Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo, Os Farofeiros 3, nova comédia dirigida por Roberto Santucci, reúne novamente um dos grupos mais conhecidos do humor nacional em uma viagem internacional marcada por confusões e situações constrangedoras. Desta vez, Alexandre, Lima, Diguinho e suas famílias deixam o Brasil rumo ao Caribe, convidados por Rocha para o casamento de sua filha, Anita. A viagem começa com a expectativa de dias de descanso em um resort de luxo, mas a realidade é bem diferente. Para bancar uma festa sofisticada, Rocha esconde dos amigos que todos ficarão hospedados no hotel mais barato da região. A partir daí, os problemas se acumulam, envolvendo dificuldades com o idioma, dinheiro, imigração e os desentendimentos que fazem parte da convivência do grupo. Para completar, Anita começa a questionar o próprio casamento, levando os amigos a se envolverem diretamente na tentativa de salvar a cerimônia. Com Roberto Santucci novamente na direção e Paulo Cursino no roteiro, o filme preserva a fórmula dos capítulos anteriores, baseada em personagens exagerados, conflitos cotidianos e situações que rapidamente saem do controle. O elenco reúne Cacau Protásio, Maurício Manfrini, Danielle Winits, Antônio Fragoso, Charles Paraventi, Elisa Pinheiro e Nilton Bicudo, além de Aline Campos. A mudança para um cenário internacional acrescenta novos elementos à dinâmica da turma, principalmente pelas diferenças culturais e pelos obstáculos encontrados fora do país. Ainda assim, a estrutura permanece bastante familiar, com os personagens reagindo de maneira previsível aos problemas que surgem pelo caminho. O humor continua concentrado nos contrastes entre as expectativas dos protagonistas e a realidade que encontram, com destaque para as trapalhadas de Rocha e as reações dos demais integrantes. Um dos aspectos que sustentam a franquia é justamente o entrosamento do elenco, que já conhece bem as características e o ritmo de seus personagens. Cacau Protásio e Maurício Manfrini, em especial, encontram espaço para explorar o humor físico e as situações de constrangimento que marcam a franquia. Por outro lado, a repetição de determinados conflitos e recursos cômicos reduz o fator surpresa, fazendo com que algumas passagens tenham um desenvolvimento bastante previsível. A produção também mantém o ritmo acelerado, alternando confusões e discussões sem dedicar muito tempo ao aprofundamento das relações entre os personagens. O terceiro filme não busca renovar a identidade da franquia, mas mantém o estilo de comédia popular que estabeleceu sua relação com o público. A mudança de cenário amplia as possibilidades visuais e oferece situações diferentes das viagens anteriores, embora a essência continue a mesma. Com classificação indicativa de 12 anos, Os Farofeiros 3 é uma opção de entretenimento descompromissado, especialmente para quem já acompanhou os filmes anteriores e se identifica com o humor de seus personagens. Para quem espera uma comédia mais inventiva, a repetição da fórmula pode pesar, mas o reencontro com o grupo continua sendo o principal atrativo desta nova aventura.
Desta vez, a diversão começa com um personagem que dispensa apresentações. O Gatola da Cartola, inspirado na obra do escritor Dr. Seuss, chega aos cinemas com uma nova aventura repleta de cores, brincadeiras e situações inesperadas. A história acompanha os irmãos Gabby e Sebastian, que estão passando por um período difícil de adaptação depois de se mudarem para uma nova cidade. Enquanto tentam lidar com as mudanças, acabam recebendo a visita de um personagem bastante peculiar: um gato falante, dono de uma cartola mágica e de uma capacidade impressionante de transformar qualquer situação em uma grande confusão. Com a missão de devolver a alegria às crianças, o Gatola coloca em prática seus métodos pouco convencionais, envolvendo os irmãos em uma sequência de experiências malucas, mágicas e divertidas. Mas nem tudo sai como planejado. Entre invenções, brincadeiras e muita bagunça, a aventura acaba mostrando que nem sempre é fácil encontrar o equilíbrio entre diversão e responsabilidade. Dirigida por Alessandro Carloni e Erica Rivinoja, a animação aposta no humor visual e na personalidade irreverente do protagonista para construir uma história que conversa especialmente com o público infantil, mas também busca conquistar os adultos que cresceram conhecendo o personagem. A produção apresenta uma nova interpretação do universo criado por Dr. Seuss, preservando o espírito fantasioso da obra e trazendo uma abordagem atual sobre amizade, mudanças e a importância de não perder a imaginação. Outro destaque está no visual colorido e na liberdade criativa da animação, que aproveita as possibilidades do universo fantástico para criar situações absurdas e personagens bastante expressivos. O Gatola é divertido, imprevisível e sempre disposto a desafiar as regras, mesmo quando suas boas intenções acabam provocando o maior tumulto. Com classificação indicativa de 6 anos, O Gatola da Cartola chega como uma boa opção para quem procura uma sessão divertida em família. Mais do que apresentar as travessuras de um personagem famoso, o filme procura celebrar a imaginação e mostrar que, em meio à rotina e às preocupações do dia a dia, sempre existe espaço para um pouco de fantasia e diversão.
