Filmes da semana de 11/06 a 17/06

11/06/2026 13:20:55
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Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo, Dia D. O cineasta Steven Spielberg retorna ao gênero que ajudou a definir ao longo de sua carreira para contar uma história que mistura mistério, paranoia coletiva e fascínio pelo desconhecido. O resultado é um filme que conquista ao resgatar o fascínio pelo desconhecido que marcou clássicos do diretor, embora encontre dificuldades quando tenta equilibrar suas ambições filosóficas com as exigências de um blockbuster contemporâneo. O grande trunfo da produção está na forma como Spielberg constrói a sensação de inquietação. Em vez de apostar imediatamente em grandes revelações, o diretor prefere alimentar a curiosidade do público através de eventos estranhos, transmissões misteriosas e uma crescente sensação de que algo está prestes a mudar para sempre. A narrativa utiliza o medo do desconhecido não como ferramenta de terror, mas como combustível para a imaginação. Visualmente, o filme impressiona. A fotografia alterna entre a grandiosidade dos cenários urbanos e a intimidade de ambientes fechados, reforçando o contraste entre uma crise global e os dramas pessoais de seus protagonistas. O trabalho de som merece destaque especial. Ruídos eletrônicos, silêncios prolongados e transmissões interrompidas criam uma atmosfera constante de expectativa, fazendo com que o espectador compartilhe a ansiedade dos personagens diante de uma verdade que pode alterar completamente a compreensão da humanidade sobre si mesma. O elenco entrega performances consistentes. Emily Blunt sustenta boa parte do peso dramático da narrativa ao interpretar uma mulher dividida entre a racionalidade e a necessidade de aceitar algo que desafia todas as explicações convencionais. Sua atuação encontra equilíbrio entre vulnerabilidade e determinação, funcionando como a principal âncora emocional da história. Josh O’Connor e Colin Firth complementam bem o elenco, contribuindo para o clima de incerteza que permeia toda a trama. O filme também se beneficia do olhar humanista característico de Spielberg. Mesmo diante de um evento capaz de impactar bilhões de pessoas, a narrativa nunca perde de vista os indivíduos afetados por essa transformação. A preocupação do diretor não está apenas em mostrar o espetáculo, mas em explorar como diferentes pessoas reagem quando confrontadas com algo maior do que elas próprias. A engrenagem começa a apresentar algumas limitações, porém, na reta final. À medida que a história se aproxima de suas respostas, parte do mistério construído ao longo do percurso perde força. Algumas explicações surgem de forma acelerada, enquanto determinados conflitos emocionais recebem soluções excessivamente simples para a complexidade que havia sido estabelecida anteriormente. Em alguns momentos, o roteiro parece dividido entre manter o fascínio pelo desconhecido ou oferecer respostas mais concretas ao público. Ainda assim, Dia D se consolida como uma experiência cinematográfica envolvente e um retorno competente de Spielberg à ficção científica. Mesmo sem atingir o impacto de alguns dos grandes clássicos do diretor, o longa demonstra que poucos cineastas contemporâneos sabem combinar espetáculo visual, emoção e reflexão com a mesma habilidade. É um filme que provoca curiosidade, alimenta discussões e lembra por que Spielberg continua sendo uma das vozes mais importantes do cinema mundial. Vale o ingresso, e a classificação indicativa é para maiores de 12 anos.

Outra estreia desta semana nos cinemas é Trago Seu Amor. Misturando leveza e uma pitada de fantasia, o cinema nacional ganha uma nova e charmosa opção de comédia. Nesse filme, o público é convidado a mergulhar em uma história que usa o misticismo urbano para falar sobre o descontrole dos sentimentos. O resultado é um longa que brilha intensamente ao abraçar o carisma de sua premissa e a energia de seu público-alvo, embora balance um pouco quando tenta se enquadrar nas fórmulas engessadas e previsíveis das comédias românticas. O grande acerto da produção está na forma como a narrativa constrói o universo de Mia, uma jovem bruxa moderna. Longe de buscar efeitos visuais grandiosos, a fotografia do Rio de Janeiro foca em cores quentes e em uma atmosfera vibrante, jogando o espectador diretamente na rotina mágica e comercial da protagonista. O primeiro ato tem um ritmo rápido e estabelece as regras desse mundo onde poções e feitiços amorosos convivem com boletos e redes sociais. A trilha sonora e o design de produção criam uma sintonia descontraída que alterna entre o humor das situações cotidianas e o romantismo dos encontros, estabelecendo uma experiência leve que dita o tom. A reconstrução dos cenários urbanos e a direção de arte evitam a caricatura plástica. Há um cuidado evidente na criação dos detalhes visuais, onde os amuletos, as roupas modernas e a iluminação acolhedora funcionam para aproximar a fantasia da nossa própria realidade. O elenco entrega performances excelentes, equilibrando o enorme desgaste físico das cenas de humor com uma profunda vulnerabilidade emocional. Giovanna Grigio se destaca ao fugir do arquétipo da protagonista perfeita. Ela apostou em caras e bocas cheias de expressividade para transmitir as inseguranças e o egocentrismo de Mia. No elenco de apoio temos atores como Jê Soares e Diego Martins que funcionam muito bem, além das participações pontuais e carismáticas de Lorena Comparato e Cauã Reymond. No terço final, porém, quando o filme cede ao tradicional apelo melodramático do gênero e às pressões de mercado para agradar a audiência de massa, é quando os problemas aparecem. A atmosfera de fábula moderna e divertida estabelecida na primeira metade acaba diluída por um roteiro que, em determinados momentos, sente a necessidade de explicar demais os sentimentos e de sublinhar a lição de moral sobre o livre-arbítrio. É justamente nessa pressa de amarrar pontas emocionais que a direção de Claudia Castro abre espaço para ganchos narrativos previsíveis e soluções rápidas demais para os conflitos gerados pelo feitiço. O clímax se rende a certas convenções do cinema de entretenimento puro, empobrecendo a leveza e a espontaneidade que o filme vinha sustentando. Ainda assim, Trago Seu Amor se consolida como uma experiência divertida e um testamento da boa capacidade do audiovisual brasileiro em criar histórias jovens e criativas. A diretora sabe como extrair humanidade e carisma de tramas despretensiosas. Pode ser uma boa escolha para o período do Dia dos Namorados.. Vale o ingresso, e a classificação indicativa é para maiores de 12 anos.

