Estreia esta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Maldição da Múmia. Dirigido por Lee Cronin, conhecido por sua habilidade em revitalizar franquias por meio do horror visceral, como em A Morte do Demônio: A Ascensão, Cronin aqui abandona o tom aventuresco das versões clássicas para mergulhar em um terror de confinamento claustrofóbico. O filme subverte a mitologia egípcia ao tratá-la não como uma maldição mística distante, mas como uma infecção biológica e psicológica que se propaga em um ambiente urbano e decadente. Cronin utiliza o design de som para criar uma atmosfera de constante ameaça, em que cada estalar de ossos e sussurro em línguas mortas reverbera com uma nitidez perturbadora. A fotografia, dominada por tons de amarelo e sombras profundas, consegue transformar espaços modernos em túmulos contemporâneos, estabelecendo um paralelo visual interessante entre a imortalidade da maldição e a fragilidade da carne humana. No centro da trama, a atuação de Lily Sullivan é o pilar emocional da produção. Ela entrega uma performance física exaustiva, equilibrando o pavor absoluto com uma resiliência feroz, evitando os clichês da “vítima indefesa”. Ao seu lado, o elenco de apoio serve bem ao propósito de ilustrar a degradação causada pela entidade, embora nem todos recebam o mesmo refinamento psicológico. Entretanto, o longa encontra resistência em sua estrutura narrativa. Se por um lado a economia de cenários intensifica a tensão, por outro, o roteiro de Cronin por vezes se torna refém de conveniências do gênero. Algumas decisões dos personagens beiram o injustificável, servindo apenas para empurrar a trama em direção ao próximo set piece de horror. Além disso, o excesso de jump scares no segundo ato pode desgastar o espectador que prefere o terror psicológico. Maldição da Múmia é uma experiência sensorial forte. Não é um filme para quem busca a leveza das aventuras de outrora, mas sim uma obra que celebra a herança do horror gráfico com uma execução técnica de alto nível. É um exercício de sadismo cinematográfico bem orquestrado que, apesar de tropeçar em certas fórmulas, garante o impacto pretendido. Vale o ingresso para os entusiastas do gênero e a classificação indicativa é para maiores de 16 anos.
Esta semana temos o relançamento de A Saga Crepúsculo: Lua Nova nos cinemas que oferece uma oportunidade intrigante de reavaliar um dos pilares da cultura pop sob a lente do tempo. Sob a direção de Chris Weitz, o segundo capítulo da franquia se distancia da estética fria e azulada do filme original para abraçar uma paleta de tons terrosos, refletindo a transição emocional de Bella Swan do gélido universo dos Cullen para o calor humano de Jacob Black. Esse “envelhecimento” visual revela um filme que, embora sofra com efeitos de CGI dos lobisomens que hoje denunciam as limitações de 2009, ainda sustenta uma identidade estética muito forte, especialmente na grandiosa introdução dos Volturi, que confere à saga um ar de ópera gótica até então inédito. O que mais surpreende ao rever a obra hoje é a coragem em manter um ritmo propositalmente lento para retratar o luto adolescente. A famosa sequência em que os meses passam pela janela de Bella, enquanto ela permanece estática em sua melancolia, resiste como um dos momentos mais inspirados da série, capturando o vácuo da depressão com uma sensibilidade que muitos blockbusters modernos ignoram em favor do dinamismo frenético. Assistir a essa experiência no cinema potencializa a trilha sonora, que permanece impecável; a curadoria musical, envolvendo nomes como Thom Yorke e Bon Iver, confere uma sofisticação que eleva o melodrama e ajuda a mascarar diálogos que, para o público atual, podem soar excessivamente teatrais ou centrados em uma dependência emocional hoje vista com mais ressalvas críticas. Para além da nostalgia, o motivo para revisitar Lua Nova nas telonas reside na compreensão de um fenômeno que moldou uma década de produções para jovens adultos. É um exercício de arqueologia cultural onde a atuação de Kristen Stewart ganha novos contornos, revelando uma vulnerabilidade mais complexa do que as paródias da época sugeriam. O filme tropeça em certas conveniências de roteiro e na estrutura arrastada de seu segundo ato, mas garante o impacto como uma cápsula do tempo estética. É uma obra que celebra o melodrama em sua forma mais pura, oferecendo um espetáculo sensorial que, apesar de algumas rugas técnicas, mantém sua capacidade de envolver quem se permite mergulhar em sua atmosfera melancólica. Classificação indicativa para maiores de 12 anos.
A dica desta semana para assistir em casa é Matéria Escura. Baseada no best-seller de Blake Crouch, a série é um thriller de ficção científica que utiliza o conceito de multiverso não como um artifício de ação, mas como um espelho para as escolhas e arrependimentos humanos. O grande trunfo da produção é a performance de Joel Edgerton, que entrega nuances precisas ao interpretar versões distintas do mesmo homem, enquanto Jennifer Connelly ancora a trama com uma carga emocional profunda. Visualmente, a série opta por uma estética sóbria e funcional, onde o design de produção da “caixa” se torna um personagem à parte, evocando um isolamento existencial potente. Se você busca uma narrativa inteligente, que equilibra conceitos da física quântica com dilemas morais e um ritmo de suspense constante. Disponível no Apple TV+, é uma boa escolha para o seu final de semana.








