Filmes da semana de 28/05 a 03/06

28/05/2026 12:42:05
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A única estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Backrooms: Um Não-Lugar. O diretor Kane Parsons, que chocou o audiovisual ao criar um universo viral e absurdamente tenso no YouTube quando era apenas um adolescente, faz sua transição para o formato de longa-metragem. O resultado é um filme que brilha intensamente ao explorar a angústia dos espaços liminares, mas tropeça quando tenta se comportar como um blockbuster tradicional de Hollywood. Ao contrário do terror convencional, que se apoia na escuridão, Parsons constrói o medo sob a luz clara, amarelada e incessante de um labirinto de escritórios abandonados. O roteiro mergulha direto na ação, acompanhando um grupo de cientistas e investigadores que acaba preso nessa anomalia dimensional. Não há tempo para grandes desenvolvimentos de personagem; o verdadeiro protagonista aqui é o próprio ambiente. O primeiro ato é impecável ao transmitir a sensação de desorientação completa com a repetição infinita de paredes texturizadas e carpetes úmidos. O grande trunfo da produção está no preciosismo estético. Parsons mantém a linguagem de found footage (filmagens encontradas) que o consagrou, simulando a textura pesada e nostálgica das fitas magnéticas dos anos 1980 e 1990. A direção de arte e a fotografia jogam com as perspectivas distorcidas, fazendo com que cada esquina daquele vazio pareça esconder uma ameaça. O trabalho de som merece destaque. O zumbido elétrico e hipnótico das lâmpadas fluorescentes se torna uma trilha sonora opressiva, interrompida apenas por passos ecoando ao longe, o que gera um desconforto constante e genuíno. Como o filme foca muito mais na opressão do ambiente do que no desenvolvimento individual, o elenco liderado por Jack Turner, Sarah Lin e David Alanson desempenha um papel predominantemente funcional. Os atores entregam performances naturais e contidas, o que combina perfeitamente com o tom da produção. O grande mérito do trio está na linguagem corporal. O cansaço físico progressivo e o olhar de desespero diante daquele labirinto interminável conseguem traduzir com realismo o esgotamento psicológico dos personagens, ajudando o público a criar empatia por aquela situação absurda. A engrenagem começa a falhar, no entanto, quando o filme tenta ser didático. A atmosfera minimalista e enigmática que funcionava tão bem na internet acaba diluída no terço final por um roteiro que se sente obrigado a explicar a burocracia por trás dos experimentos e a origem das anomalias. É justamente nessa pressa de dar respostas que o suspense psicológico abre espaço para perseguições genéricas e aparições de criaturas digitais que quebram o realismo cru estabelecido até ali. O clímax se rende a convenções comerciais e ganchos para sequências, empobrecendo o desfecho. Ainda assim, o filme se consolida como uma experiência sensorial fascinante e inovadora para o gênero. Parsons prova que tem um domínio estético incomum e sabe como extrair pavor do vazio absoluto. Apesar das concessões feitas para o formato de cinema comercial, é uma obra visualmente magnética e perturbadora. Vale o ingresso e a classificação indicativa é para maiores de 16 anos.

A dica desta semana para assistir em casa vai para Socorro!. Recém-chegado ao catálogo do Disney+ e sob o comando cirúrgico de Sam Raimi, o filme subverte as regras das tramas de isolamento ao investir em uma linguagem visual sufocante, onde a montagem e o som ditam o ritmo do esgotamento dos personagens. O roteiro foge do óbvio ao transferir as dinâmicas de poder e os abusos do ambiente corporativo para o cenário hostil de uma ilha deserta, criando um embate psicológico fascinante entre os sobreviventes. Na liderança do elenco, Rachel McAdams entrega uma atuação visceral e magnética, que transita perfeitamente entre a vulnerabilidade e a frieza estratégica. É um estudo sobre o colapso das hierarquias e da civilidade diante do puro instinto de sobrevivência. Contando ainda com uma performance crua de Dylan O’Brien, o filme é uma pedida certeira para quem procura um thriller inteligente, ágil e com pitadas de humor cínico.

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