Mais uma estreia nos cinemas esta semana em Nova Friburgo é Eu & Você na Toscana. Nesse filme a premissa utiliza o clássico choque cultural e a jornada de autodescoberta para falar sobre recomeços e conexões inesperadas. O longa se destaca ao capturar o charme de sua ambientação europeia, mas acaba se perdendo quando se rende às fórmulas conhecidas e muito utilizadas. A Itália que vemos na tela não serve apenas como fundo, mas sim como a engrenagem que faz o romance funcionar. Kat Coiro usa a iluminação dourada e o calor dos campos da Toscana para ditar o estado de espírito da própria protagonista, criando um ambiente acolhedor que envolve o público desde os primeiros minutos. Em vez de perder tempo com introduções arrastadas, a narrativa nos joga direto no cotidiano confuso da personagem e, logo em seguida, na sua partida. Essa transição rápida ganha muito ritmo graças à combinação cuidadosa entre os sons locais e uma trilha instrumental leve, que prepara o terreno para as idas e vindas do casal. A reconstrução cenográfica evita parecer um mero comercial de turismo. Há um cuidado perceptível em valorizar a arquitetura local, os jantares ao ar livre e as estradas sinuosas, elementos que funcionam para dar uma sensação tátil de conforto e realidade ao público. O elenco sustenta o filme com carisma, entregando atuações que equilibram bem a leveza do gênero com momentos de sincera vulnerabilidade. A protagonista convence ao mostrar as inseguranças de uma mulher tentando se reencontrar no mundo, enquanto figuras locais são cativantes e garantem o alívio cômico e dão ritmo à narrativa. A química entre o casal principal é o motor que segura o interesse da audiência. O ritmo começa a quebrar, no entanto, na transição para a parte final, quando a narrativa cede às exigências de mercado e às pressões por um desfecho padrão. A atmosfera descompromissada e charmosa que ditava o início do filme acaba enfraquecida por um roteiro que decide explicar os traumas do passado e forçar mal-entendidos artificiais para gerar drama. É justamente nessa pressa de encaminhar a história para o final feliz que o desenvolvimento dos personagens perde espaço para clichês românticos batidos e soluções fáceis demais para os conflitos que haviam sido criados. O que temos é a entrega às convenções do gênero, empobrecendo a naturalidade que vinha sendo construída. A diretora Kat Coiro demonstra competência em extrair beleza e simpatia de uma trama despretensiosa, mesmo sem arriscar muito. Resumindo, é uma obra visualmente bonita e simpática, mas que não se arrisca muito. Vale o ingresso, e a classificação indicativa é para maiores de 12 anos.

