FILMES DA SEMANA DE 20/08 A 26/08

20/08/2026 16:43:37
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Estreia esta semana nos cinemas de Nova Friburgo Sobrenatural: Agora Entre Nós. Este é o sexto filme da franquia de terror que começou em 2010 e desta vez, a série deixa de lado a família Lambert e apresenta uma nova protagonista, tentando encontrar uma maneira diferente de explorar o universo sobrenatural que já conhecemos. Na direção está Jacob Chase, que também assina o roteiro e já havia demonstrado interesse pelo terror em Brinquedo Assassino (Come Play). A escolha faz sentido, porque o diretor não parece interessado apenas em repetir a fórmula dos filmes anteriores. Ele aproveita a ideia do Além, dimensão habitada por espíritos e entidades, para criar novas regras e colocar seus personagens diante de uma ameaça que pode atravessar a fronteira entre os dois mundos. A protagonista é Gemma, interpretada por Amelia Eve, uma jovem mãe que volta para a casa onde cresceu para criar a filha. O que deveria representar um recomeço rapidamente se transforma em pesadelo quando ela descobre possuir uma habilidade incomum e consegue viajar para o Além e, mais perigoso ainda, trazer de volta para o mundo real aquilo que encontra por lá. É justamente essa ideia que dá ao filme seu principal diferencial. Em vez de simplesmente apresentar uma família sendo atormentada por uma entidade dentro de casa, o filme brinca com a possibilidade de que o caminho também possa ser feito no sentido contrário. Gemma passa a ser uma espécie de ponte entre os dois universos, e os demônios percebem que podem usar essa habilidade a seu favor. Amelia Eve segura bem o protagonismo e consegue transmitir o desespero de uma mãe que precisa proteger a filha enquanto tenta entender algo que está muito além da sua compreensão. A presença de Brandon Perea também ajuda a movimentar a história, enquanto Lin Shaye retorna como Elise Rainier, personagem que se tornou uma das figuras mais importantes de toda a franquia. É bom ver Elise novamente, principalmente porque sua presença funciona como uma ligação com o passado sem obrigar o filme a voltar completamente para a história dos Lambert. Essa é uma das decisões mais acertadas da produção que apresenta personagens novos e, ao mesmo tempo, preserva elementos que fizeram o público se interessar pela franquia. Jacob Chase encontra alguns bons caminhos para explorar o Além. Há momentos bastante criativos e imagens que conseguem provocar estranheza, além de algumas sequências que mostram que o diretor entende como construir uma atmosfera de terror. O filme também aposta em efeitos práticos e cenários que ajudam a tornar determinadas aparições mais interessantes. Mas nem tudo funciona tão bem. A necessidade de ampliar cada vez mais a mitologia de Sobrenatural acaba deixando a história um pouco complicada em determinados momentos. O filme apresenta novas explicações, novas possibilidades e novas regras para o Além, mas nem sempre consegue transformar todas essas ideias em algo realmente assustador. Para quem acompanha a franquia, existe ainda outro problema. Depois de tantos filmes, algumas situações começam a parecer familiares demais. O corredor escuro, a casa ameaçadora, os ruídos inexplicáveis e as aparições continuam presentes, mas já não provocam o mesmo impacto do primeiro filme. O mérito desta produção foi tentar fazer algo diferente dentro de uma franquia que poderia simplesmente repetir a fórmula. Chase entende que não é necessário contar novamente a mesma história e encontra uma nova maneira de explorar o universo sobrenatural, mesmo que algumas escolhas sejam mais interessantes na ideia do que na execução. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Outra estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Coração Partido, romance adolescente russo dirigido por Michael Vaynberg. À primeira vista, o filme parece seguir uma fórmula bastante conhecida quando uma garota chega a uma nova escola e ao enfrentar problemas de adaptação, acaba se aproximando justamente do rapaz mais complicado daquele ambiente. Mas, conforme a história avança, fica claro que o filme quer falar também sobre insegurança, necessidade de pertencimento e os limites entre proteção e controle. Polina é uma adolescente que tenta começar uma nova vida depois de mudar de cidade. O recomeço, porém, não acontece como ela esperava. Na escola, a jovem rapidamente se torna alvo de bullying e passa a ocupar uma posição bastante desconfortável entre os colegas. É