Filmes da semana de 21/05 a 27/05

21/05/2026 13:30:51
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Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo Star Wars: O Mandaloriano e Grogu. O filme marca o aguardado retorno da franquia Star Wars para as telas grandes, provando que o diretor Jon Favreau sabe exatamente como criar o visual grandioso que o cinema exige. Afastando-se do ritmo da série do Disney+, o longa funciona como uma aventura espacial clássica, resgatando o estilo de faroeste que os fãs tanto gostam, mas com muito mais qualidade técnica. O roteiro, escrito por Favreau e Dave Filoni, acerta ao focar na relação entre Din Djarin e o pequeno Grogu. Em vez de se perder em mistérios para o futuro da saga, a história transforma o carinho de pai e filho no verdadeiro coração do filme, trazendo muita emoção e urgência diante de uma nova ameaça imperial. No elenco, Pedro Pascal brilha mesmo sem mostrar o rosto, transmitindo cansaço e proteção apenas com a voz e os movimentos do corpo. Grogu também ganhou melhorias nos seus efeitos práticos, mostrando expressões ainda mais fofas e realistas. Na parte técnica, o filme se destaca pelo ritmo ágil. As cenas de ação, como as batalhas espaciais e as lutas, são muito bem filmadas e fáceis de acompanhar, sem aquela bagunça visual de outros filmes atuais. A fotografia também acertou ao trocar o excesso de cenários virtuais por locações reais, o que deixa o universo de Star Wars com uma textura muito mais bonita e natural. Porém, o filme não fica livre dos velhos problemas de estúdio. Em vários momentos, o roteiro parece dar voltas para justificar sua duração nos cinemas. O ritmo do meio do filme é interrompido por muitas aparições surpresas de outros personagens da saga. Embora essas participações agradem aos fãs mais antigos, elas parecem encaixadas à força e não ajudam a história a andar. Por causa desse foco em agradar o público com nostalgia, o vilão principal acabou ficando de lado, sem um desenvolvimento profundo. Ele funciona apenas como um obstáculo final, fazendo com que o encerramento do filme pareça um pouco previsível e corrido. Apesar disso, O Mandaloriano e Grogu é um ótimo retorno da saga aos cinemas. É uma obra que respeita o passado, diverte e entrega um visual impressionante combinado com uma história emocionante. Vale o ingresso e a classificação indicativa é para maiores de 14 anos.

Outra estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Passageiro do Mal. Para quem acompanha a carreira do diretor André Ovredal, conhecido pelo excelente A Autópsia e por A Última Viagem do Deméter, a expectativa era de uma atmosfera sufocante e um uso inteligente do suspense. De fato, o cineasta cumpre parte dessa promessa, mas entrega um resultado que oscila entre o terror psicológico refinado e os clichês mais batidos do gênero. Em vez de focar na jornada emocional dos personagens, a narrativa se constrói quase como um pesadelo em tempo real. O roteiro acompanha uma viagem de carro que rapidamente se transforma em uma armadilha sobrenatural. Ovredal gasta pouco tempo com explicações ou introduções demoradas, jogando o espectador direto no banco de trás junto com os protagonistas. Essa escolha dá um ritmo tenso e direto ao primeiro ato, onde o medo do desconhecido dita as regras. O grande acerto do longa está na sua construção técnica, especialmente no uso do espaço. O diretor consegue transformar o interior do veículo em um ambiente completamente claustrofóbico. A fotografia trabalha de forma brilhante com a escuridão da estrada, usando apenas os faróis do carro e a iluminação fraca do painel para criar sombras ameaçadoras. O design de som também é impecável. Cada barulho do motor, o vento forte do lado de fora e os silêncios repentinos aumentam o desconforto e preparam o público para os sustos. O elenco entrega atuações corretas e realistas, o que ajuda a sustentar o clima de desespero. O sofrimento dos atores diante das situações bizarras da viagem é convincente e gera uma boa dose de empatia. Os efeitos visuais, misturando maquiagem prática com retoques digitais nas aparições, funcionam muito bem e garantem momentos genuínos de arrepio na primeira metade da projeção. Contudo, a estrutura do filme começa a ruir quando precisa entregar respostas. O roteiro, que começou tão instigante, perde a força no terço final ao recorrer a explicações confusas sobre a origem da força maligna. Para piorar, o filme se rende aos famosos jump scares, aqueles sustos barulhentos e previsíveis, abandonando o suspense psicológico que havia construído com tanto cuidado. A pressa em resolver o mistério faz com que o desfecho pareça artificial e menos impactante do que o início prometia. No balanço geral, Passageiro do Mal é um exercício de estilo muito competente no terror de isolamento, mostrando que André Øvredal ainda sabe como reger a tensão dentro de quatro paredes (ou quatro portas). Mesmo tropeçando em um final genérico e em soluções fáceis, o filme entrega uma experiência visualmente rica e desconfortável o suficiente para prender a atenção. Vale sim o ingresso e a classificação indicativa é para maiores de 16 anos.