Estreia também nos cinemas esta semana em Nova Friburgo, Hit Para Dois. John Carney volta a apostar na sua maior especialidade: contar histórias onde a música não é apenas um adereço, mas a linguagem pela qual os personagens conseguem expressar o que a fala não dá conta. O filme cativa imediatamente ao trazer aquela energia crua e apaixonante das composições independentes, embora acabe perdendo um pouco da sua força quando se vê obrigado a seguir os caminhos mais previsíveis do cinema comercial. A narrativa opta por nos colocar direto na intimidade dos ensaios e das conversas de bar, fazendo com que o espectador se sinta parte do processo de criação de uma banda. A fotografia foge completamente do visual de videoclipe artificial. Ela prefere capturar a textura das ruas cinzentas, o calor dos pequenos estúdios e a fumaça dos pubs, gerando uma atmosfera íntima e acolhedora. Toda a evolução da história se dá através das canções, que funcionam como os verdadeiros pontos de virada do roteiro. As letras e os arranjos se misturam aos diálogos de forma tão fluida que a transição entre a fala e o canto parece a coisa mais natural do mundo. O grande mérito do filme está na verdade que o elenco transmite em cena. Longe de interpretar artistas perfeitos e inalcançáveis, os protagonistas defendem personagens repletos de falhas, inseguranças e frustrações profissionais. A atuação de Paul Rudd brilha ao equilibrar o carisma natural com aquele olhar cansado de quem já colecionou muitas decepções na indústria fonográfica. O grupo de músicos coadjuvantes garante o alívio cômico, construindo uma cumplicidade de estúdio que convence o público de que aquela parceria é real. O que prende a atenção é justamente a troca artística e o amadurecimento mútuo, deixando o romance em um saudável segundo plano. Mais uma vez, o roteiro perde um pouco de sua personalidade na reta final, momento em que a espontaneidade abre espaço para os velhos clichês de superação e as exigências típicas de um encerramento de estúdio. Aquela abordagem despretensiosa e sincera dos primeiros blocos acaba sendo atropelada pela necessidade de entregar resoluções fáceis para os conflitos e discursos um tanto mastigados sobre seguir os seus sonhos. A pressa em amarrar o destino de todos os núcleos faz com que as últimas cenas pareçam convenientes demais, quebrando o realismo urbano que vinha sendo o ponto forte da obra. Carney reforça que sabe extrair muita sensibilidade de tramas focadas em paixões artísticas. Mesmo com as concessões óbvias feitas para garantir um final feliz confortável e comercial, o longa entrega momentos musicais inspiradores e uma energia contagiante. Vale o ingresso, e a classificação indicativa é para maiores de 16 anos.

A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é O Poder do Rosário. O diretor Tiago Benetti entendeu muito bem o que o seu público busca: não se trata de assistir a um espetáculo de efeitos ou grandes reviravoltas, mas de encontrar na tela o reflexo das próprias dores, dúvidas e crises familiares. O filme acerta ao colocar o espectador sentado na sala de estar de pessoas comuns, lidando com desemprego, luto e casamentos desgastados, mostrando que a vulnerabilidade humana é o primeiro passo para a busca pelo sagrado. O diferencial aqui é como o silêncio e as cenas de oração ganham peso. Em vez de correr com a câmera, a direção filma os momentos de terço na mão com calma, criando uma atmosfera de recolhimento que convida a própria plateia do cinema a rezar junto. A escolha de um elenco que aposta na simplicidade ajuda a humanizar os dilemas. Os atores não parecem santos inalcançáveis, mas sim vizinhos da paróquia que estão tentando redescobrir o caminho da conversão. As músicas religiosas entram no momento certo para acolher o espectador e reforçar o tom de pregação. O filme só perde um pouco do seu equilíbrio quando tenta acelerar as respostas para os problemas da vida real. Como a intenção da obra é dar um testemunho claro e pedagógico sobre a eficácia da oração, os nós mais complexos da história acabam se desatando rápido demais, com milagres e reconciliações que parecem fáceis ou convenientes para quem assiste de fora. Ainda assim, para o público-alvo, essa pressa em fechar o ciclo com esperança é justamente o remédio que conforta e renova as forças. Tiago Benetti entrega um projeto de nicho honesto, respeitoso e profundamente conectado com a devoção mariana, cumprindo o papel de evangelizar através da arte. É uma escolha que vai muito além do entretenimento e estende a sua mensagem para a vida diária dos fiéis. Vale o ingresso, e a classificação indicativa é para maiores de 16 anos.

Esta semana temos ainda o relançamento de A Saga Crepúsculo: Eclipse. Essa é uma iniciativa que se justifica não apenas pela celebração da memória afetiva, mas pela oportunidade única de reavaliar, na tela grande, o capítulo tecnicamente mais cinematográfico de toda a franquia. O longa de 2010 equilibra o melodrama juvenil com a urgência de um thriller de ação e horror gótico, entregando uma paleta fria e sequências de combate com um peso tátil que se perdem totalmente nas telas de casa. É interessante testemunhar o amadurecimento nítido de Kristen Stewart e Robert Pattinson em performances mais introspectivas, além de imergir na icônica e cirúrgica trilha sonora indie que marcou a cultura pop. Assistir a esta produção no ambiente para o qual ela foi projetada é a chance perfeita para os fãs matarem a saudade com máxima imersão e, para os entusiastas, uma oportunidade de enxergar um fenômeno de bilheteria despido do ruído midiático da época, revelando um exercício de gênero comercial conduzido com surpreendente segurança técnica.

Com o início da Copa do Mundo, a dica desta semana vai para Isto é Futebol. Disponível na Prime Video, a série foge dos clichês táticos para mostrar por que o esporte é o maior fenômeno social do planeta. Dividida em episódios temáticos, como fé, orgulho e redenção, a série documental explora o impacto da bola no tecido humano. Desde a reconstrução de Ruanda após o genocídio até o brilho genial de Lionel Messi, a produção entrega histórias reais que transbordam emoção. Esqueça os lances plásticos e os placares, o foco aqui é a paixão avassaladora capaz de unir nações e transformar realidades. Essa é uma obra sensível, com fotografia impecável, indispensável para quem gosta de futebol.

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