Outra estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Assalto à Brasileira, novo filme de José Eduardo Belmonte, parte de um dos episódios mais curiosos da história policial do país para construir uma mistura de suspense, humor e comentário social. Inspirado no assalto ao Banestado, ocorrido em Londrina, no Paraná, em dezembro de 1987, o longa recupera a história de sete homens que invadiram uma agência bancária e fizeram mais de 300 pessoas reféns. Em meio à grave crise econômica que o Brasil atravessava, o episódio ganhou contornos ainda mais inusitados quando parte da população passou a acompanhar o cerco policial e até demonstrar simpatia pelos criminosos. A narrativa acompanha Paulo (Murilo Benício), um jornalista recém-demitido que vai ao banco retirar o dinheiro de sua rescisão e acaba no meio do assalto. Percebendo que aquela situação poderia representar a oportunidade de recuperar sua carreira, ele passa a colaborar com os líderes da quadrilha, Moreno (Christian Malheiros) e Barba (Robson Nunes), participando das negociações com a polícia e entrevistando os demais reféns. O que deveria ser uma cobertura jornalística acaba se transformando em uma situação cada vez mais imprevisível, na qual os interesses individuais, a sobrevivência e a busca por reconhecimento se misturam. Um dos aspectos mais interessantes da produção está justamente na escolha de Belmonte de não seguir o caminho tradicional dos filmes de assalto. Em vez de apostar exclusivamente na tensão e na violência, o diretor trabalha com uma combinação de comédia policial e crônica social. O humor surge das contradições dos personagens, da falta de preparo dos criminosos e das reações inesperadas de quem está preso dentro da agência. Essa abordagem permite observar o episódio por diferentes perspectivas, sem transformar a narrativa em um simples espetáculo de ação. Tecnicamente, a reconstrução de época merece destaque. A direção de arte de Denise Dourado e a fotografia de Leslie Montero trabalham em conjunto para recuperar a atmosfera do Brasil dos anos 1980, utilizando cenários, figurinos, iluminação e composição dos ambientes para situar o espectador naquele período. A maior parte da ação acontece dentro do banco, o que representa um desafio para a construção visual. Ainda assim, a movimentação dos personagens e a alternância entre o interior da agência, a movimentação policial e a curiosidade popular do lado de fora ajudam a evitar uma sensação excessiva de confinamento. A montagem de Bernardo Pimenta também tem papel importante na condução dos acontecimentos, mantendo a narrativa dinâmica mesmo diante de um espaço relativamente limitado. No elenco, Murilo Benício é o principal destaque. Sua interpretação encontra um equilíbrio interessante entre o desespero de um homem colocado em uma situação extrema e a ambição de alguém que enxerga uma oportunidade profissional no meio do caos. Christian Malheiros também merece atenção, construindo um Moreno que alterna momentos de autoridade, insegurança e improvisação. Robson Nunes complementa bem a dinâmica da dupla, enquanto os demais integrantes do elenco ajudam a dar personalidade ao conjunto de reféns e criminosos. A trilha sonora, com referências ao rock brasileiro da época, contribui para contextualizar o período, embora pudesse ser explorada com maior presença em determinados momentos. O roteiro de L.G. Bayão, inspirado no livro de Domingos Pellegrini, encontra boas possibilidades dramáticas na própria natureza do acontecimento. A situação absurda permite que o filme explore a relação entre imprensa, violência e opinião pública, além de estabelecer paralelos entre a crise econômica daquele período e as dificuldades enfrentadas pelos personagens. Por outro lado, a mistura de tons nem sempre encontra a mesma precisão. Em alguns momentos, a comédia acaba diminuindo o peso de situações que poderiam produzir maior tensão, enquanto determinadas passagens parecem mais interessadas no efeito humorístico do que no aprofundamento dos conflitos. É justamente nesse equilíbrio entre o absurdo e o drama que o filme encontra seus melhores momentos, mas também algumas de suas limitações. Ainda assim, Assalto à Brasileira demonstra personalidade ao transformar um episódio real em uma história que vai além do crime que lhe serve de inspiração. José Eduardo Belmonte utiliza o humor como instrumento de observação de uma sociedade marcada pela instabilidade econômica, pela desconfiança nas instituições e pela capacidade de encontrar algum tipo de identificação até nas situações mais improváveis. O resultado é um filme nacional que diverte, mas também provoca algumas reflexões sobre o comportamento coletivo e a maneira como acontecimentos extraordinários acabam revelando características muito comuns do país. Com classificação indicativa de 14 anos, o longa merece atenção principalmente pela abordagem pouco convencional de sua história e pelo bom trabalho de reconstrução de época. Não é exatamente um thriller policial tradicional, nem uma comédia que depende apenas de situações engraçadas. Seu maior mérito está em encontrar humor dentro de um episódio tenso e transformá-lo em um retrato curioso de um Brasil que, mesmo diante do absurdo, parece sempre encontrar motivos para improvisar.
