A única estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Mortal Kombat 2. Essa é uma sequência que consolida o esforço do diretor Simon McQuoid em transformar a brutalidade dos videogames em um épico de fantasia marcial com escala de blockbuster. Se o longa de 2021 funcionou como um prólogo tímido, esta continuação mergulha sem reservas na mitologia de Outworld, provando que a franquia encontrou seu tom ao equilibrar o fan service com uma estrutura técnica muito mais robusta. O roteiro de Jeremy Slater acerta ao expandir as fronteiras do universo, substituindo a jornada de descoberta do primeiro filme por um conflito político e místico de proporções globais, em que o destino da Terra não é apenas uma regra de torneio, mas uma questão de sobrevivência contra a expansão de um império. O grande destaque do elenco é a entrada de Karl Urban como Johnny Cage. Urban domina a tela com um carisma ácido, injetando uma dose necessária de humanidade e humor em um ambiente dominado por deuses e ninjas. Sua presença serve como a âncora necessária para o espectador, enquanto personagens icônicos como Kitana e Shao Kahn elevam o nível de periculosidade da trama. Na parte técnica, McQuoid exibe uma evolução notável quanto às coreografias de luta, que abandonam a edição frenética e picotada do anterior em favor de planos mais abertos que valorizam o trabalho dos dublês e a plasticidade dos movimentos. A fotografia também ganha nova vida, trocando os cenários genéricos por uma paleta de cores saturadas e vibrantes que evocam a estética clássica dos jogos dos anos 90, mas com um polimento visual contemporâneo. Entretanto, o filme não está isento de falhas, tropeçando principalmente na sua ambição de abraçar todo o universo da franquia de uma só vez. A superpopulação de personagens resulta em figuras lendárias que, por vezes, são reduzidas a participações breves, funcionando mais como “peças de vitrine” do que como motores narrativos reais. Além disso, a insistência no protagonista Cole Young ainda gera um certo desequilíbrio, já que o personagem frequentemente não tem o mesmo peso histórico de figuras como Scorpion e Sub-Zero. Mortal Kombat 2 é, em última análise, um espetáculo de entretenimento que entende o seu nicho. É um filme sobre a resistência de uma marca que sobreviveu a décadas de adaptações duvidosas para finalmente encontrar uma identidade visual e narrativa digna das grandes telas. Vale o ingresso pela qualidade técnica e pela coragem de abraçar o absurdo com seriedade. A classificação indicativa é para maiores de 18 anos.
A dica desta semana para assistir em casa é O Assassino. Disponível na Netflix e sob a direção cirúrgica de David Fincher, o filme subverte o gênero de ação ao focar na rotina metódica e quase clínica de um matador profissional vivido por Michael Fassbender. O grande trunfo é a narrativa interna, que transforma o crime em um processo de gestão de riscos e eficiência logística, fugindo de clichês explosivos. Visualmente impecável, a obra utiliza uma fotografia dessaturada e uma trilha pulsante para construir uma tensão constante e minimalista. Com a presença magnética de Tilda Swinton, o longa é um exercício de estilo indispensável para quem aprecia rigor técnico e roteiros que privilegiam a execução de processos sobre a emoção barata.






