Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Se Eu Fosse Você 3, terceiro capítulo de uma das franquias de comédia mais populares do cinema brasileiro. Vinte anos depois do primeiro filme e 17 anos após a sequência, a história criada em torno da troca de corpos ganha novos protagonistas sob a direção de Anita Barbosa, que assume o posto de Daniel Filho, responsável pelos dois primeiros longas. Desta vez, Cleo Pires e Rafael Infante assumem o centro da narrativa como Bia e Aquiles, filha e genro de Cláudio e Helena, personagens novamente interpretados por Tony Ramos e Gloria Pires. O casal mais jovem atravessa uma crise no relacionamento quando, seguindo a tradição da família, acaba literalmente vivendo na pele um do outro. A premissa continua sendo a mesma que conquistou milhões de espectadores, mas a proposta procura atualizar o humor para uma época em que as relações entre homens e mulheres são discutidas de maneira bem diferente daquela vista no cinema comercial dos anos 2000. Cleo Pires encontra espaço para construir uma protagonista menos caricata, enquanto Rafael Infante aproveita sua experiência com comédia para criar um personagem cheio de inseguranças e situações constrangedoras. A presença de Gloria Pires e Tony Ramos funciona tanto como elo com os filmes anteriores quanto como uma espécie de passagem de bastão para essa nova geração. E esse talvez seja o maior desafio do longa: trabalhar com uma marca que carrega enorme memória afetiva sem depender exclusivamente da nostalgia. Os dois primeiros filmes ultrapassaram juntos a marca de 10 milhões de espectadores, mostrando a força que a comédia nacional pode alcançar quando consegue dialogar diretamente com o grande público. Em um mercado brasileiro que ainda busca recuperar o espaço das produções nacionais nas salas de cinema, o retorno de uma franquia conhecida também representa uma aposta importante na capacidade da comédia de reunir novamente diferentes gerações diante da tela. Se Eu Fosse Você 3 não tenta reinventar sua fórmula, mas procura encontrar um novo caminho para ela, equilibrando a lembrança dos personagens clássicos com questões mais atuais. Para quem acompanhou os filmes anteriores, existe o prazer do reencontro; para o público mais jovem, a oportunidade de conhecer uma das franquias mais populares da comédia brasileira. Com classificação indicativa de 10 anos, é uma opção voltada especialmente para quem procura uma produção nacional leve, familiar e com potencial para arrancar algumas boas risadas.
Outra estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é As Aventuras de Tadeo e a Lâmpada Mágica, nova missão do arqueólogo mais atrapalhado das animações. Tadeo Jones está de volta e, como já era de se esperar, basta colocar uma relíquia misteriosa em seu caminho para que uma simples aventura arqueológica se transforme rapidamente em uma enorme confusão. Desta vez, uma antiga lâmpada mágica desencadeia uma série de acontecimentos que levam Tadeo e seus companheiros a uma corrida contra o tempo, passando por diferentes lugares e enfrentando perigos que vão muito além do que eles imaginavam encontrar. A história brinca com um dos elementos mais conhecidos das aventuras de fantasia: o objeto aparentemente inofensivo que esconde poderes capazes de mudar tudo. Só que, no universo de Tadeo, nada costuma acontecer de maneira muito tranquila. Perseguições, armadilhas, descobertas inesperadas e situações absurdas aparecem pelo caminho, enquanto o protagonista tenta resolver os problemas que ele mesmo, muitas vezes, ajuda a criar. É justamente essa combinação entre aventura e trapalhada que dá personalidade ao personagem. A animação também aproveita para explorar novamente a parceria entre Tadeo e seus amigos, que acabam sendo fundamentais quando as coisas saem do controle. O visual colorido, o ritmo acelerado e as situações de humor deixam o filme especialmente acessível ao público infantil, sem abandonar completamente os adultos que acompanham os pequenos na sessão. A produção não pretende reinventar o gênero, mas entende bem o que precisa oferecer para manter uma aventura desse tipo divertida: ação suficiente para não deixar a história parada, personagens carismáticos e uma sucessão de problemas que precisam ser resolvidos antes que seja tarde demais. As Aventuras de Tadeo e a Lâmpada Mágica chega aos cinemas, portanto, como uma opção para quem procura uma sessão leve e movimentada para toda a família. Para as crianças, há monstros, mistérios, magia e muita correria; para os adultos, sobra acompanhar Tadeo tentando sobreviver a mais uma missão que provavelmente teria sido bem mais fácil se ele simplesmente tivesse ficado longe daquela lâmpada. A classificação indicativa é para 10 anos.
Para quem gosta daquela comédia que transforma uma situação familiar aparentemente simples em uma sucessão de confusões, Um Tio Quase Perfeito 3 chega aos cinemas apostando novamente no carisma de Marcus Majella e no humor de situações. Terceiro capítulo da franquia, o filme retoma a história de Tony, um sujeito que nunca parece muito preparado para exercer o papel de adulto responsável, mas que acaba sempre encontrando uma maneira de se meter na vida da família. Desta vez, novos problemas colocam o personagem diante de mais uma missão em que improvisar será praticamente sua única estratégia. A graça da série está justamente nessa mistura de afeto e bagunça. Tony não é exatamente o modelo de tio que apareceria em um manual de educação familiar, mas desenvolveu uma relação de cumplicidade com as crianças e acaba conquistando o público justamente por suas imperfeições. Quando ele tenta resolver alguma coisa, normalmente cria outras duas situações para administrar, e é dessa sequência de pequenos desastres que o filme tira boa parte de seu humor. Marcus Majella novamente assume o protagonismo, mantendo a personalidade exagerada do personagem sem deixar de lado o lado mais afetivo da história. Ao seu redor, o elenco ajuda a construir aquele ambiente de família em que cada pessoa tem uma maneira diferente de lidar com os problemas e, naturalmente, ninguém consegue ficar muito tempo longe de uma confusão. A direção mantém o tom acessível dos filmes anteriores e aposta em uma comédia que procura funcionar tanto para as crianças quanto para os adultos que chegam ao cinema acompanhando os pequenos. Em uma época em que as comédias brasileiras buscam recuperar espaço nas salas, o retorno de uma franquia já conhecida também tem um significado especial. A proposta é reencontrar personagens que o público já conhece, acrescentar novas situações e deixar que o humor nasça das relações familiares e das trapalhadas de Tony. Para quem procura uma sessão leve, sem grandes complicações e com aquele espírito de programa para toda a família, pode ser uma boa escolha. A classificação indicativa é para 6 anos.
