Estreia esta semana nos cinemas de Nova Friburgo Minha Melhor Amiga, nova comédia dirigida por Susana Garcia e estrelada por Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. O filme acompanha Júlia e Clara, duas amigas que estão chegando aos 50 anos e precisam lidar com uma fase de mudanças. Quando suas filhas adolescentes viajam para Portugal para fazer um intercâmbio, as duas se veem diante daquele conhecido vazio que aparece quando os filhos começam a seguir seus próprios caminhos. A solução encontrada pelas amigas é tão simples quanto impulsiva. Elas viajam para a Europa para encontrar as filhas. O que deveria ser apenas uma visita acaba se transformando em uma aventura que coloca as duas diante de situações inesperadas, novos relacionamentos, festas, viagens e, principalmente, da oportunidade de olhar para suas próprias vidas de uma maneira diferente. A viagem que começa por causa das filhas acaba se tornando uma jornada de redescoberta pessoal. A escolha de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli como protagonistas é um dos grandes acertos do filme. As duas já possuem uma química muito natural e essa amizade que existe também fora das telas ajuda a dar autenticidade à relação entre Clara e Júlia. Não parece apenas uma dupla de atrizes interpretando duas amigas, mas duas pessoas que realmente se divertem juntas. É justamente essa sintonia que sustenta boa parte do humor da produção. Susana Garcia, que já demonstrou familiaridade com a comédia popular brasileira, aposta aqui em uma história que mistura humor, amizade, romance e algumas questões mais sérias relacionadas à maturidade feminina. O filme fala sobre menopausa, mudanças no corpo, relacionamentos, filhos crescendo e aquela sensação de que a vida passou a ser organizada em função dos outros. A ideia interessante é mostrar que chegar aos 50 não significa encerrar uma etapa, mas talvez finalmente começar a viver algumas coisas que foram deixadas para depois. E é justamente nesse aspecto que Minha Melhor Amiga encontra seu melhor caminho. Em vez de tratar suas protagonistas como mulheres que precisam aceitar o envelhecimento, o filme prefere mostrar duas pessoas descobrindo que ainda podem se divertir, se apaixonar, cometer erros e tomar decisões completamente inesperadas. A amizade entre elas funciona como uma espécie de ponto de equilíbrio, permitindo que cada uma enfrente seus próprios medos sem precisar fazer isso sozinha. A viagem pela Europa também ajuda a criar uma atmosfera leve e ensolarada, com Portugal e Espanha servindo como cenário para as aventuras das personagens. Há bares, passeios, romances, festas e uma série de situações que fazem com que a viagem fique cada vez mais distante daquela visita planejada para encontrar as filhas. Aos poucos, Clara e Júlia percebem que talvez não conheçam tão bem as próprias filhas quanto imaginavam, e também descobrem que conhecem menos a si mesmas do que gostariam. Mas nem tudo funciona perfeitamente. O roteiro segue uma fórmula bastante conhecida e algumas situações são previsíveis. Determinadas piadas também parecem buscar mais o efeito imediato do que uma construção realmente criativa. Em alguns momentos, a história se aproxima demais de uma comédia romântica convencional, e a tentativa de equilibrar humor, drama, romance e discussões sobre a maturidade feminina nem sempre encontra o mesmo ritmo. A duração de pouco mais de duas horas também faz com que algumas passagens pareçam mais longas do que deveriam. Ainda assim, existe uma simpatia enorme em Minha Melhor Amiga. O filme entende que sua maior força não está necessariamente na originalidade da história, mas na maneira como Ingrid Guimarães e Mônica Martelli ocupam esses personagens. Existe humor, mas também existe afeto, identificação e uma mensagem bastante positiva sobre a possibilidade de recomeçar em qualquer idade. Susana Garcia entrega uma comédia leve, divertida e especialmente voltada para quem gosta de histórias sobre amizade e relações humanas. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 12 anos.
