Filmes da semana de 14/05 a 20/05

14/05/2026 17:15:59
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Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Na Zona Cinzenta. Esse filme marca o retorno de Guy Ritchie a um território que ele domina com maestria: o submundo do crime organizado, mas agora sob uma lente de sofisticação técnica que remete aos seus melhores dias. Se em trabalhos recentes o diretor flertou com o cinema de gênero mais genérico, aqui ele consolida sua identidade visual através de uma narrativa fragmentada e diálogos afiados, transformando uma trama de assalto em um exercício de estilo e tensão constante. O roteiro, assinado pelo próprio Ritchie, abandona a linearidade em favor de um quebra-cabeça rítmico. O grande trunfo do texto é a capacidade de humanizar figuras moralmente ambíguas, equilibrando o cinismo característico do diretor com uma urgência emocional que mantém o espectador investido no destino dos protagonistas. O elenco, encabeçado por nomes como Henry Cavill e Jake Gyllenhaal, entrega performances seguras. Cavill, em especial, parece ter encontrado o tom perfeito para o humor seco de Ritchie, servindo como o contraponto ideal à intensidade física de Gyllenhaal. A montagem, elemento vital na filmografia de Ritchie, está mais precisa do que nunca, utilizando cortes rápidos que ditam o pulso da ação sem sacrificar a clareza espacial. A fotografia de Ed Wild opta por uma paleta sóbria, carregada de sombras e contrastes, que reforça o conceito da “zona cinzenta” do título, um lugar onde a ética é fluida e o perigo é onipresente. Entretanto, o longa não escapa de certos vícios do gênero. Em alguns momentos, a estilização excessiva de Ritchie pode parecer sobrepor-se à substância da trama, e o terceiro ato, embora explosivo, recorre a soluções narrativas que podem soar familiares para quem acompanha a carreira do cineasta. Além disso, a profusão de subtramas exige uma atenção redobrada do espectador para que as conexões finais não pareçam apressadas. Na Zona Cinzenta é, em última análise, um filme que reafirma Guy Ritchie como um dos grandes arquitetos do cinema de entretenimento inteligente. É uma obra que entende o valor da estética sem abrir mão do peso dramático, oferecendo uma experiência de imersão que vale o ingresso. A classificação Indicativa é para maiores de 14 anos.

Outra estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Authentic Games – No Império Desconectado. Diferente do que se poderia esperar de uma extensão de canal, o filme não se contenta em ser apenas um episódio longo, mas se impõe como uma experiência cinematográfica que utiliza a estética low-poly ( técnica que reduz o número de polígonos, resultando em gráficos estilizados) para discutir temas contemporâneos como a dependência tecnológica e a força dos laços analógicos. A narrativa subverte a zona de conforto dos personagens ao inseri-los em um cenário onde a facilidade digital é anulada. Esse apagão criativo funciona como o combustível para um roteiro que prioriza a inventividade em vez do simples uso de cheat codes. O desenvolvimento do protagonista reflete essa maturidade. Authentic deixa de ser apenas o avatar carismático para assumir um arco de liderança real, enfrentando o vilão não apenas com força, mas com estratégia e empatia. Visualmente, a produção surpreende ao extrair beleza da simplicidade geométrica. O trabalho de renderização e iluminação cria profundidade em cenários que, na tela do celular, pareceriam planos, conferindo ao “Império” do título uma imponência visual digna de uma aventura épica. A direção de animação consegue dar fluidez aos movimentos tradicionalmente rígidos desse universo, permitindo que as cenas de combate tenham um dinamismo que dialoga diretamente com o cinema de ação moderno. A animação peca pontualmente por uma certa autorreferência. Quem nunca entrou no servidor do Authentic pode se sentir um estranho no ninho em meio a piadas internas e participações especiais que dependem de bagagem prévia. No entanto, o carisma da produção é magnético o suficiente para superar o nicho. No Império Desconectado é uma prova de que a linguagem dos games, quando bem traduzida para o cinema, é capaz de gerar um entretenimento familiar de alta qualidade. É vibrante, pedagógico sem ser maçante e, acima de tudo, uma celebração da criatividade brasileira no cenário da animação digital. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 6 anos.
Estreia também esta semana nos cinemas Obsessão. Sob a direção de Curry Barker, o filme se afasta dos sustos fáceis (jump scares) para construir uma atmosfera de pavor latente que se infiltra na pele do espectador. Barker, conhecido por sua capacidade de extrair horror do cotidiano, utiliza esta obra para dissecar a linha tênue entre o cuidado e a possessão, entregando um estudo de personagem perturbador mascarado de suspense comercial. A trama não perde tempo com explicações redundantes. Ela se apoia em uma direção de arte minimalista e claustrofóbica, onde cada sombra parece esconder uma intenção distorcida. O roteiro é um exercício de contenção. As informações são entregues a conta-gotas, forçando o público a montar um quebra-cabeça emocional onde ninguém é inteiramente inocente. O destaque absoluto vai para a performance central, que transita entre a vulnerabilidade e o maníaco com uma naturalidade que causa um desconforto físico em quem assiste. O filme é um triunfo do cinema de baixo orçamento bem executado. A fotografia utiliza planos fechados e uma profundidade de campo reduzida para simular a sensação de que as paredes estão se fechando sobre os personagens. A sonorização merece uma menção à parte, o silêncio é usado como arma, interrompido apenas por ruídos diegéticos que amplificam a paranoia. É uma aula de como criar tensão sem precisar de efeitos visuais extravagantes. O elenco é o verdadeiro motor da tensão, ancorado por uma atuação visceral de Daisy Head, que transita com precisão entre a fragilidade e o terror psicológico. Ela é acompanhada por Curry Barker, que além de dirigir, entrega uma presença de tela inquietante, mantendo o espectador em constante estado de alerta. A química distorcida entre os personagens evita os clichês do gênero, focando em expressões minimalistas e olhares que dizem mais que o roteiro. É um trabalho de interpretação cru, que prioriza o desconforto humano em vez de performances caricatas. Embora o ritmo possa parecer lento para quem busca uma ação mais frenética, a cadência é proposital. O filme exige paciência para que o clímax, seco e impactante, cumpra seu papel. O único deslize talvez resida em algumas subtramas que servem apenas para esticar o mistério, mas que não tiram o brilho da conclusão inevitável e sombria. Obsessão é um filme para quem gosta de sair do cinema com a sensação de que foi observado. É um cinema inteligente que reafirma Curry Barker como um nome a ser vigiado de perto na nova safra do terror psicológico. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 18 anos.