nesse momento que surge Bars, um dos alunos mais temidos. Em uma situação que inicialmente parece apenas uma troca de interesses, Bars propõe um acordo. Fingir ser namorado de Polina e, em troca, ela deve seguir as regras impostas por ele. A ideia de um relacionamento de mentira não é exatamente novidade no cinema adolescente, mas Coração Partido tenta utilizar esse ponto de partida para construir uma relação mais complicada do que simplesmente transformar dois personagens diferentes em um casal. Veronika Zhuravleva encontra em Polina uma personagem vulnerável, mas que aos poucos começa a perceber que ser protegida não significa necessariamente estar segura. Daniel Vegas, como Bars, interpreta um personagem que mistura comportamento agressivo, insegurança e uma necessidade quase exagerada de controlar aquilo que acontece ao seu redor. E é justamente nessa relação que está o ponto mais interessante do filme. O romance não nasce de maneira totalmente leve ou convencional. Existe uma dependência entre os dois que vai crescendo aos poucos, fazendo com que o espectador se pergunte até onde vai o afeto e onde começa a manipulação. O filme não trata essa questão de maneira especialmente profunda o tempo todo, mas consegue criar situações que deixam esse conflito evidente. Michael Vaynberg também procura mostrar que seus personagens não são simplesmente o mocinho e a mocinha de uma história adolescente. Polina tem seus medos e fragilidades, enquanto Bars carrega problemas que ajudam a explicar seu comportamento. Essa tentativa de dar mais camadas aos protagonistas impede que a história seja apenas mais um romance escolar previsível. Por outro lado, Coração Partido não consegue escapar completamente dos clichês do gênero. Algumas situações parecem familiares, determinados conflitos são facilmente previsíveis e a narrativa, com seus 134 minutos, poderia ser um pouco mais enxuta. Para quem já está acostumado com romances adolescentes, muitas das reviravoltas não chegam a surpreender tanto. Ainda assim, o filme funciona quando deixa de lado a preocupação em criar apenas um casal romântico e passa a explorar o que existe por trás dessa relação. Polina quer ser aceita e protegida, enquanto Bars parece encontrar nela alguém que pode preencher um vazio que ele próprio não sabe como enfrentar. A produção aposta mais nos personagens e nos ambientes escolares do que em grandes recursos cinematográficos. É uma escolha que combina com a proposta e mantém o foco nos conflitos pessoais. O resultado está mais próximo de um drama romântico juvenil do que de uma história de amor idealizada. Coração Partido provavelmente encontrará seu público entre aqueles que gostam de romances adolescentes marcados por personagens problemáticos, relações intensas e conflitos emocionais. Quem procura uma história completamente diferente das fórmulas do gênero pode se decepcionar, já que o filme trabalha com elementos bastante conhecidos. Mas há mérito na tentativa de discutir uma questão importante por trás de uma história aparentemente simples. Quando alguém diz que está cuidando de você, isso significa necessariamente que está fazendo o melhor para você? É nessa dúvida que o filme encontra seus momentos mais interessantes. É uma história sobre dois jovens tentando encontrar seu lugar, enquanto descobrem que carinho, dependência, ciúme e controle podem se confundir facilmente. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Mais uma estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo está Só Por Uma Noite, nova comédia romântica de Will Gluck, diretor que já mostrou bastante familiaridade com o gênero. Só que desta vez ele parte de uma ideia tão absurda quanto curiosa. Em uma versão alternativa dos Estados Unidos, pessoas solteiras só podem fazer sexo em uma única noite do ano. Durante as outras 364 noites, qualquer relação antes do casamento é proibida e monitorada pelo governo. É nesse cenário estranho que conhecemos Owen, interpretado por Callum Turner. Dono de uma pizzaria e recém-saído de um relacionamento, ele esperava passar a noite de exceção ao lado da namorada. O plano, porém, desmorona quando ela decide que aquela oportunidade deveria ser usada para experimentar algo diferente. Do outro lado da cidade está Allie, vivida por Monica Barbaro, uma cantora de comerciais que também está solteira e encara aquela noite de uma maneira completamente diferente. Enquanto Owen procura entender o que fazer depois de ser abandonado, Allie acredita que finalmente pode encontrar alguém com