Quem poderia imaginar que um simples caminhão de sorvete seria capaz de transformar o verão de uma pequena cidade em um verdadeiro banho de sangue? É justamente desse contraste que Eli Roth parte em O Sorveteiro, um terror que pega uma das imagens mais inocentes da infância e transforma picolés em instrumentos de uma carnificina bastante criativa. Em Bayleen Bay, o que deveria ser apenas mais um verão tranquilo muda completamente com a chegada de um misterioso vendedor de sorvetes. Depois que as crianças da cidade consomem um doce amaldiçoado, elas passam a atacar violentamente os adultos. Em meio ao caos, três jovens que escaparam da maldição precisam descobrir quem é aquele homem e como interromper a matança antes que ela se espalhe. A premissa parece saída de um pesadelo infantil particularmente estranho, e essa é justamente uma das melhores características do filme. Eli Roth não tenta transformar O Sorveteiro em um terror convencional. O diretor aposta no exagero, no sangue e em um humor bastante sombrio para criar situações que são ao mesmo tempo perturbadoras e absurdas. A ideia também permite que Roth explore um dos elementos que melhor funcionam no cinema de terror. Ele usa alguma coisa associada à segurança e à nostalgia e transforma em ameaça. O sorveteiro, o caminhão colorido e as crianças brincando deixam de representar diversão e passam a anunciar perigo. O resultado é um filme que encontra boa parte de sua identidade justamente nesse choque entre aparência inocente e violência extrema. Ari Millen interpreta o misterioso sorveteiro, enquanto o próprio Eli Roth também aparece no elenco. Benjamin Byron Davis e Karen Cliche estão entre os demais nomes da produção. Mas o verdadeiro protagonista de O Sorveteiro é o próprio conceito. O roteiro escrito por Roth e Noah Belson não está particularmente interessado em construir uma mitologia complexa ou transformar a história em algo excessivamente sofisticado. A proposta é mais direta: colocar uma cidade aparentemente normal diante de uma situação completamente insana e deixar que o caos aconteça. Nesse sentido, o filme funciona melhor quando abraça sua própria maluquice. As crianças transformadas em pequenas máquinas de violência criam algumas situações visualmente interessantes, e a utilização de objetos comuns como armas reforça o aspecto quase de fábula macabra da produção. O próprio Roth já explicou que teve como referência a história do Flautista de Hamelin e também Os Pássaros, de Alfred Hitchcock, imaginando uma espécie de apocalipse protagonizado por crianças. O problema é que uma ideia tão boa precisa de mais do que sangue para sustentar um longa. O Sorveteiro tem momentos divertidos e algumas imagens que certamente ficarão na memória dos fãs de gore, mas o desenvolvimento da história é mais convencional do que sua premissa promete. Depois que o conceito inicial é estabelecido, a narrativa passa a seguir caminhos relativamente previsíveis, e nem todos os personagens recebem a mesma atenção. Também existe uma certa irregularidade no equilíbrio entre terror e humor. Algumas situações funcionam justamente porque são exageradas e grotescas, enquanto outras parecem depender demais do choque visual. Para quem espera um terror mais assustador, isso pode ser um problema. Para quem entra no cinema procurando sangue, mortes criativas e uma boa dose de absurdo, entretanto, o filme entrega exatamente o que promete. Com apenas cerca de uma hora e meia de duração, a produção também não fica tempo demais tentando explicar aquilo que funciona melhor quando simplesmente acontece. O Sorveteiro é irregular, exagerado e algumas vezes mais divertido do que assustador, mas possui uma ideia central tão estranha que acaba conquistando justamente por não levar a própria loucura a sério. Para quem gosta de terror gore, é uma opção que merece uma chance. Para quem não suporta sangue e violência gráfica, provavelmente será melhor passar longe do caminhão de sorvetes. Vale o ingresso para os fãs de terror sangrento e humor macabro. A indicação etária é para maiores de 18 anos.
A dica para assistir em casa desta semana vai para Mayday, aventura de ação e ficção científica estrelada por Ryan Reynolds e Kenneth Branagh. A história acompanha um piloto que viaja no tempo e acaba encontrando uma versão mais jovem de si mesmo, precisando unir forças com ela para impedir uma catástrofe. A ideia é criativa e permite que o filme misture humor, ação e viagens no tempo de maneira bastante divertida. Ryan Reynolds funciona bem com seu estilo descontraído, enquanto Kenneth Branagh traz um contraponto mais sério à aventura. O filme não pretende reinventar o gênero e algumas situações são previsíveis, mas o ritmo é ágil e a química entre os protagonistas ajuda a compensar as limitações do roteiro. É uma produção leve, divertida e indicada para quem procura entretenimento sem grandes complicações. Vale assistir e Mayday está disponível no Apple TV+.