Nem todo filme sobre infância precisa ser uma história leve. Em Feito Pipa, novo longa de Allan Deberton que estreia esta semana, o cotidiano de um menino prestes a completar 12 anos se transforma em um retrato delicado sobre afeto, liberdade e os conflitos que surgem quando o ambiente familiar deixa de oferecer a segurança de antes. Escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027, o filme acompanha Gugu (Yuri Gomes), garoto apaixonado por futebol e dança, que vive com a avó Dilma (Teca Pereira), sua principal referência afetiva. A tranquilidade dessa relação começa a mudar quando ela apresenta sinais de Alzheimer, colocando em risco a vida que os dois construíram juntos. A relação entre Gugu e Dilma é o coração de uma história que fala sobre crescer, perder referências e descobrir que nem sempre é possível controlar as mudanças da vida. A situação se torna ainda mais complicada pela relação difícil com Batista (Lázaro Ramos), pai do garoto, que carrega preconceitos e expectativas que dificultam a aproximação entre os dois. Com medo de ser obrigado a deixar a casa da avó, Gugu tenta esconder o agravamento de sua condição, assumindo responsabilidades que não deveriam fazer parte de sua infância. Allan Deberton, que já havia demonstrado sensibilidade ao trabalhar personagens e universos regionais em Pacarrete, escolhe novamente um caminho intimista, mas amplia aqui o alcance dos temas abordados. O roteiro de André Araújo utiliza a relação familiar para discutir preconceito, identidade, envelhecimento e o direito de cada pessoa construir sua própria maneira de existir. Um mérito importante está em não transformar Gugu em um personagem definido apenas pelos conflitos que enfrenta. Sua paixão pelo futebol, o gosto pela dança e sua personalidade espontânea ajudam a construir uma criança cheia de contradições, desejos e possibilidades. Visualmente, o filme também encontra elementos interessantes para desenvolver sua narrativa. A barragem de Araújo Lima e as ruínas da antiga cidade que reaparece com o recuo das águas funcionam como uma imagem bastante significativa. O cenário não está ali apenas para embelezar a produção: representa a memória, as transformações e aquilo que permanece escondido durante muito tempo. A fotografia de Luciana Baseggio e Daniel Donato explora essa paisagem como parte da construção dramática, enquanto a montagem de Mariana Nunes Gomes procura aproximar os acontecimentos familiares desse contexto mais amplo. Nas atuações, Teca Pereira entrega uma interpretação especialmente expressiva como Dilma, equilibrando espontaneidade, afeto e os primeiros sinais de fragilidade provocados pela doença. Yuri Gomes também merece destaque pela naturalidade com que conduz o personagem, sem recorrer a uma interpretação excessivamente calculada ou sentimental. Lázaro Ramos, por sua vez, encontra no papel de Batista uma oportunidade de trabalhar um personagem contraditório, cujo afeto pelo filho convive com limitações e preconceitos difíceis de superar. Nem todas as escolhas narrativas, entretanto, alcançam a mesma força. A produção trabalha com diferentes temas e conflitos, mas nem sempre consegue desenvolver todos com a mesma profundidade. A história familiar é o eixo mais consistente, enquanto algumas questões sociais e ambientais aparecem de maneira menos precisa. Em determinados momentos, o simbolismo das imagens parece mais elaborado do que a própria construção dramática, e o filme poderia explorar melhor algumas relações para evitar que certos personagens funcionem apenas como instrumentos do conflito principal. Ainda assim, essa é uma produção que merece atenção pela maneira como aborda a infância sem recorrer a soluções fáceis. Em vez de transformar as diferenças de Gugu em um problema que precisa ser corrigido, o filme coloca em discussão o comportamento dos adultos e as dificuldades de uma sociedade que ainda impõe limites à liberdade individual. É uma história sobre pertencimento, mas também sobre a responsabilidade de quem deveria oferecer proteção e acolhimento. A classificação indicativa é de 14 anos.