A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Hope – O Primeiro Impacto, filme que marca o retorno de Na Hong-jin, um dos nomes mais particulares do cinema de gênero sul-coreano. Dez anos depois de O Lamento, o diretor volta à tela grande com uma produção de escala muito maior, mas sem abandonar a combinação de tensão, violência e comportamento humano extremo que marcou sua filmografia. Desta vez, porém, ele leva essa linguagem para o terreno da ficção científica, colocando uma pequena comunidade diante de uma ameaça de origem desconhecida. A história se passa na remota Hope Harbor, onde o aparecimento de uma criatura misteriosa mobiliza a polícia e um grupo de moradores. Enquanto o chefe de polícia Bum-seok e a agente Sung-ae tentam proteger a população, Sung-ki e outros habitantes partem para as montanhas em busca daquilo que consideram uma ameaça. O problema é que a caçada rapidamente muda de direção e os caçadores passam a ser perseguidos. A partir daí, Na Hong-jin constrói uma situação de sobrevivência em que o perigo externo é apenas parte do problema. O medo, a desconfiança e as diferentes reações diante do desconhecido passam a ser tão importantes quanto a própria criatura. É justamente nesse ponto que a experiência anterior do diretor se torna importante. Em The Chaser, O Lamento e The Yellow Sea, Na Hong-jin sempre demonstrou interesse por personagens submetidos a situações-limite e por histórias nas quais a violência vai se tornando progressivamente mais caótica. Em Hope, ele transporta essa característica para uma narrativa de ficção científica que mistura suspense, ação, horror e até momentos de humor, ampliando consideravelmente a escala de sua proposta. A parte técnica também chama atenção. A fotografia de Hong Kyung-pyo, colaborador conhecido do cinema sul-coreano, trabalha com uma atmosfera que alterna o isolamento da vila e a ameaça das montanhas, enquanto o desenho de som e a trilha de Michael Abels ajudam a transformar a presença da criatura em uma fonte constante de tensão. O elenco reúne Hwang Jung-min, Zo In-sung e Hoyeon ao lado de Michael Fassbender, Alicia Vikander e Taylor Russell, criando uma produção que combina atores sul-coreanos e internacionais em uma mesma narrativa. Com cerca de 2h40 de duração, Hope não parece interessado em entregar simplesmente mais uma história de monstros. A criatura é o ponto de partida para uma narrativa sobre medo, ignorância, conflito e as consequências de tentar compreender aquilo que escapa ao controle humano. Apresentado em competição no Festival de Cannes, o filme representa uma mudança de escala para Na Hong-jin sem significar necessariamente uma ruptura com o cinema que construiu sua reputação. Para quem acompanha o diretor, é uma oportunidade de observar como sua linguagem funciona dentro de um gênero muito mais amplo. Para quem chega apenas pela promessa de ficção científica e horror, pode encontrar algo bem menos convencional do que um simples filme de criaturas. A classificação indicativa e para 16 anos.
De volta aos cinemas de Nova Friburgo em sessões especiais pelos 20 anos de lançamento, Carros é uma boa oportunidade para rever um dos grandes sucessos da Pixar. A animação acompanha Relâmpago McQueen, um jovem carro de corrida que está acostumado a pensar apenas em velocidade e vitória, mas acaba ficando preso em Radiator Springs, uma pequena cidade da Rota 66. Longe das pistas, ele conhece personagens que mudam sua maneira de enxergar a vida, as amizades e até mesmo o significado de ser um campeão. Uma aventura divertida e nostálgica que continua funcionando muito bem duas décadas depois. Livre para todas as idades.
Se você gosta de séries que começam com uma situação aparentemente simples e pouco a pouco revelam algo muito mais sombrio, Inside Man é uma boa opção para assistir em casa. A minissérie da Netflix acompanha um prisioneiro no corredor da morte, um vigário de uma pequena cidade inglesa e uma jornalista que acabam envolvidos em uma sequência de acontecimentos improváveis, ligados por um crime que parece não ter qualquer relação entre eles. Criada por Steven Moffat, de Sherlock e Doctor Who, a produção combina suspense, humor ácido e dilemas morais para explorar até onde uma pessoa pode ir quando uma decisão aparentemente pequena desencadeia consequências cada vez maiores. Stanley Tucci, David Tennant, Dolly Wells e Lydia West formam o elenco principal e sustentam uma história construída muito mais em torno dos personagens e de suas escolhas do que de grandes cenas de ação. Com apenas quatro episódios, Inside Man é uma alternativa interessante para quem procura uma série curta, inteligente e cheia de reviravoltas.