quem exista uma conexão verdadeira. Os dois acabam se encontrando por acaso em meio ao caos de Nova York. O problema é que, quando finalmente surge uma possibilidade de romance, uma sucessão de situações inesperadas faz com que eles passem boa parte da noite tentando se reencontrar. E é aí que o filme encontra sua melhor ideia. Apesar de toda a premissa envolvendo sexo, proibições e controle governamental, Só Por Uma Noite está muito mais interessado em falar sobre solidão do que sobre desejo. O curioso é que, em uma sociedade onde existe uma noite específica para as pessoas fazerem aquilo que quiserem, Owen e Allie estão procurando justamente algo que não pode ser programado. Uma relação de verdade. Will Gluck aproveita essa situação para construir uma comédia de desencontros, com os protagonistas sempre chegando perto um do outro e, por algum motivo, sendo separados novamente. A cidade ajuda bastante nesse jogo. Nova York aparece movimentada, caótica e cheia de personagens estranhos, funcionando quase como um terceiro protagonista durante aquela noite. Callum Turner e Monica Barbaro são, sem dúvida, o principal motivo para o filme funcionar. Existe química entre os dois, e isso é fundamental em uma história que depende justamente da torcida do público para que o casal consiga finalmente ficar junto. Turner consegue transformar Owen em alguém atrapalhado e vulnerável sem torná-lo excessivamente irritante, enquanto Barbaro dá a Allie uma combinação interessante de romantismo, humor e independência. O elenco de apoio também está cheio de nomes conhecidos, com Maya Hawke, Molly Ringwald, LeVar Burton e Julia Fox, entre outros. Alguns aparecem em participações rápidas, mas ajudam a dar ao filme aquele clima de comédia urbana em que praticamente qualquer encontro pode levar a uma situação inesperada. O problema é que a premissa oferece muito mais possibilidades do que o roteiro realmente aproveita. A ideia de uma sociedade na qual o governo controla até a intimidade das pessoas poderia render uma sátira muito mais ácida sobre conservadorismo, liberdade e comportamento social. O filme até toca nesses assuntos, mas rapidamente volta para o romance entre Owen e Allie. Também existem algumas perguntas sobre como esse mundo funciona que ficam sem respostas convincentes. Quanto mais o roteiro explica as regras dessa sociedade, mais algumas delas parecem difíceis de levar a sério. Para uma comédia, isso não chega a destruir a experiência, mas pode incomodar quem espera que a parte de ficção científica seja tratada com maior cuidado. Por outro lado, talvez seja justamente essa falta de preocupação em explicar tudo que permita ao filme manter seu ritmo. Só Por Uma Noite não quer ser uma grande distopia política. Ele usa uma sociedade absurda apenas como ponto de partida para colocar duas pessoas solitárias correndo por Nova York atrás de uma oportunidade de encontrar alguém e existe uma ironia interessante nisso. Todo mundo ao redor de Owen e Allie parece estar preocupado em aproveitar aquela única noite, enquanto os dois protagonistas descobrem que o que realmente desejam não tem necessariamente relação com a regra que permitiu aquela noite existir. O filme também não esconde sua inspiração nas comédias românticas tradicionais. Há encontros desastrosos, coincidências improváveis, personagens excêntricos e aquela sensação de que o destino está fazendo de tudo para aproximar o casal. O filme funciona melhor quando esquece sua grande premissa e se concentra em Owen e Allie. É ali que a produção encontra seu coração e mostra que, mesmo em uma sociedade completamente absurda, algumas coisas continuam difíceis de controlar principalmente a vontade de encontrar alguém que faça a vida parecer um pouco menos solitária. É leve, divertida e conta com dois protagonistas que conseguem sustentar a história. Para quem gosta do gênero, pode ser uma boa opção para uma sessão descontraída, desde que não espere uma grande reflexão sobre o mundo distópico criado pelo filme. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