Mais de 70 anos depois de sua primeira aparição no cinema, Godzilla continua sendo muito mais do que um monstro gigante destruindo cidades. Godzilla Minus Zero, novo filme de Takashi Yamazaki que estreia esta semana, retoma uma das figuras mais importantes da cultura pop japonesa e dá sequência ao elogiado Godzilla Minus One, vencedor do Oscar de melhores efeitos visuais. A história se passa em 1949, dois anos depois dos acontecimentos anteriores, quando o Japão ainda tenta se recuperar da devastação da guerra e da passagem do gigantesco monstro. A aparente reconstrução do país é interrompida por uma nova ameaça, colocando novamente a população diante de uma catástrofe de proporções gigantescas. O retorno de Koichi Shikishima (Ryunosuke Kamiki) e Noriko (Minami Hamabe) mantém a ligação com o drama humano do filme anterior. Desta vez, porém, a ameaça ganha novas dimensões com a presença de King Ghidorah, outro personagem histórico do universo Godzilla, conhecido por suas três cabeças e pelo papel de um dos adversários mais poderosos do monstro. A introdução dessa criatura amplia o espetáculo e aproxima a produção de elementos bastante conhecidos pelos admiradores da franquia. É importante lembrar que Godzilla nasceu em 1954, no Japão, como uma representação dos traumas provocados pelas bombas atômicas e pelos testes nucleares. Ao longo das décadas, o personagem passou por diferentes interpretações, alternando entre ameaça, símbolo de destruição e até uma espécie de protetor da humanidade. Sua presença ultrapassou o cinema japonês, influenciando histórias em quadrinhos, videogames, animações e toda uma geração de filmes de monstros gigantes, o chamado gênero kaiju. Essa trajetória também chegou a Hollywood, especialmente com o MonsterVerse, embora a produção de Yamazaki siga a continuidade cinematográfica japonesa da Toho. Tecnicamente, o diretor demonstra novamente domínio na construção das sequências de destruição e na integração dos efeitos visuais com os cenários de época. A fotografia, a direção de arte e o desenho de som ajudam a transmitir a dimensão das criaturas, enquanto a trilha de Naoki Satō reforça a atmosfera de tensão. O longa procura ampliar a experiência visual e sonora, levando o espetáculo a uma escala ainda maior. O principal desafio, entretanto, está no equilíbrio entre o drama dos personagens e as cenas de destruição. Com 135 minutos, a narrativa por vezes se alonga em conflitos humanos que nem sempre apresentam a mesma força do espetáculo visual. Godzilla também poderia ter uma presença mais constante, especialmente para quem espera encontrar a ação e os confrontos entre criaturas que fazem parte da identidade da franquia. Ainda assim, quando o monstro aparece, o filme demonstra toda a força de sua concepção técnica. Com classificação indicativa de 16 anos, Godzilla Minus Zero é um lançamento importante tanto para os admiradores de longa data do personagem quanto para quem acompanha a nova fase do cinema japonês de monstros gigantes. Embora não alcance necessariamente o mesmo impacto de seu antecessor, a produção preserva a dimensão simbólica de Godzilla e reafirma sua capacidade de se reinventar, mantendo viva uma das franquias mais influentes e duradouras da história do cinema.
A dica para assistir em casa desta semana vai para Cidade de Deus: A Luta Não Para – 2ª temporada, que estreia neste domingo, 8 de novembro, na HBO Max. Dando continuidade à história apresentada no filme de Fernando Meirelles e na primeira temporada, a série retorna com novos conflitos em uma comunidade marcada pela violência e pela disputa por poder. Após a morte de Curió, uma guerra pelo controle do território coloca diferentes grupos em confronto. Enquanto Berenice (Roberta Rodrigues), agora vereadora, enfrenta a corrupção e o avanço das milícias, Jerusa (Andréia Horta) segue em busca de vingança. A temporada também traz de volta Matheus Nachtergaele como Cenoura, personagem que marcou o filme original de 2002. Com direção geral de Aly Muritiba, a produção amplia o olhar sobre as relações entre crime, política e resistência, mostrando como os moradores tentam encontrar caminhos em meio a uma realidade cada vez mais difícil. São seis episódios que prometem manter a tensão e aprofundar os personagens, sem perder a identidade de uma das histórias mais marcantes do cinema brasileiro.











