática, com boas doses de aventura e uma mensagem que pode render uma conversa interessante entre pais e filhos depois da sessão. Uma boa opção para levar as crianças ao cinema. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 6 anos.
Quase três décadas após conquistarem uma legião de fãs como as irmãs Sally e Gillian Owens, Sandra Bullock e Nicole Kidman voltam a dividir a tela em Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor. A nova aventura que estreia esta semana em Nova Friburgo, dirigida por Susanne Bier, retoma o universo de bruxas criado no filme de 1998 e aposta justamente naquilo que tornou a história tão querida como a relação entre duas mulheres completamente diferentes, mas unidas por um vínculo que nem mesmo o tempo consegue desfazer. Desta vez, porém, a antiga maldição da família está longe de ser apenas uma lembrança. Sally continua tentando manter distância da magia, enquanto Gillian permanece muito mais à vontade com o lado sobrenatural da família. Quando novos acontecimentos fazem o velho feitiço voltar a ameaçar os Owens, as duas precisam se unir novamente para tentar impedir que a história se repita. A situação ganha uma nova dimensão quando a geração mais jovem acaba envolvida no problema. É uma sequência que depende bastante da memória afetiva de quem assistiu ao filme original. E nesse ponto, Bullock e Kidman continuam sendo a melhor razão para acompanhar a produção. Existe uma naturalidade na interação entre as duas que não parece fabricada apenas para provocar nostalgia. Sally e Gillian envelheceram, mas continuam preservando características que o público reconhece imediatamente. Susanne Bier também procura ampliar a história para além do romance e da magia. A maldição funciona como uma metáfora para padrões familiares que atravessam gerações, enquanto o relacionamento entre mães, filhas e irmãs ganha espaço importante na narrativa. O filme fala, portanto, sobre aquilo que herdamos da nossa família e sobre a dificuldade de romper ciclos que parecem determinados muito antes de nascermos. O problema é que nem sempre essa tentativa de atualizar a história encontra o mesmo encanto do primeiro filme. O roteiro acumula personagens, mistérios e reviravoltas, algumas delas pouco convincentes, e em determinados momentos a quantidade de elementos parece maior do que a história consegue desenvolver. A longa duração também pesa, principalmente quando a narrativa poderia ser mais direta. Por outro lado, há momentos em que a produção recupera o charme peculiar da franquia. O humor, a atmosfera sobrenatural e principalmente a parceria entre Sally e Gillian continuam funcionando. Stockard Channing e Dianne Wiest também retornam como as excêntricas tias das protagonistas, reforçando a ligação com o longa original. No fim, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor não precisa ser completamente novo para encontrar seu público. Sua principal aposta está no reencontro com personagens que permaneceram na memória de uma geração e na possibilidade de apresentar esse universo para espectadores mais jovens. É uma continuação irregular, mas conduzida por duas atrizes que ainda sabem exatamente como transformar uma simples cena juntas em um dos melhores momentos do filme. Para quem guarda carinho pelo original, a sessão tem valor principalmente pelo reencontro. Para os demais, é uma fantasia romântica que mistura humor, magia, família e algumas boas ideias sobre herança e recomeços. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 12 anos
A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Código: Vingança. Jason Statham parece ter encontrado um território confortável no cinema de ação com personagens que falam pouco, apanham muito e resolvem problemas com as próprias mãos. Dirigido por Jean-François Richet, essa fórmula ganha uma história de perseguição e conspiração que coloca o ator novamente no centro de uma caçada cheia de violência e reviravoltas. Cole Reed é um ex-integrante das Forças Especiais que trabalha como segurança particular. Tudo muda quando seu patrão, um poderoso bilionário, é assassinado diante dele. Reed acaba sendo apontado como responsável pelo crime. Sem poder confiar nas autoridades e sabendo que está sendo perseguido, ele decide descobrir quem está por trás da armação. A partir daí, o filme abandona qualquer preocupação em construir um protagonista excessivamente complexo e concentra suas forças naquilo que seu público provavelmente espera. Há perseguições, combates corpo a corpo, tiroteios e situações cada vez mais perigosas. A fuga leva Reed até um navio cargueiro, cenário que acaba funcionando muito bem para algumas das melhores sequências de ação da produção. Richet, que já comandou Statham em Alerta Máximo, demonstra novamente domínio sobre esse tipo de espetáculo. As cenas de luta são diretas, físicas e pouco interessadas em transformar o protagonista em um super-herói invencível. Reed apanha, se machuca e precisa improvisar para continuar avançando. Essa sensação de perigo ajuda a manter o interesse mesmo quando a trama começa a ficar mais previsível. O roteiro, entretanto, não é exatamente o ponto forte. A conspiração internacional introduz novos personagens e explicações que nem sempre acrescentam muito à história. Algumas revelações também podem ser antecipadas com facilidade por quem já conhece esse tipo de thriller. A produção parece mais interessada em levar o personagem de uma situação de perigo para outra do que em aprofundar as razões por trás de toda a operação. E talvez essa seja justamente a melhor maneira de encarar Código: Vingança. Não é um filme que pretende reinventar o gênero ou oferecer uma grande reflexão sobre vingança e justiça. Sua proposta é bem mais simples e coloca Jason Statham em uma situação cada vez pior para deixá-lo encontrar uma maneira de sair dela. Com apenas 95 minutos, o longa também evita se prolongar além do necessário. O ritmo é acelerado e, quando a história começa a perder força, uma nova perseguição ou sequência de combate costuma aparecer para recolocar a adrenalina em cena. Annabelle Wallis, Adrian Lester e Roland Møller completam o elenco, mas é Statham quem domina praticamente todos os momentos importantes. Para os fãs do ator e de filmes de ação mais tradicionais, Código: Vingança entrega exatamente o tipo de diversão que promete. Não há muita novidade na fórmula, mas também não existe a pretensão de oferecer algo diferente. É pancadaria, perseguição, conspiração e Jason Statham fazendo aquilo que o público já sabe que ele faz muito bem. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.
A dica para assistir em casa desta semana vai para a terceira temporada de Ted Lasso, série de comédia da Apple TV+ que acompanha o treinador americano que conquistou o futebol inglês com seu jeito otimista e pouco convencional. Nesta nova fase, o AFC Richmond finalmente passa a disputar espaço entre os grandes, enquanto Ted precisa lidar com a pressão dos resultados e com questões pessoais que podem mudar seu futuro. A nova temporada também desenvolve melhor personagens como Roy Kent, Jamie Tartt e Rebecca, mantendo o equilíbrio entre humor, futebol e momentos mais emocionantes. O grande mérito continua sendo a maneira como a série transforma histórias aparentemente simples em situações sobre amizade, amadurecimento e relações humanas. Algumas passagens são previsíveis e o tom otimista pode não agradar a todos, mas o carisma do elenco e a qualidade dos personagens continuam fazendo diferença. É uma temporada divertida, emocionante e que consegue encerrar a trajetória da série de maneira bastante satisfatória.