A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é O Gênio do Crime. Lipe Binder traz uma releitura vibrante de O Gênio do Crime, transformando o clássico de João Carlos Marinho, em um thriller de investigação que não subestima seu público. O filme se destaca por abandonar o tom puramente infantojuvenil em favor de uma estética de “filme de assalto”, onde o raciocínio lógico e a observação de pistas ditam o ritmo de uma montagem ágil, quase frenética, que mantém a adrenalina em alta do início ao fim. O roteiro moderniza a trama sem perder a essência do mistério original. Binder utiliza a arquitetura urbana como um personagem vivo, transformando esconderijos e becos em um tabuleiro de xadrez onde cada movimento conta. A direção técnica opta por ângulos de câmera criativos e uma saturação de cores que remete aos quadrinhos policiais, criando um visual estilizado que diferencia a obra de qualquer outra produção nacional recente do gênero. O elenco é o coração desta produção, a química entre os jovens protagonistas, liderados por um talentoso elenco mirim, é autêntica e carrega o peso emocional da amizade sob pressão. A presença de nomes veteranos como Herson Capri e Bukassa Kabengele no núcleo dos vilões, traz o contraponto de periculosidade necessário, entregando atuações que equilibram o carisma e a ameaça sem cair no caricato. O trabalho de interpretação foca na esperteza e na agilidade, tornando os personagens extremamente relacionáveis. Embora o filme flerte com algumas convenções do cinema de ação, ele se sustenta pela originalidade. O filme prioriza o raciocínio em vez de cenas de ação gratuitas, resultando em uma estrutura narrativa que tenta dialogar tanto com o público fiel ao material original quanto com os novos espectadores. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 12 anos.

Esta semana temos em Nova Friburgo a reestreia da franquia Top Gun às telonas. O Cine Show, no Friburgo Shopping, preparou uma programação especial que celebra os 40 anos do clássico de 1986, Ases Indomáveis, permitindo que o público friburguense reviva a adrenalina de Maverick e Goose com som e imagem remasterizados. Para completar a experiência, o aclamado Top Gun: Maverick também ganha sessões de relançamento, oferecendo a chance de testemunhar as manobras aéreas que impressionaram neste filme de 2022. É uma oportunidade rara de fazer uma maratona cinematográfica, unindo a nostalgia dos anos 80 à tecnologia de ponta do cinema atual. As sessões ocorrem em horários variados, garantindo que todos possam conferir esses dois marcos da ação na escala que eles merecem: a tela grande do cinema. Prepare a pipoca e garanta seu lugar.

A dica desta semana para assistir em casa vai para Brasil 70: A Saga do Tri. Disponível na Netflix, esta minissérie com 6 episódios é um exercício primoroso de restauração histórica que transcende o campo de jogo. O grande triunfo da produção reside no tratamento das imagens de arquivo, que recebem um polimento visual capaz de capturar a plasticidade do futebol de Pelé e companhia com uma nitidez surpreendente para os padrões da época. No roteiro, a narrativa evita a hagiografia simplista ao contextualizar o sucesso esportivo no nebuloso cenário político da ditadura militar, criando um contraste necessário entre a euforia popular e o pragmatismo do poder. A montagem é rítmica, alternando depoimentos atuais com uma sonorização imersiva que transporta o espectador para o México de 1970. É uma obra essencial para entender como a construção do “país do futebol” foi forjada sob tensão. A produção é da O2 Filmes e conta com nomes de peso como Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo, Marcelo Adnet entre muitos outros. É uma boa escolha para quem busca compreender como o futebol e a identidade nacional se fundiram em mais um momento complexo do Brasil.

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