Filmes da semana de 18/06 a 24/06

18/06/2026 13:13:48
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A única estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo Toy Story 5, o novo capítulo da franquia que não apenas fundou o império da Pixar, mas redefiniu os rumos da animação global ao abrir as cortinas para a era digital há mais de três décadas. O retorno a esse universo evoca, inevitavelmente, uma complexa discussão geracional. O longa se equilibra na corda bamba entre dialogar com os adultos que cresceram descobrindo o cinema através de Woody e Buzz e capturar a atenção de uma nova infância, moldada por estímulos digitais imediatos. O resultado é uma produção tecnicamente impecável, que consegue resgatar a essência emocional da marca, embora carregue o fardo visível das pressões de mercado de Hollywood. O grande mérito do filme está na coragem de encarar o choque geracional de frente. Em vez de repetir a fórmula do desapego que encerrou o terceiro e o quarto filme, o roteiro mergulha na era da hiperconectividade. A narrativa coloca os brinquedos tradicionais em rota de colisão com os novos rivais: as telas, os algoritmos e o desinteresse precoce do público infantil contemporâneo. Essa premissa serve como uma metalinguagem afiada sobre o próprio cinema de animação atual, onde os grandes estúdios frequentemente priorizam caminhos mais fáceis apostando em sequências seguras e fórmulas saturadas em detrimento do risco criativo que consagrou a Pixar nos anos 1990. Visualmente, a produção atinge o ápice do fotorrealismo, criando um contraste fascinante com o design caricato e carismático de seus protagonistas. A textura do plástico desgastado de Buzz, as costuras de Woody e a iluminação digital dos novos dispositivos eletrônicos criam uma profundidade estética impressionante. A direção de arte brilha ao construir cenários que parecem gigantescos e ameaçadores sob a perspectiva dos brinquedos, transformando uma simples sala de estar moderna em um labirinto tecnológico hostil. O elenco de dublagem na versão brasileira entrega o habitual trabalho de excelência, mantendo a bagagem dramática acumulada ao longo de trinta anos. A dinâmica entre os personagens veteranos evoca uma melancolia confortável. Há um peso na atuação vocal que lembra ao espectador o valor do tempo e da lealdade. Ao mesmo tempo, os novos antagonistas virtuais trazem uma energia caótica que injeta ritmo à animação. O roteiro, contudo, mostra sinais de desgaste em sua estrutura de road movie. Pela quinta vez, a trama depende de uma jornada de resgate e de separação geográfica para mover os personagens, uma escolha que soa previsível para quem acompanha a saga desde o início. A busca por soluções narrativas mais fáceis e palatáveis para o público de massa se torna evidente no segundo ato, onde algumas subtramas são resolvidas através de piadas rápidas e sequências de ação genéricas, enfraquecendo o subtexto filosófico sobre a obsolescência e o amadurecimento que vinha sendo construído. Ainda assim, Toy Story 5 prova que, mesmo operando sob a lógica comercial implacável dos dias de hoje, os brinquedos da Pixar ainda possuem alma. A animação pode não ter o frescor revolucionário de 1995 ou o impacto devastador do desfecho de 2010, mas se consolida como uma obra divertida, visualmente deslumbrante e honesta em suas reflexões sobre o envelhecimento. É um lembrete afetuoso de que, independentemente de telas e algoritmos, boas histórias humanas nunca perdem a relevância. Vale muito o ingresso, e a classificação indicativa é livre para maiores de 6 anos.

A dica desta semana para assistir em casa vai para Eu Vou Te Encontrar. Essa minissérie já disponível no catálogo da Netflix é estrelada por Sam Worthington e a produção adapta mais uma obra do escritor Harlan Coben, reconhecido por sua habilidade em arquitetar bons suspenses psicológicos. A narrativa mergulha o espectador em uma teia complexa de segredos familiares e desaparecimentos misteriosos, onde cada resposta obtida serve apenas para abrir caminho para novas interrogações. É uma escolha certeira para quem aprecia tramas dinâmicas, que desafiam a intuição e sustentam a tensão através de reviravoltas engenhosas até o último minuto.

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