A última estreia desta semana nos cinemas em Nova Friburgo é Amigas Sem Filtro. Essa é uma comédia que parte de uma ideia bastante simples. São quatro amigas que precisam urgentemente de alguns dias longe do trabalho, dos problemas familiares e das responsabilidades da vida adulta. A solução é um fim de semana em um spa de luxo em Palm Springs, com direito a descanso, tratamentos e, quem sabe, algumas horas de paz. Mas estamos falando de uma comédia. E, obviamente, paz é justamente a última coisa que elas vão encontrar. Sophie, Jane e Coco chegam ao spa determinadas a aproveitar cada minuto da viagem. O problema é que Mel, uma antiga amiga do grupo, aparece de maneira inesperada e transforma aquilo que deveria ser um retiro relaxante em uma sucessão de situações cada vez mais caóticas. E Mel não é exatamente o tipo de pessoa que entra em um ambiente e passa despercebida. Interpretada por Isla Fisher, ela funciona como aquele elemento de desordem que qualquer grupo de amigos provavelmente conhece. O interessante é que o filme não depende apenas das situações engraçadas. Por trás das confusões existe uma questão bastante fácil de reconhecer. As quatro amigas chegaram a uma fase da vida em que trabalho, relacionamentos, família e responsabilidades acabaram ocupando praticamente todo o espaço. O fim de semana, portanto, também é uma tentativa de recuperar algo que ficou pelo caminho com a amizade e o tempo para elas mesmas. Anna Faris, Leslie Mann, Michelle Buteau e Isla Fisher formam um quarteto que parece ter sido escolhido justamente para aproveitar as diferenças entre suas personagens. Cada uma possui uma personalidade própria, e boa parte do humor nasce do choque entre essas quatro maneiras completamente diferentes de encarar os problemas. Também ajuda o fato de Jon Lucas e Scott Moore conhecerem bem esse território. Os dois, responsáveis por comédias como Se Beber, Não Case e Perfeita é a Mãe, novamente apostam em personagens adultos colocados em situações que rapidamente fogem do controle. Não espere, porém, uma comédia cheia de grandes novidades. Amigas Sem Filtro sabe exatamente o tipo de filme que quer ser. Há exageros, decisões ruins, situações constrangedoras e momentos em que você provavelmente vai pensar que aquelas quatro mulheres deveriam simplesmente voltar para casa. O filme também acerta ao não transformar suas protagonistas em personagens perfeitas. Elas erram, discutem, tomam decisões questionáveis e, em alguns momentos, conseguem piorar ainda mais aquilo que já estava complicado. É uma amizade bastante imperfeita, mas justamente por isso acaba sendo fácil se identificar com elas. Anna Faris continua demonstrando seu talento para a comédia física e para personagens que conseguem transitar entre o absurdo e o carisma. Isla Fisher aproveita muito bem o papel da amiga imprevisível, enquanto Leslie Mann e Michelle Buteau ajudam a equilibrar o grupo com personalidades diferentes. É claro que nem todas as piadas funcionam da mesma maneira e algumas situações podem parecer exageradas demais. O roteiro também não pretende aprofundar muito os conflitos pessoais das personagens. Quando a história começa a ficar mais séria, rapidamente encontra uma maneira de voltar para o humor. Mas talvez essa seja justamente a proposta. Amigas Sem Filtro não quer ser um grande estudo sobre a amizade feminina ou uma reflexão profunda sobre a vida adulta. Quer colocar quatro mulheres juntas, oferecer um cenário bonito, algumas decisões ruins e deixar o caos fazer o resto. O filme lembra uma coisa que muita gente acaba esquecendo, que às vezes, o melhor programa não é uma viagem perfeita, um spa luxuoso ou alguns dias sem problemas. É simplesmente estar ao lado de pessoas com quem você pode rir das situações mais absurdas. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

A dica para assistir em casa desta semana vai para Lanternas, nova série da DC que coloca Hal Jordan e John Stewart no centro de uma investigação de assassinato no interior dos Estados Unidos. A proposta chama atenção justamente por deixar um pouco de lado as grandes batalhas espaciais e apostar mais no suspense, no mistério e na relação entre os dois protagonistas. Kyle Chandler e Aaron Pierre funcionam muito bem juntos, criando uma dinâmica que mistura desconfiança, humor e conflito entre um veterano cansado e um recruta que ainda está descobrindo o que significa ser um Lanterna Verde. A série também ganha pontos por apresentar o universo dos heróis de uma maneira mais acessível, mesmo para quem não conhece os quadrinhos. O ritmo mais lento e a escolha por uma atmosfera de investigação podem incomodar quem esperava uma produção mais cheia de ação, mas ajudam a construir o mistério aos poucos. Lanternas é uma boa opção para quem gosta de histórias de investigação com ficção científica e quer conhecer uma versão diferente dos heróis da DC. Disponível na HBO Max, com episódios lançados semanalmente.

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