A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Hokum: O Pesadelo da Bruxa. Ao assistir a esse filme, você vai perceber logo nos primeiros minutos a assinatura marcante do diretor Damian McCarthy. A proposta aqui não é dar sustos fáceis com barulhos repentinos, mas sim sufocar o público através de uma atmosfera pesada que testa a paciência e os nervos do espectador, focando na paranoia que consome uma comunidade isolada após a quebra de um pacto antigo. A sensação de isolamento é o que dita o tom da experiência, impulsionada por escolhas técnicas muito precisas. A fotografia é um deslumbre para os fãs de um terror mais artístico, inundando a tela com tons cinzentos, uma névoa densa e uma escuridão real, iluminada apenas por velas e luz natural. Esse cuidado com a direção de arte se espalha para o design de som do filme, preenchido por sussurros e instrumentos de corda que parecem arranhar o cérebro de quem está assistindo, criando um desconforto constante que prende a atenção na cadeira. No meio desse cenário opressor, a atuação do protagonista interpretado por Adam Scott serve como nossa única âncora de realidade. O desespero dele ao tentar alertar os vizinhos é palpável, e as aparições da criatura, feitas com maquiagem pesada e contorcionismo em vez de efeitos de computador, causam um arrepio genuíno e visceral. O problema é que toda essa excelente construção de clima esbarra em um roteiro que, no meio do caminho, parece não saber para onde ir. Chega um momento em que a direção cansa o espectador ao repetir as mesmas situações de desconfiança, fazendo a história andar em círculos e perder o ritmo ágil que o terror moderno costuma ter. Para piorar, toda aquela construção de mistério tão rica deságua em um final comum e previsível, que resolve o problema da bruxa de um jeito que nós já cansamos de ver em outras produções. No fim das contas, Hokum: O Pesadelo da Bruxa vale muito mais pela viagem desconfortável e pela beleza de seus aspectos técnicos do que pelo destino final da história. Quem busca uma obra de arte sombria e cheia de tensão vai encontrar um prato cheio, mesmo que o roteiro dê algumas derrapadas antes dos créditos subirem. A classificação indicativa é para maiores de 16 anos.

A dica desta semana para assistir em casa vai para Maximum Pleasure Guaranteed. Disponível na Apple TV+, esta série de 10 episódios é um exercício primoroso de comédia sombria e suspense que transcende as convenções do gênero de mistério suburbano. O grande triunfo da produção reside na direção de David Gordon Green, que imprime uma identidade visual ágil e uma montagem frenética, perfeitamente sintonizadas com a trilha sonora pulsante para traduzir o desespero da protagonista. No roteiro, a narrativa evita o drama familiar simplista ao costurar uma disputa de guarda de filhos com uma perigosa teia de chantagem, crimes e conspirações, criando um contraste necessário entre a aparente normalidade da rotina de mãe de família e o caos do submundo. A atuação de Tatiana Maslany é rítmica e magnética, alternando explosões de desespero com um timing cômico impecável. É uma obra essencial para entender o nível de pressão imposto sobre as mulheres na sociedade contemporânea. A produção conta com nomes de peso no elenco como Jake Johnson e Murray Bartlett. É uma boa escolha para quem busca uma trama inteligente, cheia de reviravoltas e humor ácido.

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